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Pandemia devasta financeiramente o futebol mundial

quarta-feira, 08/07/2020, 10:03 - Atualizado em 08/07/2020, 10:10 - Autor: Gerson Nogueira


Jornalista ainda mostra as movimentação do futebol local e opinião sobre o eterno craque Juninho Pernambucano
Jornalista ainda mostra as movimentação do futebol local e opinião sobre o eterno craque Juninho Pernambucano | Reprodução

O mundo virou de pernas pro ar nos últimos 100 dias, com perdas financeiras incalculáveis em todas as áreas de atividade. O futebol não é exceção e, como espetáculo, tem a dependência natural da presença de público pagante e consumidor. Nem mesmo os gigantes europeus abrem mão das receitas geradas pelo comparecimento de torcedores aos estádios.

Notícias veiculadas pela mídia espanhola indicam que a pandemia pode acarretar perdas de até 3,8 bilhões de euros (3,90 bilhões de dólares ou R$ 15,3 bilhões). O cálculo é da European Club Association (ECA), que representa mais de 700 agremiações de todas as divisões profissionais das 55 federações do continente.

A projeção indica que os prejuízos serão sentidos na próxima temporada, mas causam estragos desde já. O impacto financeiro tem o efeito de um abalo sísmico para as finanças, mesmo com a maioria das competições em andamento. Há, por esse motivo, a preocupação em criar uma indústria do futebol mais sustentável a médio e longo prazo.

O reinício das competições cumpre contratos de patrocínio, publicidade e transmissão pela TV, mas deixa em aberto o que seria auferido com a venda de tíquetes. O estudo aponta perda inicial de 1,3 bilhões de euros em 2020 e mais de 2,5 bilhões em 2021, pelos prejuízos com bilheteria.

Desdobrando esse cenário para o futebol paraense, que está a léguas de distância do dinheiro movimentado no Velho Continente, mas que depende desesperadamente dos recursos advindos de cobrança de ingressos, as perdas são igualmente devastadoras.

A dupla Re-Pa, que tem na força das torcidas uma importante viga de sustentação, vai deixar de faturar com a comercialização de entradas para os jogos como mandantes (contando semifinais e finais) do Campeonato Estadual. Cada clube poderia arrecadar R$ 1,7 milhões, levando em conta rendas de R$ 200 mil na fase classificatória, R$ 500 mil na semifinal e R$ 1 milhão na decisão.

Compensar a ausência de público é o desafio das diretorias e o trabalho terá que ser desenvolvido ainda em julho, antecipando-se à reabertura do Parazão. Tanto Remo quanto PSC se empenham em projetos de marketing que visam atrair o torcedor numa espécie de corrente solidária.

Essas iniciativas permitirão atenuar o impacto das perdas, mesmo que em valores obviamente modestos. A venda de ingressos virtuais e sorteios de prêmios para sócios torcedores são alguns dos planos em vista, dentro do que é possível fazer.

Juninho: um raio de consciência em meio à alienação

Em entrevista ao The Guardian, de Londres, Juninho Pernambuco confirma que continua craque, mesmo fora de campo. “O establishment no Brasil não tem empatia e quer que nós não tenhamos também. A elite [econômica brasileira] não entende o tamanho das desigualdades financeiras no país que, se aumentarem, causarão violência. Estamos assistindo isso se desenrolar agora”, disparou sobre as desigualdades sociais que se perpetuam no Brasil.

Estamos tão desacostumados com vozes inquietas, como Afonsinho e Sócrates, que soa estranho ouvir um ex-jogador de futebol do Brasil preocupado com tais assuntos. Esclarecido e politizado, Juninho não foge de nenhum tema importante. Tudo é urgente e necessário.

Observa, emocionado, segundo a reportagem, que o Brasil faz “tudo errado” quanto à pandemia. “Sinto uma profunda tristeza. Eu sou brasileiro, sei que somos um país pobre e nosso pessoal precisa trabalhar, mas isso (isolamento social para conter o vírus) é uma questão de saúde. Se tivéssemos um lockdown, poderíamos estar perto do fim disso, mas não”.

Sobre o racismo que campeia no país, Juninho foge das costumeiras passadas de pano de Pelé, Ronaldo Fenômeno, Neymar e outros, que sempre se esquivam de manifestar posicionamento mais contundente.

“Há milhares de George Floyds no Brasil”, diz Juninho, referindo-se ao caso do segurança negro, morto asfixiado por um policial branco nos Estados Unidos, desencadeando uma onda de protestos pelo mundo.

O ex-meia do Vasco admite sofridos embates domésticos pelas posições sempre fortes sobre o cenário político no país. Por isso, parou de falar com 90% dos familiares. “Bolsonaro é um filhote do WhatsApp e das fake news. As pessoas que o apoiavam eram maioria e foi minha decisão me afastar delas”, revelando a rinha comum a muitas famílias brasileiras.

Na entrevista, Juninho fez questão ainda de destacar a importância dos programas de combate à fome tocados pelo ex-presidente Lula e as políticas inclusivas executadas durante o governo Dilma.

A matéria do The Guardian foi publicada ontem e deveria ser lida com especial atenção pelos boleiros alienados, quase nenhum deles preocupado com os problemas que incomodam a Juninho.

Um reforço que o Remo ainda não estreou no Parazão

Um jogador em especial aguarda ansiosamente pelo reinício do Campeonato Paraense. É Dudu Mandai, lateral-esquerdo contratado pelo Remo no começo do ano, por indicação do ex-técnico Rafael Jaques. Pela boa participação na Série C 2019 pelo São José-RS, chegou credenciado como grande reforço para uma posição costumeiramente carente.

Ocorre que uma lesão na coxa esquerda atrapalhou os planos do jogador, que tem 27 anos. Jogou os amistosos preparatórios, mas se contundiu na pré-temporada, em Salinas, e não conseguiu voltar a jogar durante a fase de classificação do Parazão.

Já recuperado e pronto para assumir a titularidade, Mandai mostra preocupação em compensar o clube e satisfazer as expectativas da torcida. O ponto crucial é que o técnico Mazola Jr. apoiou sua permanência no clube, o que é fundamental para o processo de recuperação do atleta.

De características ofensivas, Mandai pode ser um importante reforço para o esquema de aproximação dos setores de meio e laterais com o ataque azulino. Em comparação com o antigo titular, Ronaell, leva a vantagem de ser mais veloz e efetivo nos cruzamentos.

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