DEVOÇÃO

“O Círio está no coração de cada um”, diz paraense sobre viver a emoção do evento

A frase dita pelo açougueiro Augusto Lima resume bem o sentimento dos trabalhadores que atuam no Ver-o-Peso diante de um Círio sem romarias e com muita fé

sábado, 10/10/2020, 08:12 - Atualizado em 10/10/2020, 08:12 - Autor: Alexandra Cavalcanti


Luis Claudio
Luis Claudio | Celso Rodrigues

A área do Ver-o-Peso é caminho de duas das principais procissões, tanto no domingo do Círio quanto a Trasladação, no sábado. Este ano, porém, com o cancelamento de ambas por conta da pandemia, os trabalhadores locais estão encontrando formas de manter o espírito da maior festa religiosa do Pará e, ao mesmo tempo, preservar as histórias de fé e de devoção desse espaço.

Danilo Costa trabalha há mais de três décadas no Mercado de Carne como açougueiro. Em seu box, ele faz questão de manter cartazes com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, segundo ele, uma forma de se sentir protegido. “Eu me sinto muito abençoado todos os dias por ela. Só o fato de estar vivo, trabalhando e com saúde, já é motivo de sobra para agradecer”, afirma.

Na maioria das vezes, ele aguarda a passagem da imagem da santa pelo local, na frente do Mercado de Carne. “Costumamos nos reunir para fazer isso. Este ano, infelizmente não será possível. Vou ficar em casa com a minha família, onde vamos fazer o almoço do Círio”, conta.

Danilo Costa
Danilo Costa Celso Rodrigues
 

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Logo na entrada do Mercado, pode ser vista uma imagem de Nossa Senhora que está lá há cerca de cinco anos para receber quem chega ao local. “Ela faz nos sentirmos protegidos, porque qual a mãe que não protege seu filho?”, diz o açougueiro Augusto Lima. “O Círio está no coração de cada um, por isso ele pode acontecer em casa, ou em outro local, o importante é manter a fé”, diz.

Augusto Lima
Augusto Lima Celso Rodrigues
 

Todos os anos, ele mantém a tradição de assistir à passagem da imagem da santa na avenida Presidente Vargas, esquina com a Serzedelo Correia, mas este ano, a programação será outra. “Vou ficar em casa com a família, participando do almoço do Círio”, conta.

Questionado se já recebeu alguma graça por intermédio de Nossa Senhora, ele é enfático. “Todos os dias. Só de ter passado por essa pandemia e estar aqui trabalhando já é um grande milagre”, acredita.

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O feirante Luís Claudio Câmara também diz se sentir abençoado todos os dias pela Virgem de Nazaré, por isso não perde a oportunidade de pedir proteção a ela sempre que encontra uma imagem pelo caminho. “Por mais difícil que seja, procuro manter a minha fé e pedir proteção para ela sempre”, contou.

O peixeiro Paulo Souza trabalha há mais de quatro décadas na Pedra do Peixe e diz que a passagem da imagem de Nossa Senhora pelo local, durante as procissões do Círio e da Trasladação, funciona como uma bênção e proteção para os trabalhadores do lugar. “Para nós isso é muito importante, mas como não teremos isso esse ano, vou ficar em casa com a minha família esperando ser abençoado por ela da mesma forma”, conta.

Homenagem no Mercado de Peixe

Flávio Araújo
Flávio Araújo Celso Rodrigues
 

Quem entra no Mercado de Peixe do Ver-o-Peso se depara com duas imagens de Nossa Senhora de Nazaré. Todos os anos, os trabalhadores do local se reúnem para prestar homenagens a Nossa Senhora. Além da ornamentação das imagens ocorre uma queima de fogos. Este ano, mesmo sem as procissões oficiais, as tradições estão sendo mantidas.

“Uma das imagens já está aqui há mais de 10 anos e procuramos manter, mesmo com esse Círio diferente”, explica o peixeiro Flávio Araújo, que há mais de 10 anos trabalha no local. Segundo ele, a Festa de Nazaré tem um significado especial para quem trabalha no espaço. “Para se ter uma ideia, o Mercado só fecha três vezes no ano, durante o Círio, no Natal e Ano Novo, porque essas são datas muito importantes”, disse.

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