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SITUAÇÃO ESTÁ MAIS GRAVE

Sem isolamento, mortes chegarão a 5 mil por dia, diz médico

A declaração do especialista vem na mesma semana em que Bolsonaro criticou novamente as medidas de isolamento no combate ao vírus.

quarta-feira, 07/04/2021, 20:11 - Atualizado em 07/04/2021, 21:02 - Autor: Com informações do Valor Econômico


Dimas Covas atribuiu o aumento do número de casos com a falta de organização em administrar medidas de isolamento social no País
Dimas Covas atribuiu o aumento do número de casos com a falta de organização em administrar medidas de isolamento social no País | Reprodução

O médico e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que as mortes por covid-19 podem chegar a cinco mil por dia no país, caso medidas mais restritivas não sejam tomadas pelo governo. A declaração do especialista vem na mesma semana em que Bolsonaro criticou novamente as medidas de isolamento no combate ao vírus.

Em entrevista para o portal Valor Econômico, Dimas Covas declarou acreditar que abril vai ser um mês dramático para o Brasil.

"Os próximos 15 dias serão muito dramáticos. Há uns 20 dias, parece que ninguém imaginava que iríamos chegar à casa dos 3 mil mortos por dia. E então cruzamos a casa dos 2 mil, já passamos na casa dos 3 mil, estamos indo para os 4 mil e vamos chegar a 5 mil mortes por dia", disse em conversa por telefone.

Ele atribuiu o aumento do número de casos com a falta de organização em administrar medidas de isolamento social no País. “Um estado toma uma medida aqui, um município toma uma medida ali. Não há uma coordenação, não há uma política geral para o país. Essas medidas podem contribuir para uma estabilização, uma diminuição regional, mas no conjunto o aumento tem sido consistente. Se você tivesse o poder mágico de colocar toda a população por 14 dias dentro de casa, a pandemia acabaria", afirmou.

Ele ressaltou, ainda, a lentidão em que a população é imunizada. Até o meio do ano você vai ter uma vacinação provavelmente de quem tem mais de 60 anos e provavelmente pode avançar um pouco mais na faixa dos 50 anos, incluindo também outros profissionais em risco. Estamos falando de 40 ou 50 milhões de pessoas. E 100 milhões de doses de vacinas", afirmou o diretor do Butantan.

Covas alegou que conseguir um número grande de vacinas em pouco tempo não é fácil. Segundo ele, o Ministério da Saúde está com dificuldades de adquirir vacinas não só do Butantan, mas do mundo todo.

Com a campanha de vacinação da gripe comum, a produção de doses entregues contra a Covid-19 deve ser de 10 milhões, menos que a metade entregue em março. Uma segunda fábrica da Sinovac, responsável pelo desenvolvimento da vacina CoronaVac em parceria com o Instituto Butantan, será inaugurada em maio, na China. Em previsão otimista, a filial pode acelerar a chegada de matéria-prima ao Butantan.

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