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Entenda qual o real interesse de França, Alemanha e EUA no desmatamento da Amazônia

sábado, 24/08/2019, 22:04 - Atualizado em 24/08/2019, 22:52 - Autor: Fonte: Movimento Revolucionário de Trabalhadores


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Soja. Acordo União Europeia e Mercosul. China. EUA. Entenda em três pontos o que está por trás do discurso das potências sobre o desmatamento na Amazônia. E não, nenhuma está pensando em preservação ambiental.

1. Guerra comercial Estados Unidos e China

Um dos principais fatores materiais que movem a crise ambiental brasileira é a postura do Brasil em meio à guerra comercial entre Donald Trump e Xi Jinping.

O agronegócio brasileiro vê na guerra comercial entre as duas principais potências mundiais uma janela de oportunidade para a exportação de grãos para a China. Isso porque este país aplicou altas tarifas à importação de soja dos EUA, em represália às tarifas que Trump aplicou contra a China.

Com o grão norteamericano mais caro, a China decidiu comprar o produto do Brasil. Com isso, o Brasil se tornou o maior exportador de soja para China – e do mundo. Em 2018, o primeiro ano da guerra comercial, as exportações brasileiras para a China cresceram 35% na comparação com 2017, gerando uma balança comercial positiva para o Brasil em US$ 30 bilhões. A soja foi a maior beneficiada, com uma exportação adicional de US$ 7 bilhões para a China, na comparação com 2017.

As queimadas criminosas promovidas por movimentos ligados ao agronegócio desejam expandir a fronteira sojeira, especialmente no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, cujo aumento exponencial, feito em base à destruição do meio ambiente, busca aumentar as plantações de soja para prosseguir vendendo à China.

2. Conflito entre os interesses europeu e o agronegócio brasileiro

Macron, assim como Trump, busca proteger os negócios de seus monopólios nacionais. Algumas das empresas que mais desmatam a floresta amazônica são francesas: os bancos Crédit Agricole (maior banco varejista da França) e o BNP Paribas, estão vinculados ao desmatamento, segundo relatório da Amazon Watch. Empresas como Guillemette & Ciee Groupe Rougier recebem regularmente toneladas de madeira da empresa brasileira Benevides Madeiras, segundo o mesmo relatório. A francesa Dreyfuss também tem altos negócios na Amazonia. Assim como os Estados Unidos, a França e a Alemanha não desejam ver seu terreno de exploração eliminado em função do agrobusiness brasileiro.

3. Disputa entre França e Alemanha no acordo com o Mercosul

Outro conflito inscrito na crise amazônica ocorre entre a França e a Alemanha acerca do recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Este acordo entre o Cone Sul da América Latina e as potências europeias, entretanto, não as favorece por igual. Os principais ganhadores seriam os exportadores de veículos alemães, que teriam tarifas zeradas para o escoamento da produção automotriz. Já a França seria consideravelmente prejudicada em seu setor agrícola, que veria a entrada sem tarifas dos produtos agrícolas brasileiros aos mercados europeus que ora domina.

A política agrícola é um dos pilares da integração da União Europeia e é fundamental para a França. São os franceses que conduzem a agricultura para o restante do continente. Além da França, a Irlanda também exigiu insistentemente no último período para que a União Europeia não fosse tão generosa no setor agrícola, especialmente o de carnes, nesse acordo. O acordo vai na contramão dessas exigências: inclui uma cota anual de 99 mil toneladas de carne com tarifas reduzidas.

Por isso o presidente francês ameaça o cancelamento do acordo, usando a crise amazônica provocada pela sede capitalista de Bolsonaro como álibi. Macron busca atender os interesses do agronegócio francês, que não deseja a entrada de produtos brasileiros com maior facilidade na Europa, sem com isso diminuir os acordos de exploração do Cone Sul. Assim também o primeiro ministro da Irlanda, Leo Varadkar, anunciou que “diante dos acontecimentos” vai bloquear a implantação do acordo.

A Alemanha, por sua vez, defende a manutenção do acordo comercial, em vista do cenário caótico de sua economia, que apresenta fortes sinais recessivos devido à retração do comércio mundial (efeito do atrito entre EUA e China), que deprime sua produção industrial, altamente dependente das exportações. O capital alemão precisa de novas zonas de escoamento de sua produção, que não pode depender tanto da China e da UE em crise.

Este conflito ainda está em curso e não tem um final estabelecido.

 

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