PERCEPÇÃO INDIVIDUAL

Ressaca é muito pior aos 20 anos e não piora com a idade, defende professor

POSTADO EM: Sábado, 28/04/2018, 20:41:10
ATUALIZADO EM: 28/04/2018, 20:41:10

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Reprodução/Instagram Vera Holtz

O doutor e professor da Universidade de Salamanca, David Rodríguez, explicou algo que é tema entre quase todos os ‘bebuns’: os efeitos da ressaca ao decorrer da idade. Em seu livro “Alcohol y Cerebro” ele diz que ‘não há razão para alguém dizer que as ressacas pioram com a idade porque as “piores ressacas” acontecem ainda em idades jovens”.

EXPLICAÇÃO

Rodríguez defende que o álcool afeta muito mais, e de forma unânime, quando somos mais jovens. Principalmente antes dos 21 anos, uma vez que a bebida é apreciada muito depressa e, consequentemente, os efeitos ficam mais desagradáveis.

"Notam os efeitos do prazer muito depressa, mas os efeitos desagradáveis (como as náuseas por beber demais, por exemplo) aparecem nas doses mais altas”; ou seja, da feita que o ‘prazer’ da bebida é notado, os jovens acabam bebendo uma quantidade mais elevada de álcool.

(Foto: Reprodução/Internet)

FORMA DE BEBER

A forma de beber também foi citada pelo professor. Ele diz que aderir ao ‘binge drinking’ - ‘bebida numa arrancada’, que consiste em tomar uma grande quantidade de álcool em pouquíssimo tempo e só duas vezes por semana -, implica em uma ressaca ‘de outro mundo’.

O motivo seria a tendência dessa ‘modalidade’ de bebida cada vez mais comum entre os jovens. O quadro, porém, passa a ser diferente a partir dos 35 anos, já que as pessoas nessa idade tendem a beber por mais dias durante a semana, mas quantidades menores a cada vez que o fazem.

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(Foto: Reprodução)

ORGANISMO

Rodríguez rebateu a ideia de que o álcool é metabolizado mais lentamente a partir dos 30 anos, mesmo com artigos defendendo o fato. Ele explica que, ainda que a quantidade de gordura “pode influir nos efeitos do álcool” - gordura não absorve o álcool, então pessoas com proporção maior de gordura do que água no corpo ficam bêbadas e com ressaca mais facilmente -, não há diferenças significativas por idade.

"A metabolização do álcool é realmente pior nas mulheres pela ausência de uma enzima do estômago. Também é mais difícil para muitos asiáticos. E há diferenças entre indivíduos: há pessoas que o metabolizam mais depressa, mas a idade só influiria no caso de pessoas muito velhas, já que nessa fase o fígado está “mais cansado”.

"PERCEPÇÃO INDIVIDUAL"

Por fim o professor e autor atribui a crença da “ressaca pior aos 35” como uma percepção individual. Principalmente porque quem reclama de ressaca hoje, em geral, não procura comparar o quanto bebia quando mais novo.

"Não estamos comparando doses que tenhamos medido de forma confiável, mas comparamos a lembrança de quando tínhamos 20 anos com outra lembrança mais recente”.

(Com informações do El País Brasil)

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