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Pará é estratégico na rota do narcotráfico

domingo, 29/01/2017, 11:41 - Atualizado em 29/01/2017, 11:54 - Autor:


A localização estratégica, as fronteiras e os rios são algumas condições geográficas que o Pará apresenta e que favorecem o trânsito de drogas em seu território. Essa situação, aliada a lacunas deixadas pela falta de fiscalização (ou fiscalização carente) de combate ao tráfico de entorpecentes, permite que o Pará seja o ponto de recebimento e envio de toneladas de drogas, em especial a cocaína, uma das mais consumidas no Brasil.


Um estudo desenvolvido pelo geógrafo, mestre em Planejamento Regional e Urbano e doutorando em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA-UFPA) Aiala Colares comprova que o antes de chegar de chegar a Europa e África, as drogas produzidas em países da América do Sul – como Colômbia, Peru e Bolívia – cruzam os rios, os céus e as fronteiras dos estados da região Norte, se afunilando por caminhos que chegam ao Pará e daqui abastecem outros mercados consumidores, sejam eles internacionais ou nacionais, já que parte da droga que passa por aqui também tem como destino final os estados da região Nordeste.


Para que esse escoamento, digamos assim, tenha êxito, Aiala percebe uma importante aliança entre duas facções de maior força no narcotráfico: a ‘Família do Norte (FDN)’ e o ‘Comando Vermelho (CV)’, que controlam o comércio de cocaína no Brasil e possuem uma estrutura organizada. “Sem a presença da FDN o CV teria dificuldades em ter acesso a este fornecimento”, enfatiza o especialista.


Ao se analisar o mapa, verifica-se que praticamente todos os maiores rios navegáveis da região amazônica fazem parte do mapa do narcotráfico. O maior número de rotas de escoamento da droga por rios ainda se concentra no Estado do Amazonas, mas de lá todas as rotas seguem em uma só direção: o Pará.



MERCADO CONSUMIDOR


A cocaína está entre as drogas mais consumidas no Brasil, e por aqui mesmo, no Estado do Pará, encontra um mercado consumidor em grande potencial. Isto faz com que parte da droga que transite pelo território abasteça o interesse de associações de tráfico daqui mesmo da região. Isso se comprova em dados do Escritório das Nações Unidas Sobre Crime Global (Undoc), que apontam a cocaína como a mais 
consumida no Brasil.


“O comércio de cocaína está mais presente aqui do que na Europa, por exemplo, e, portanto, somos o segundo maior mercado de cocaína do mundo, com perspectivas de ultrapassar em 10 anos os EUA, que ainda é o maior mercado consumidor deste tipo de droga”, frisou Aiala Colares.


Segundo os estudos de Colares, a cocaína se popularizou no Pará a partir do século XXI. Com relação à maconha, o pesquisador observa que ela ainda se mantém presente em grande quantidade na nossa região, mas é menos rentável que a cocaína. Cada peteca com aproximadamente 10 gramas de cocaína, por exemplo, é comercializada pelo preço de R$ 20 a R$ 30. “O consumo de maconha ainda se mantém muito presente pelo fato de ter sido a primeira droga a ser comercializada em grandes quantidades”, disse.


Quanto à produção e ao cultivo de maconha no Pará, que foi combatido fortemente no semestre passado pela polícia, observa-se que esta produção é mais voltada para abastecer outros Estados da região nordeste, apenas uma pequena parte é aproveitada no Pará. Quem comentou sobre essa situação foi o delegado da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), Hennison Jacob, que observa que as drogas mais consumidas na Região Metropolitana de Belém vêm de Estados como Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro.


POLÍTICAS PÚBLICAS


Para Aiala Colares, o combate ao tráfico de drogas precisa levar em consideração que isso não se deve ser feito apenas com policiais nas ruas e equipando as polícias, e sim atuando também em outras esferas e áreas da sociedade e da governança. “Sobre as políticas de combate ao tráfico de drogas, é preciso considerar que existe muito mais uma política repressiva de combate a essa atividade que não é acompanhada de uma política pública que dê condições de se pensar em um projeto de cidadania e justiça social”, reiterou.


O especialista ressalta que a política de segurança pública, em geral, está mais voltada as ações diretas do Estado, como a realização de operações policiais. Porém, este combate requer um apoio de políticas públicas de segurança, que são feitas quando o Estado garante iluminação pública, saneamento básico, constrói espaços públicos como escolas e apoia projetos sociais de esporte e lazer.


“Na verdade, uma complementa a outra, sendo a forma mais eficaz de diminuir não apenas a influência do tráfico de drogas, mas também de outras atividades criminosas que tomam conta, sobretudo, dos jovens negros da periferia, que estão mais expostos a todo e qualquer tipo de violência”, desfechou.


(DenilsonD'Almeida)

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