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Gerson Nogueira

Nova aposta azulina é tema da coluna de Gerson Nogueira

quinta-feira, 13/06/2019, 09:34 - Atualizado em 13/06/2019, 09:34 - Autor:


Leão faz aposta de risco


Q ue o time do Remo carece de um jogador de referência na grande área, não há dúvida. Que Emerson Carioca não tem o perfil adequado para a função, idem. O mercado brasileiro mostra-se particularmente árido quanto à oferta de jogadores de ataque. O clube tentou por dois meses contratar um camisa 9. Chegou a encaminhar a aquisição de Daniel Magrão, mas o negócio não vingou.


Com a aproximação do fim do prazo para inscrição de atletas no Brasileiro, a saída foi fechar negócio com um nome já conhecido do torcedor paraense com passagem mais do que discreta pelo PSC.


Marcão, que jogou pelo Papão na Série B 2017, já está em Belém e deve ser anunciado hoje pela diretoria azulina. É a alternativa encontrada para solucionar a carência remista de gols na Série C. Apesar da campanha quase impecável, com 15 pontos ganhos em sete rodadas (média superior a 2 pontos por rodada), o Remo sofre com a escassez ofensiva.


Aos 33 anos, o futebol do baiano Marcão é lembrado positivamente pelo período em que foi o goleador do Atlético Goianiense, assinalando 29 gols entre 2008 e 2012. Ainda em 2012, esteve em bom nível com a camisa do Atlético-PR, marcando 12 tentos.


A partir daí, porém, veio a fase descendente, com passagens apagadas pelo América-MG, Bahia, Figueirense, CRB, Goiás, Guarani e Botafogo-SP. Nesta temporada, o centroavante jogou 11 partidas e balançou as redes seis vezes, pelo São Luiz no recente certame gaúcho.


No PSC, foi titular em 28 partidas, marcando apenas quatro gols. Era praticamente um volante, pois recuava o tempo todo para ajudar a marcar dentro d esquema defensivo usado pelo time para tentar fugir da zona mortal.


Sempre elogiado pela disciplina tática, Marcão fracassou ao não cumprir a tarefa para a qual foi contratado. Conhecido pela facilidade para o cabeceio, teve sua contratação aprovada pelo técnico Márcio Fernandes por absoluta falta de outras opções.


Terá a árdua missão de dar ao ataque do Remo a consistência que faltava desde a disputa do Campeonato Paraense. Em termos de equipe, a entrada de Marcão implicará em rearrumação tática, além da mera substituição de Emerson Carioca no centro do ataque.


Apesar de ter características que vão além da presença na área, Marcão precisará de tempo para ganhar entrosamento e se adaptar ao perfil dos jogadores que integram o sistema ofensivo remista.


Mesmo que o encaixe seja tranquilo e imediato, Marcão é uma aposta de risco. Nem tanto pela idade, mas pela evidente queda de rendimento. Lutará, ainda, contra a sina de insucessos recentes de jogadores que trocaram de lado entre os grandes rivais do Estado.


O desafio de corrigir a rota em pleno voo


Dirigentes e torcida do PSC não gostam quando alguém descreve como caótica a situação atual, mesmo com a campanha decepcionante na Série C após perda do Estadual, mesmo com o mau rendimento de boa parte do elenco contratado para a temporada e com a óbvia dificuldade da escolha de técnicos – Hélio dos Anjos é o terceiro 
técnico em cinco meses.


Detalhe: no dia 1º de abril, o PSC tinha 73% de aproveitamento e era um dos três times invictos do país. O que levou à derrocada? No futebol, como se sabe, nunca há uma causa apenas para a débâcle.


Reinventar a métrica e reconstruir a narrativa, cuidando de corrigir erros pontuais, é o caminho para recolocar a nau alviceleste em condições de brigar novamente pela classificação na Série C.


A contratação de um atacante – Wesley Pacheco – que não faz gols há mais de um ano não parece a melhor decisão possível a esta altura do campeonato. Caberá ao jogador, que atuou bem sob o comando de Hélio dos Anjos, saber conquistar o 
ressabiado torcedor bicolor.


Não há muito tempo a esperar. Na próxima rodada, contra o Luverdense em Belém, o PSC já terá que mostrar cara nova e ânimo diferente do que foi visto até aqui. Mesmo dirigido pelo auxiliar técnico (o técnico viajará para compromisso particular fora de Belém), o time terá a vitória como obrigação.


Artilharia norte-americana impressiona e assusta


A Copa do Mundo feminina tem mostrado ataques avassaladores. A esquadra norte-americana mostrou alto teor de letalidade anteontem, sapecando um histórico 13 a 0 sobre a ingênua Tailândia, em atuação particularmente inspirada da jovem centroavante Alex Morgan – aposta da coluna desde antes do Mundial.


Morgan fez cinco gols, disparou na artilharia e mostrou qualidades excepcionais, como o fabuloso controle de bola, a velocidade e o talento para fintas rápidas dentro da área. Um de seus gols pode ser considerado o mais bonito da competição até agora.


Recebeu lançamento, deu um ligeiro toque na bola, encobrindo uma zagueira e mandou um tiro na gaveta da meta tailandesa. Gol de gente grande.


Houve quem reclamasse das comemorações norte-americanas contra oponente tão desamparado. Ora, vitórias devem ser festejadas sempre. Excesso de suscetibilidades soa hipócrita.


De minha parte, prefiro torcer para que brasileiras e ianques não se cruzem tão cedo na Copa.


 

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