Pará

Hospital Oncológico Infantil realiza cirurgia inédita na região Norte

sábado, 20/04/2019, 12:16 - Atualizado em 20/04/2019, 12:36 - Autor: eu


Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, realizou pela primeira vez na região Norte, a cirurgia para o tratamento de tumores ósseos. A técnica conhecida como Frozen Bone, é uma alternativa para alguns tipos de tumor ósseo, após a quimioterapia.



Desenvolvido no Japão, o procedimento usa o nitrogênio líquido em uma temperatura abaixo dos 100 graus negativos para o congelamento do osso ou de parte dele atingida pelo tumor. Em seguida, o osso é mergulhado em água destilada para o descongelamento e a retirada do tumor, antes de ser reimplantado no paciente com ajuda de placas e parafusos.


Para o médico responsável pela equipe de ortopedia no Hospital Oncológico Infantil, Fernando Brasil, o resultado positivo da cirurgia será importante para a preservação da qualidade de vida do paciente que tem apenas 10 anos.


“Quando a cirurgia se torna a única opção para o tratamento, a gente sempre busca técnicas e alternativas que possam preservar o membro e a qualidade de vida do paciente. Nesse caso, tínhamos poucas opções de uma cirurgia preservadora e a substituição do osso por uma prótese seria incompatível com o potencial de crescimento que a criança tem. Optamos então por reciclar o osso no nitrogênio, preservando a vitalidade do membro”, disse Fernando. 



A cirurgia durou mais de cinco horas. Além da equipe de médicos, enfermeiros, anestesista e técnicos de enfermagem do Hospital Oncológico Infantil, o procedimento teve também a participação do médico ortopedista Marcelo Souza, do Hospital de Câncer de Pernambuco.


Especialista na utilização da técnica de congelamento ósseo, Souza explicou a complexidade do procedimento e os avanços para o tratamento de outros pacientes a partir da utilização da técnica.


“O hospital inicia uma importante curva de aprendizado com a realização desse primeiro procedimento. É uma técnica que, apesar de ter restrições de aplicação, é fundamental para preservar o potencial de crescimento e a qualidade de vida do paciente, principalmente, nos casos que envolvam crianças”, destacou Marcelo Souza.


Considerado raro e representando 2% do total de cânceres diagnosticados, o câncer ósseo possui um alto índice de mortalidade, atingindo, sobretudo, crianças, adolescentes e idosos. Por isso, o médico Marcelo Souza faz uma alerta sobre a importância do diagnóstico precoce.


“Em Pernambuco, este é o mês em que desenvolvemos a campanha Abril Amarelo para chamar a atenção da sociedade sobre a conscientização sobre os tumores ósseos. Assim, além de um diagnóstico precoce, o paciente pode ser encaminhado para tratamento em local adequado, dando a ele maiores possibilidades de cura”, complementou Souza.


Recuperação


Ao lado da mãe Luana Oliveira de Souza, o paciente Alan Vinicius, de 10 anos se recupera da cirurgia realizada há pouco mais de 10 dias, recebendo acompanhamento médico, fisioterapia e estudos, como já fazia antes do procedimento.


“Estou bem. Quase não sinto dor. Gosto da professora e das enfermeiras”, conta Alan entre um exercício e outro.



Para a mãe, os dias de recuperação também trazem um alívio pelo resultado da cirurgia inédita. “Por ele ser o primeiro, é claro que tive um receio, mas também não deixava de ter esperança, porque eu vi todo mundo do hospital se mobilizando para que a cirurgia fosse realizada. E hoje o sentimento que tenho é de gratidão e esperança que a gente possa seguir uma vida normal”, conta Luana, que tem acompanhado o filho durante os nove meses de tratamento.


Sobre o Hospital Oncológico Infantil


O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é uma unidade pública de saúde referência no tratamento e diagnóstico do câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos, na região Norte do país, com atendimento gratuito realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Com 89 leitos de internação, sendo 10 destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o hospital, em três anos, realizou mais de 800 mil atendimentos, entre eles 87.384 sessões de quimioterapia e 41.049 consultas, com média de 95% de aprovação dos usuários.


A unidade é gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa).


(Com informações da Agência Pará)

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