INSEGURANÇA

Violência aumenta e governo Jatene corta investimentos

POSTADO EM: Sexta-Feira, 10/08/2018, 07:26:57
ATUALIZADO EM: 10/08/2018, 07:26:57

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Wagner Almeida/Diário do Pará

Dados divulgados ontem (9), pelo 12º Anuário de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que a violência no Pará continua avançando a cada ano, atingindo a taxa de 53,4 mortes violentas para cada grupo de 100 mil habitantes em 2017. Os números mostram ainda o contrassenso: quanto mais aumenta a violência, menos o Governo do Estado investe no combate à criminalidade.

De 2016 para 2017, segundo os dados do Fórum, o governo paraense reduziu em 2,8% o valor aplicado para melhorar o policiamento. O pior resultado ocorreu exatamente na área considerada fundamental para os especialistas em segurança pública: a área de informação e inteligência teve redução de 21,31%.

O investimento na área da ciência de investigação do governo de Simão Jatene caiu de R$ 6,7 milhões em 2016 para R$ 5,3 milhões em 2017. De acordo com os dados do Fórum, com a redução, caiu também a despesa per capita (por cada pessoa) realizada pelo Pará com a Função Segurança Pública, passando de R$ 277,91 para R$ 277,83, redução de 8 centavos por cada habitante, colocando o valor investido na segurança do cidadão paraense entre os cinco mais baixos do Brasil.

O especialista em Segurança Pública, professor e sociólogo Luiz Flávio Sapori, faz críticas à política de segurança do governo Simão Jatene: “Para começar é fundamental ter vontade política por parte do governador para enfrentar o problema”, afirma. “E vontade política significa não jogar a sujeira para debaixo do tapete. É necessário assumir que o problema existe, que é grave e que está crescendo”.

POLICIAIS

As mortes violentas intencionais, como homicídios, latrocínios e lesão corporal seguida de morte, continuam em ritmo crescente. Os crimes violentos não letais contra o patrimônio, como o roubo e furto de veículos dispararam em todo o Estado do Pará, chegando a taxa de 700,1 por 100 mil veículos, a terceira maior taxa do país.

O Pará também é o 3º estado no ranking em número absoluto de policiais mortos: 37, atrás somente de Rio (104) e São Paulo (60). Em 2016, 23 agentes de segurança pública foram mortos no Estado. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma associação de pesquisadores da área que compila estatísticas de secretarias de segurança e polícias Civil e Militar de todos os estados.

Belém entre as 3 capitais mais violentas do País

Os dados do 12º Anuário mostram que o Brasil registrou 63.880 assassinatos no ano passado, uma taxa de 30,8 mortes a cada 100 mil habitantes, aumento de 3% em relação a 2016. O critério soma homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes de policiais em confrontos e mortes decorrentes de intervenções policiais.

No ano passado, disparou também a quantidade de mortos pela polícia. Foram 5.144 em 2017, uma média de 14 mortos por dia, um avanço de 20% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o número de policiais mortos recuou 5%. Foram 367 no ano passado.

O estado mais violento do país, segundo o 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (9), é o Rio Grande do Norte, com 68 mortes a cada 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. O estado foi palco de massacre em janeiro do ano passado no presídio de Alcaçuz, quando uma disputa de facções deixou 26 mortos. Também tem uma polícia sucateada, que, em dezembro do ano passado, decretou greve, fazendo subir também casos de arrastões, roubos e assassinatos.

Na sequência, aparecem Acre (com 63,9 casos a cada 100 mil habitantes) e Ceará (59,1), ambos na rota do tráfico de drogas. O Rio de Janeiro, sob intervenção federal na segurança pública há seis meses, aparece na 11ª colocação, com 40,4 mortes por 100 mil habitantes, alta em relação à taxa de 37,6 registrada um ano antes. Pernambuco, Acre e Ceará foram os estados que tiveram maior aumento de mortes em relação ao ano anterior.

As capitais, são, em média, mais violentas. Elas têm juntas uma taxa de 34 casos por 100 mil habitantes. As que têm mais mortes são Rio Branco (83,7 mortes por 100 mil pessoas), Fortaleza (77,3) e Belém (67,5).

(Luiza Mello/Diário do Pará)

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