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CUIDADO ESPECIAL

Abrigos garantem dignidade humana e acolhimento a idosos em situação de abandono

Lar Socorro Gabriel e Lar Providência recebem moradores em situação de vulnerabilidade, encaminhados pelo Ministério Público

quinta-feira, 01/10/2020, 17:46 - Atualizado em 01/10/2020, 17:46 - Autor: Agência Pará


Celso Lecar, 84 anos, há três vive no Lar Socorro Gabriel, onde mantém uma rotina de caminhadas e leituras após enfrentar dificuldades.
Celso Lecar, 84 anos, há três vive no Lar Socorro Gabriel, onde mantém uma rotina de caminhadas e leituras após enfrentar dificuldades. | Ricardo Amanajás/ Agência Pará

Há quase três anos, Celso Lecar, 84, divide as horas do seu dia entre caminhadas tranquilas, leitura de romances e um pouco de televisão.

"Quero viver assim, tranquilo, calmo, até a hora que Deus me chamar", conta ele, que é morador do Nosso Lar Socorro Gabriel, um dos dois abrigos para idosos mantidos pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster).

Quem o vê tão sereno nem imagina as dificuldades que ele passou até se tornar residente do espaço localizado no bairro da Maracangalha.

Trabalhador braçal até enquanto a saúde permitiu, Celso morava sozinho e, cardíaco, contava com a ajuda dos vizinhos quando passava mal.

"Eles eram muito 'gente boa' comigo, mas eu precisava sempre, pensava que poderia morrer sozinho ali", lembra.

"A gente, que é idoso, precisa de cuidado. Tive sorte de vir para cá, as coisas melhoraram muito para mim, mas sei que nem todo mundo consegue isso", reconhece.

Mais do que um abrigo, tanto o Socorro Gabriel quanto o Lar da Providência, no bairro do Souza, são sinônimos de acolhimento e garantia de dignidade para idosos em situação de abandono ou vulnerabilidade. Atualmente, o primeiro mantém 34 residentes, e o segundo, outros 42.

Ambos os abrigos estão instalados em terrenos bastante grandes, cercados de verde e com possibilidades de desenvolvimento das mais diversas atividades, que podem ir da caminhada à jardinagem.

Os moradores contam com o apoio de equipes multiprofissionais e presentes 24 horas por dia, de segunda a domingo, que realizam atendimento em saúde e garantem a acolhida e o apoio emocional a cada um dos idosos - a maioria já sem nenhum vínculo familiar.  

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ACOLHIMENTO

A transferência de um idoso para um dos abrigos se dá via Ministério Público, após o recebimento de denúncia, feita ou por vizinhos ou até mesmo por familiares, e consequente averiguação da situação.

"Dependendo do que é constatado, o acolhimento é imediato, ou é feita a visita social, para sabermos se aquela pessoa se enquadra no perfil do abrigo", explica Aline Cordeiro, gerente do Socorro Gabriel. 

Se a pessoa tiver filhos e parentes, tudo é feito priorizando a permanência no convívio familiar.

"Mesmo quando ocorre o acolhimento, a ideia é tirar da situação de vulnerabilidade e devolvê-lo à família, mas a parte mais triste é que, na maioria dos casos, uma vez que o idoso vem para cá, os parentes abandonam, não querem de volta, perdem o contato", lamenta a gerente. 

Os abrigos lidam tanto com os que já estão acamados e ficam praticamente todo o tempo nos leitos de enfermaria, como também com os que fazem parte de suas atividades de forma autônoma, e esses dividem dormitórios com outros dois ou três residentes.

Tudo é feito sob orientação de médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e outros profissionais que se dedicam a garantir o máximo de bem estar possível a cada morador.

Por causa da pandemia, as atividades externas estão suspensas, mas antes do surgimento do novo Coronavírus, programações envolvendo idas ao shopping, ao cinema e outros passeio faziam parte da rotina dos abrigados - sempre acompanhados de cuidadores.

"Hoje, as violações de direito contra a pessoa idosa atingem um índice alto, uma prática que só faz crescer os dados estatísticos. O Estado, por sua vez, garantindo o que preconiza o Estatuto do Idoso, garante um ambiente saudável e digno para os seus residentes", reforça Silvia Sousa, gerente do Lar da Providência.

CUSTEIO

Embora contem com algumas doações pouco frequentes de parceiros e empresas, todo o custeio dos dois abrigos é realizado integralmente pelo Estado.

"Lidamos com pessoas que um dia cuidaram da gente, e que agora voltam a ser nossos filhos, e a gente precisa ter um cuidado, um carinho especial, como se eles fossem crianças. Por isso que as equipes aqui se revezam para que eles tenham acompanhamento o tempo todo", justifica Aline.

O titular da Seaster, Inocencio Gasparim, afirma que a garantia da dignidade humana em um momento de vida tão delicado, como a velhice, não se restringe, por parte do Estado, ao Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado neste 1º de outubro.

"Alimentação, higiene, cuidados médicos, tudo, nossa missão é cuidar como se fossem nossos pais, nossos familiares, provendo tudo o que seja necessário. Todo o atendimento é feito por colaboradores qualificados, que contribuem para a saúde desses idosos como uma missão de vida, profissionais que se revezam durante as semanas, meses, o ano todo, para garantir essa assistência", relata. 

No auge da pandemia, o cuidado com os idosos foi redobrado. "Tivemos alguns com sintomas, tivemos membros das equipes que foram infectados e por isso houve alguma urgência no sentido de substituí-los, e assim garantir o máximo de segurança aos residentes. Estamos agora em uma fase mais branda, mas ainda muito atentos. Todos precisamos lembrar daqueles que deram a vida por nós e que por vezes acabam sendo abandonados, eles precisam do nosso cuidado", frisa o secretário.

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