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Tubulação clandestina da Hydro despeja material tóxico em rio de Barcarena

sexta-feira, 23/02/2018, 20:43 - Atualizado em 23/02/2018, 21:02 - Autor:


A gigante Hydro é acusada de usar uma tubulação clandestina para descartar efluentes não tratados diretamente no rio Muripi, localizado em uma comunidade no município de Barcarena, nordeste do Pará. A informação consta no laudo divulgado pelo Instituto Evandro Chagas e foi divulgada pela BBC Brasil nesta sexta-feira (23).



De acordo com a matéria feita pelo jornalista Ricardo Senra, após ser questionada a Hydro confirmou a existência da tubulação com um pequeno vazamento de água de coloração avermelhada na área da refinaria e disse que iria fazer “as investigações necessárias para identificar a origem e natureza do material, bem como realizando a imediata vedação desta tubulação”.


As acusações foram feitas por Marcelo de Oliveira Lemo, pesquisador em saúde pública e que assina o laudo emitido nesta quinta-feira pelo Instituto Evandro Chagas, que confirmou a contaminação no município.



(Foto: Divulgação/Instituto Evandro Chagas)


"Houve duas constatações. Primeiro, transbordo de efluentes. Os níveis de alumínio nos rios estavam 25 vezes mais altos que os estabelecidos pela legislação. Segundo, o mais grave de tudo, a empresa fez uma tubulação para jogar resíduos diretamente no ambiente", disse o pesquisador em entrevista.



A preocupação com o vazamento é grande tendo em vista que a contaminação pode alcançar o solo e o organismo dos moradores. Sabendo também que a fonte de sustento e de recreação dos moradores é através da água, o resultado de testes feitos no cabelo e na pele dos moradores próximos à barragem devem ser divulgados nas próximas semanas.



Duto clandestino onde material tóxico era despejado (Foto: Evandro Chagas)


BOATO


Desde que as principais denúncias foram feitas por moradores da cidade, a gigante norueguesa tratava o caso como um simples “boato”, afirmando que “não houve vazamentos ou rompimentos nos depósitos”. Foi necessária a intervenção da mídia e de um laudo oficial para exigir um posicionamento firme por parte da mineradora, que afirmou “ter o compromisso de corrigir qualquer problema que possa ter sido causada pela sua operação”.




(Foto: Divulgação)


PROCEDIMENTOS


Na manhã desta sexta (23), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) exigiu uma série de recomendações sobre os impactos ambientais do vazamento de resíduos, sendo três de ação imediata: fornecimento imediato de água potável às comunidades atingidas; paralisação das atividades da bacia DRS-2, que funciona de forma irregular; e providências imediatas para operacionalização do plano de emergência.


DANOS AMBIENTAIS


Desde o último sábado (17), moradores de Barcarena denunciam a poluição causada após um rompimento de barragens de rejeitos da Hydro. 



(Foto: Divulgação/Instituto Evandro Chagas)


Os moradores denunciam que a Hydro pratica irregularidades territoriais, ambientais e sociais, inclusive discriminação nas comunidades de Jesus de Nazaré, Burajuba, Água Verde e Jardim Canaã, onde moram quase 5 mil famílias.



Entre as denúncias mais graves está a de que a Norsk Hydro construiu um depósito de resíduo numa Área de Proteção Ambiental (APA), que é protegida por lei e onde existem comunidades remanescentes de quilombos. Na época, a Hydro negou todas as denúncias.


(Com informações da BBC Brasil)

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