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Internet pode sofrer falha mundial esse mês; saiba quais são as causas e riscos

segunda-feira, 06/05/2019, 10:30 - Atualizado em 06/05/2019, 11:36 - Autor:


A internet pode sofrer uma falha mundial ainda neste mês de maio, como já aconteceu em outros anos. Mas calma, a probabilidade de ocorrer agora é mais remota e pode ser que seja a última vez que um problema desse tipo aconteça.


Alguns especialistas chamam de "768k Day", o dia em que roteadores (de empresas de transmissão de dados) mais antigos ultrapassam limites de tráfegos e ficam malucos, fazendo com que usuários tenham problemas como lentidão, dificuldades de conexão e até "mini apagão". Porém, existe ainda a dúvida se os usuários vão sentir a falha ou não, como já aconteceu em outros anos.


Para entender essa falha mundial, é necessário ter um entendimento técnico sobre a internet. Entre as conexões diárias com sites de todo o mundo, existem servidores e provedores que se comunicam através de um "mapa". Essa troca de dados é chamada de "tabela de rotas" e pode alcançar um limite e ocasionar problemas, como aconteceu em agosto de 2014.


De acordo com Antônio Moreiras, gerente de projetos e desenvolvimento do NIC.br, "Em 2014, alguns equipamentos tinham um tamanho máximo para essa tabela que era limitado a 512 mil entradas. Muita gente teve lentidão, outros travaram. Daí configuraram um limite novo de 768 mil entradas nessa tabela e estamos chegando de novo a isso". 


Apesar de não ter um dia específico para acontecer, sabe-se que o "768K Day", será ultrapassado nos próximos dias. Um número de rotas diferente é visto dentro de sua tabela por cada operadora, fazendo com que cada um alcance o limite em momentos diferentes.


Quem poderá ser afetado?


Segundo Moreiras, equipamentos mais antigos dem ser os mais afetados, e coloca em risco os provedores menores que não atualizam o sistema.


"Todo equipamento de rede e roteadores têm uma tabela de roteamento, e essas tabelas têm limites. Equipamentos mais antigos têm menos memória e capacidade. Quando ultrapassa esse limite, param de funcionar", enfatiza o professor Rodrigo Filev, do departamento de ciência da computação da FEI. 


A falha tem a ver com a memória que é disponibilizada em cada equipamento. E ao que tudo indica, pode acontecer algo parecido como o que aconteceu há quase uma década em São Paulo, onde o estado teve problemas na telefonia por causa de uma falha no roteamento e ficou sem rede. 


No ano de 2014, o problema também afetou o Poupatempo.


"Os roteadores estouram a tabela e ficam malucos, não sabem para onde direcionar o tráfego. Embora grandes fabricantes tenham atualizado uma parte, não dá para garantir. Tem muito equipamento que não foi atualizado e pode sim parar serviços essenciais e dar prejuízos em sites de ecommerce e sistemas de logística que dependem da localização pela internet. Isso pode gerar prejuízo mais para empresas do que para pessoas", opina João Carlos Lopes Fernandes, professor do curso de Engenharia de Computação do Instituto Mauá de Tecnologia.


No entanto, Antônio Moreiras acredita que a possibilidade de problemas desta vez seja pequena. "Pode ter problema agora? Pode. Mas, se acontecer, vai ser muito menor. Nem esperamos que aconteça e essa questão mal tem sido levantada pelo pessoal técnico, mas é importante o alerta para quem não trocou o equipamento ou mudou as configurações", disse.


Quem poderá solucionar o problema? 


Operadoras, empresas e provedores são quem acompanham o possível problema e tentam amenizá-los antes que ocorra. Quanto ao usuário, a única coisa a se fazer é esperar e torcer para que seu provedor ou o responsável pelo site tenha tomado as providências necessárias para que a falha tenha sido evitada.


"A gente não pode fazer nada. Estamos na ponta da internet e são ajustes da área de engenharia de tráfego que sequer ficam próximos de nós", diz Filev. "Não tem nada a ver com roteador doméstico, então não precisa mexer em nada da sua casa", afirma Lopes Fernandes.


Será a última vez?


"Os roteadores hoje têm uma memória muito maior do que o tamanho dessa tabela. Eu diria que não tem mais um limite. Uma outra coisa é que está sendo feita uma transição para outro protocolo de internet que tem uma tabela mais separada e controlada, não precisa de tantos caminhos", conta Moreiras.


Issõ não significa que a internet vai funcionar sempre. Ainda há outras questões que grupos como o Nic.br tentam aprimorar na rede.


"Podem ter outros problemas, mas igual a esse deve ser a última vez, afirmou Antonio Moreiras.


(Com informações do UOL)

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