SEM ZELO

Abandono da Aldeia Amazônica preocupa moradores e foliões

POSTADO EM: Quinta-Feira, 10/01/2019, 07:51:16
ATUALIZADO EM: 10/01/2019, 07:51:16

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Ricardo Amanajás

Com o Carnaval se aproximando, a Aldeia Amazônica, na avenida Pedro Miranda, bairro da Pedreira, em Belém, espaço que tradicionalmente recebe as escolas de samba da capital, encontra-se totalmente abandonada. O lugar usado para manifestações culturais, principalmente festas carnavalescas,
ainda sofre com o descaso.

A situação mais precária refere-se às arquibancadas usadas pelo público que acompanha os desfiles das escolas. Além de algumas ferragens dos pilares de sustentação expostas, a estrutura encontra-se totalmente inadequada para receber os foliões. Telhados quebrados, estruturas metálicas desgastadas devido à ação do tempo, paredes pichadas, muito lixo e entulho jogados em
baixo das arquibancadas.

As calçadas no entorno do espaço também estão em péssimas condições. Em vários trechos, os buracos tomam conta, tornando-se um risco pra quem passa pelo local. Para Emília Sena, 43, que tem um ponto de venda de lanches na área, a situação é lamentável. Segundo a vendedora, o espaço foi invadido por pessoas em situação de rua que arrombaram os portões que dão acesso às arquibancadas.

“É muito triste ver a situação de um espaço tão importante para nós. Eu que tiro meu sustento da venda de salgados sofro com a falta de clientes, principalmente nessa época de carnaval, onde deveria ter bastante movimentação por conta do desfile”, reclamou.

(Grades de proteção estão enferrujadas. Já sem tinta e/ou com a base quebrada - Foto: Ricardo Amanajás)



PROMESSA

A Prefeitura de Belém anunciou em dezembro do ano passado que os desfiles das escolas de samba voltariam para a Aldeia Amazônica, uma vez que em 2018 o local escolhido foi a avenida Marechal Hermes, no bairro do Umarizal. Comunicou também que faria uma reforma no espaço.

Morador da Pedreira há 20 anos, Lucivaldo Barbosa, 42, relata que nenhuma esquipe esteve no local fazendo levantamento para reforma da estrutura, mas que ainda tem esperanças que isso ocorra antes do carnaval. “Estávamos esperando essa semana pelo início das reformas, mas até agora ninguém apareceu. Apenas uma equipe de trabalhadores realizou o serviço de capinação”, acusou.

 

(O lixo se acumula perto das escadas - Foto: Ricardo Amanajás)

PREOCUPAÇÃO

Para os carnavalescos, o momento é de apreensão, já que, segundo eles, da forma como o espaço está, é impossível realizar o desfile. O presidente da Escola de Samba da Matinha, Rodolfo Trindade, diz que o presidente da Fundação Cultural de Belém (Fumbel), Fábio Atanásio, prometeu, em uma reunião com os representantes das agremiações, realizar reparos estruturais no local, principalmente no piso, calçadas, camarotes e arquibancadas.

Mas a menos de dois meses para o carnaval, a incerteza continua. “Estamos acreditando na promessa da Fumbel, do jeito que está é que não pode ficar, senão não terá carnaval”, afirmou Trindade. Ele lembra que a própria Prefeitura declarou que não há Plano B para o carnaval deste ano e que a Aldeia Amazônica é o único local pensado para o evento.

(Colunas de sustentação já perderam concreto - Foto: Ricardo Amanajás)

 

(Wesley Costa e Leidemar Oliveira/Diário do Pará)



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