MANIFESTAÇÃO

Caminhada em Belém pede paz e justiça

POSTADO EM: Sexta-Feira, 11/01/2019, 07:30:37
ATUALIZADO EM: 11/01/2019, 07:30:37

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Fernando Araújo/Diário do Pará

No dia em que completou 14 anos da morte do jovem Gustavo Russo, assassinado com sete tiros enquanto era refém de um assaltante, dezenas de pessoas que também perderam familiares para a criminalidade se uniram, ontem à tarde, em caminhada por algumas ruas do bairro do Marco, em Belém, para pedir paz e justiça.

Com cartazes nas mãos, camisas com os nomes e rostos das vítimas, os manifestantes seguiram da travessa Chaco até a travessa Mauriti. Ao longo do trajeto, discursos de luta, dor, esperança e justiça eram feitos, além de louvores e orações que também emocionavam os participantes.

O encontro foi organizado pelo Movimento Pela Vida (Movida), fundado por Iranilde Russo, mãe de Gustavo, que desde a morte do rapaz mobiliza a caminhada. “Não podemos deixar morrer a esperança de um mundo melhor. Infelizmente, a sociedade ainda não conseguiu atingir esse sonho. Mesmo assim, não vamos parar. A paz e a justiça ainda são o melhor caminho”, disse Iranilde. 

Outro sentimento que brada em alguns familiares de vítimas é a revolta. Nazareno Lobato, de 56, não se conforma por ter perdido três parentes: mãe, irmã e neta.

O primeiro caso ocorreu em 2007, quando a mãe e a irmã do microempresário foram atropeladas. Em 2014, a neta de apenas oito anos foi torturada, estuprada e morta, juntamente com a amiga, no bairro do Tenoné. Segundo ele, em nenhum dos casos houve punição dos acusados.

“O sentimento é de revolta, de um Brasil que a gente não merece que não respeita seus filhos. Apesar de tudo, ainda acredito que um dia verei os responsáveis pelas mortes da minha neta, irmã e mãe serem punidos”, disse.

Durante a caminhada que foi regada pela chuva, mas não afastou os manifestantes, a técnica de enfermagem Sandra Printes, 63, estava emocionada. Há dois anos e cinco meses, a filha do meio, Alessandra Paes, 37, morreu vítima de erro médico.

Segundo a mãe, o caso ainda está é investigado. “A saudade não passa. Para mim, parece que foi ontem. Dói demais perder uma filha”, lamentava. Alessandra trabalhava como operadora de call center e morreu durante uma lipoaspiração. Ela deixou dois filhos.

Já Gustavo Russo foi feito refém por Lucivaldo Cunha Ferreira, que fugia da polícia, estava disfarçado de PM e também foi morto. O crime aconteceu no bairro do Marco. O carro onde eles estavam foi atingido por 22 tiros, sete acertaram o jovem que trabalhava como promotor de eventos.

Todos os disparos foram feitos por policiais militares. Até hoje a família de Gustavo não recebeu a indenização do Estado por danos morais. Os policiais envolvidos no caso foram absolvidos pela Justiça.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)



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