ATRÁS DAS GRADES

Moradores do bairro do Marco estão reféns da insegurança

POSTADO EM: Quinta-Feira, 05/07/2018, 11:16:36
ATUALIZADO EM: 05/07/2018, 11:29:50

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Mauro Ângelo/Diário do Pará

Na última segunda-feira (2), o assassinato de Fernando Ivo Santa Brígida Cardoso, de 33 anos, que aconteceu em plena luz do dia na avenida Rômulo Maiorana, no bairro do Marco, em Belém, cristalizou a insegurança que moradores e trabalhadores da área sentem todos os dias. Fernando teria sido morto por que não entregou o celular para dois assaltantes que estavam em uma motocicleta, tipo de crime comum entre as travessas Curuzú e Chaco, onde tudo aconteceu.

Celestino Aguiar, de 59 anos, é comerciante naquele trecho há 24 anos. Ele escutou o único tiro que tirou a vida de Fernando e afirma que os assaltos são constantes, a maioria praticado por motoqueiros. “Algumas pessoas comentaram que esse motoqueiro que matou o rapaz na segunda era acostumado a roubar as pessoas aqui. Uns meses atrás, tinha outro ladrão em uma moto acostumado a roubar de manhã cedo quem passava por aqui, principalmente mulheres”, detalha.

Devido à insegurança, Celestino mudou a rotina de trabalho e critica a falta de atuação da Polícia Militar. “Era pra eu sair daqui sete da noite e vir trabalhar aos domingos, mas isso não dá mais. Aqui fica deserto. A polícia não aparece todos os dias. Se já há registros de crimes nessa área, a polícia deveria vir mais vezes”.

A vendedora de lanche Soraíde de Oliveira, de 66 anos, já perdeu as contas de quantos assaltos já presenciou ao longo dos 25 anos em que trabalha naquele trecho. “Está perigoso demais. A gente trabalha sobressaltado. Não pode ver uma moto que já fica com medo. O pior que isso acontece quase todos os dias”, diz.

Somente na venda que possui no canteiro central da avenida, por cinco vezes a clientela foi alvo dos criminosos. “Isso até afastou meus clientes. Eles [criminosos] chegam, apontam a arma e levam tudo o que as pessoas têm. E se não entregar, eles matam mesmo”, acrescenta. Ela também sente a ausência da polícia no lugar. “Eles [policiais] sabem onde está perigoso e não fazem nada”, reclama Soraíde.

FLUXO INTENSO

O trecho onde o crime aconteceu na última segunda-feira é bastante movimentado devido ao intenso fluxo de veículos. Há inúmeros pontos comerciais e residências de classe média, porém, os moradores temem transitar com frequência ou mesmo passar muito tempo na porta de casa. “Isso não era assim, mas nos últimos 10 anos a violência tomou conta. Se for ao supermercado aqui perto, é com cartão escondido pelos bolsos, evitar levar dinheiro, celular nem pensar”, comenta Selma Nascimento, de 59 anos, professora.

Ela que mora há 25 anos na avenida viu a violência bater à porta. Ela perdeu um primo após ser baleado durante assalto e, a filha e o marido já foram sequestrados quando chegavam em casa. “Ainda tentei socorrer o rapaz na manhã de segunda, mas não deu tempo. Infelizmente, a gente não pode passar muito tempo aqui fora. Tem que olhar para todos os lados. É viver sobressaltado”, relata a moradora.

Sobre a morte de Fernando Cardoso, a Divisão de Homicídios investiga o caso, mas até o momento, ninguém foi preso. Quem tiver qualquer informação pode ajudar a Polícia Civil denunciando pelo 181. O sigilo é garantido.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)



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