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ESPORTE

O goleador remista ainda não chegou

terça-feira, 09/07/2019, 10:46 - Atualizado em 09/07/2019, 10:45 - Autor: Gustavo Dutra


| Fernando Araújo

Desde que o ataque parou de funcionar, o Remo mergulho numa fase negativa na Série C. Sem os gols, o time sofre para obter empates e não consegue reverter a situação quando o placar é desfavorável. Foi assim contra S. José e PSC, as duas derrotas azulinas na competição, marcadas pela incapacidade de mudar a cara do jogo diante do mau resultado.

O curioso é que o sistema de jogo desenvolvido pelo Remo exigia a presença de um atacante de referência na área. O jogador foi contratado, mas a carência persiste, o goleador ainda não chegou. Marcão Assis veio para assumir a camisa 9. Não entrou de cara contra PSC e Boa Esporte, mas foi lançado contra o Juventude.

Para quem esperava uma nova atitude por parte do setor ofensivo, o cenário mostrou-se ainda mais frustrante. Ao longo da partida, apesar da insistência em fazer a bola chegar até a área, o Remo não conseguiu produzir jogadas que se enquadrassem no estilo do centroavante.

Marcão não é um centroavante-raiz, do tipo que briga fisicamente com as defesas inimigas. Alto e magro, adapta-se mais ao jogo rápido de infiltrações e passes dentro da área. Talvez venha a se sentir à vontade no esquema que Márcio Fernandes utiliza, mas, para isso, o Remo precisará utilizar jogadores que saibam integrar Marcão ao jogo na área.

Carlos Alberto e Guilherme Garré têm estilos que contemplam esse perfil. São habilidosos, rápidos e sabem fazer o chamado facão, cortando caminho em direção à área. Carlos Alberto era quem mais podia ter ajudado Marcão no jogo de sábado, mas foi substituído (por Emerson) no intervalo, em nome de uma presença mais robusta na linha ofensiva.

Ao acrescentar força ao ataque, o técnico tirou a opção da leveza e das jogadas de habilidade, que poderiam favorecer Marcão. Por ora, sua presença pouco acrescentou ao time. Se as jogadas não fluírem, dificilmente ele será o goleador esperado pela torcida.

Papão faz opção preferencial pelo Mangueirão

No Bola na Torre de domingo, Guilherme Guerreiro informou que o PSC decidiu que a partir do jogo com o Volta Redonda, no dia 22 deste mês, voltará a mandar suas partidas no estádio Jornalista Edgar Proença. Razões de natureza técnica e anímica levaram a essa decisão.

Os jogos na Curuzu não têm cumprido a finalidade de atrair mais público e ainda geram ocorrências lesivas ao clube quando os resultados são desfavoráveis, com a torcida atirando objetos e protestando agressivamente.

No aspecto técnico, a mais recente atuação do time no Mangueirão resultou em empate diante do Luverdense, significando que em qualquer campo a qualidade do futebol é que poderá fazer a diferença.

Uma guerreira de verdade jamais se curva

A simpatia que jogadores de futebol costumam demonstrar por autoridades e chefes de governo é um dos aspectos mais reveladores do baixo nível de politização, educação e consciência do universo boleiro masculino. Não é só no Brasil. Verifica-se a constrangedora ocorrência de salamaleques e babação de ovo em quase todos os países. Sócrates e Cantona são exceções que confirmam a regra. Só isso já serviria para colocar em evidência um saudável exemplo que vem da América – e do futebol feminino.

No Mundial encerrado no domingo, em Lyon, na França, a campeã e melhor jogador do torneio, Megan Rapinoe, ergueu a taça, vibrou muito com a torcida e as companheiras. Nenhuma palavra ou gesto de simpatia ou subserviência em relação ao poder político, ao chamado stablishment. Megan, aliás, avisou que não iria à Casa Branca em caso de triunfo.

Sempre focada na defesa de causas sociais, comportamentais e das minorias, Megan não canta o hino americano antes dos jogos. Não é raivinha besta. Faz isso para não misturar as estações e por se considerar uma militante em tempo integral. Homossexual assumida, seu discurso é pelos despossuídos e pelos que não têm posição política dominante. No Brasil de hoje seria execrada pelos bárbaros.

Já chamou Donald Trump de sexista, burro, misógino e racista. Foi censurada por ele, que resolveu misturar alhos com bugalhos, alegando que ela desrespeitava a pátria americana. Megan se manteve firme. Ao ganhar o tetra mundial, deixou claro que não se curvaria às diatribes do presidente. “Ele representa o oposto de tudo o que eu penso”, disse.

Palavras corajosas que o mundo masculino do futebol ainda não consegue pronunciar quando a situação exige. Antes da entrega das premiações aos campeões na França pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, a torcida começou a cantar “equal pay” (salários iguais), espécie de mantra repetido por Megan nos últimos anos, criticando a defasagem de ganhos entre homens e mulheres no futebol americano.

Na Copa, a reivindicação se estendeu à diferença de premiação às seleções – R$ 400 milhões na Copa masculina e R$ 30 milhões na feminina. Pedra no sapato dos poderes que controlam o futebol, Megan terá seu papel devidamente reconhecido quando as mudanças se confirmarem daqui a algum tempo.

Que mulher!

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