MISTÉRIO CONTINUA...

Quem matou 'Senhorita Andreza'? Quase dois anos depois, Polícia não sabe dos assassinos

POSTADO EM: Quinta-Feira, 06/12/2018, 11:10:21
ATUALIZADO EM: 06/12/2018, 11:34:24

zoom_out_map
Reprodução

Em janeiro de 2016 passou a circular o vídeo de uma garota convidando a todos para uma festa regada a bebida, drogas e, claro, sem a 'intromissão' da polícia.

Andreza Ariani Castro de Sousa, a 'Senhorita Andreza', teve uma trajetória curiosa com apenas 22 anos de idade. De uma simples moradora da periferia do bairro da Cabanagem à candidata a vereadora do partido PCdoB, a jovem do conhecido bordão "sem embaçamento" atraiu a atenção de todos, ganhando simpatia de muitas pessoas e provocando repulsa em tantas outras.

"Vamo beber um chopp, cheirar uma 'coca' na manha, sem embaçamento. É... Sem embaçamento. 'Piriquita'? Vai ter muita! Só as dispintadas. Os cara doido? Também. Vão tudo comparecer. Campinho pra legalizar a erva da Jamaica porque tem que ter (sic)”.

Dois dias depois do convite viralizar nas redes sociais, ela foi detida e levada para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), onde fez piadas, riu, mandou recado para os "fãs" e anunciou: "foi cancelada a social". Relembre:

Na época, Andreza foi detida em casa com Huanderson Fereira Santos, 24 anos, o "Andinho", seu companheiro. Na residência a polícia encontrou petecas de maconha que estariam prontas para serem vendidas, cocaína e munição para armas, além de materiais odontológicos. Estes, por sua vez, pertenciam à "senhorita", que planejava atender em sua própria casa. "Eu mesma troco a 'liguinha' do meu aparelho. É fácil. Ia começar a fazer isto para outras pessoas", explicou.

Na época com uma filha de 3 anos, Andreza ficou presa por quase um mês no Centro de Reeducação Feminino (CRF), em Ananindeua. "É muita humilhação ali dentro. Eu fiquei 25 dias lá, se eu peguei dois dias de sol foi muito", desabafou em entrevista ao portal Outros 400.

Arte: Gabriel Caldas/ DOL

Enquanto seguia presa, Senhorita Andreza se tornava um meme mais conhecido ainda. Segundo o publicitário e pesquisador Thiago Favacho, autor do artigo “'Senhorita Andreza': trajetória, sentidos e (re)construções no ciberespaço", "embora muitas pessoas tenham qualificado a moça como 'bandida', 'traficante' sendo responsável por fazer apologia ao crime de tráfico de entorpecentes, o vídeo gravado pela 'senhorita' caiu nas graças do povo, fazendo com que Andreza ganhasse a simpatia de muitas outras pessoas e se tornasse uma espécie de personagem e meme – isto é, a representação por imagem simples e popular, em geral uma espécie de tradução cômica de determinado conteúdo", explica.

Após sair da cadeia, curiosamente, ela virou 'celebridade' na cidade das mangueiras. Com presença VIP garantida nas festas de várias cidades do Estado, a manicure de um salão de beleza e estudante de um curso do ProJovem, era o assunto do momento e a pauta da imprensa regional.

Meses depois, para surpresa de muita gente, Senhorita Andreza, considerada por alguns ícone da periferia paraense, anunciou sua pré-candidatura a vereadora de Belém. O evento - que contou com desfiles, concursos de funk e muita música -, foi realizado em uma festa de aparelhagem em uma casa de shows da cidade. Apesar da campanha 'peculiar', Andreza conseguiu apenas 789 votos e não foi eleita.

FOI AMEAÇADA E PROCUROU AJUDA

Após a vida política não ir para frente, Andreza testemunha o assassinato do próprio marido. Ele foi morto após sair de uma festa de aniversário e o luto carregou a jovem até sua morte, quando foi encurralada e executada na noite de 13 de abril de 2017.

Afinal, quem matou a Senhorita Andreza? Não se sabe. O crime continua um mistério. Quase dois anos após a sua morte, a Polícia Civil silencia sobre as investigações. Na época, o partido responsável por engajar a jovem na política afirmou que se tratava de uma ação de milicianos e que a sociedade não poderia "conviver no clima de insegurança, intolerância e ódio que vitima, principalmente, os mais pobres".

Além de alegar o envolvimento da milícia, o partido afirmou que Andreza procurou diversas vezes a Comissão de Justiça e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado (Alepa) para denunciar ameaças que sofria. "O governo não tem mais controle sobre as milícias. O PCdoB repudia a inércia do governo do Estado com os grupos paramilitares", disparou o secretário de Comunicação do partido, Roony Oliveira, em entrevista, em 2016.

De todo modo, o que fica é a trajetória da moça periférica e o crime que segue sem solução. Nas palavras de Favacho, "cabe novamente a reflexão sobre o poder que a web tem sobre as pessoas, sendo capaz de alterar toda uma ordem social, causando grande impacto nos conteúdos e nas relações das pessoas nas redes sociais. Com isso, a Senhorita Andreza volta pro seu local de origem... a Internet", finaliza.

LEIA MAIS:

(DOL)

LEIA TAMBÉM



COMENTÁRIOS mode_comment