NEGÓCIOS

Tecnologia ajuda a divulgar produtos e serviços de pequenas empresas

POSTADO EM: Domingo, 03/06/2018, 09:25:28
ATUALIZADO EM: 03/06/2018, 09:25:28

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Octávio Cardoso

Práticas, baratas e eficazes. As plataformas digitais são parceiras de empreendedores que almejam alavancar seus negócios fazendo a divulgação de serviços e produtos pelas redes sociais. Segundo uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 35% dos empresários brasileiros utilizam algum tipo de tecnologia para aumentar as vendas. Os principais canais utilizados são o WhatsApp, Facebook e o Instagram.

Para Jimmy Freire, especialista em marketing digital e vendas offline e online na área de micro e pequenas empresas, a utilização das tecnologias pode ser ainda mais eficaz, no sentido de melhorar os ganhos financeiros e resultados dos empresários, quando os recursos disponíveis em cada uma delas são usados de maneira adequada e, principalmente, integrados à área de vendas destinada ao produto ou serviço prestado pela empresa.

Ele ressalta que o maior erro encontrado nas empresas é a utilização das plataformas de forma isolada. Há quem utilize somente Facebook e/ou Instagram ou só WhatsApp, por exemplo. Além disso, as redes sociais não devem ser usadas comercialmente para receber postagens meramente informativas e institucionais sobre o negócio do empreendedor, conforme pontuou o especialista. “Eles não têm o que a gente chama de ‘presença online’ integrada com a área de vendas. Como consultor, esse é o maior gargalo que encontro nas empresas”, diz.

IDENTIDADE

O especialista explica que a utilização das redes sociais deve ir além: buscar meios de gerar expectativa no cliente para que ele sinta o desejo de entrar em contato com a empresa para adquirir o que ela oferece. Freire diz que antes de começar a utilizar os recursos das plataformas, é preciso fazer um planejamento, ou seja, um passo a passo de como o empresário pretende chegar aos resultados almejados. A empresa precisa ter a sua identidade no mundo digital. Por isso, a primeira estratégia para alavancar as vendas é criar o domínio que nada mais é do que o site da empresa.

“Para se ter ideia, tem empresa que não possui um email com o seu nome. Não tem site no ar, por acreditar que ter Facebook substitui o site, porque é uma rede gratuita

e no site terá de fazer algum tipo de investimento. Sendo que o site é a plataforma com maior possibilidade de interligar com o Google”, diz ele.

“O primeiro passo é ter presença digital efetiva, ter plataformas ativas, site, e-mail com o nome da empresa, Facebook, Instagram, WhatsApp Youtube. Isso não significa dizer que é preciso postar tudo ao mesmo tempo”, reforça.

FACEBOOK

As redes sociais também ajudaram a fomentar o negócio da administradora Eliane Aires, 35, proprietária do Ateliê Mississipi – uma loja de confecções e acessórios situada no bairro do Umarizal, em Belém. Há 5 anos, a empreendedora passou a vender roupas na sua casa com o objetivo de se sustentar e pagar a faculdade. Ela postava as fotos as roupas no Facebook e contratava um motoboy para entregar a mercadoria. Depois de formada, ela chegou a trabalhar por menos de um ano em uma empresa. Mas resolveu sair e investir a indenização em confecções. Há um ano e meio ela montou a primeira loja e passou a divulgar o trabalho também no Instagram. Hoje a loja ocupa um espaço maior, dentro de um prédio comercial. Embora o espaço não fique visível na via pública, as clientes não param de chegar.

Ela conta a fórmula do sucesso. “Hoje tenho mais de 134 mil seguidores no Instagram. É a minha vitrine de divulgação da loja. Posto, no total, 100 fotos por dia, nos períodos da manhã, horário de almoço e a noite. O contato é feito pelo telefone da loja e via direct (na rede social). Coloco o valor, tamanho, cores... nosso diferencial é que são peças de boa qualidade, com preços acessíveis, e todo mês renovamos a coleção”, ressalta. “Meu negócio não teria crescido sem as redes sociais. Hoje tenho duas funcionárias e pretendo abrir outra loja em Castanhal. Faço bazar quatro vezes ao ano, com peças de R$ 10 a R$ 60 em grande quantidade. Vem gente até do interior e a fila de clientes dobra o quarteirão - muitas delas compram pra revender”, comemora.

PESQUISA

WHATSAPP É O MEIO MAIS UTILIZADO PARASE RELACIONAR COM OS CLIENTES

- O WhatsApp é uma das plataformas digitais mais populares no país. O serviço permite que pessoas troquem mensagens de texto, áudio, imagens e vídeos a partir de seus celulares, sem gastos adicionais, bastando apenas ter um smartphone e estar conectado à internet.

- A pesquisa revela que 52,7% dos empresários brasileiros acham muito importante utilizar o WhatsApp como opção de comunicação com o Cliente. A região Norte supera isto, alcançando 60%; e que a maneira mais utilizada é para esclarecer dúvida de clientes e para mostrar novos produtos. A maioria dos empresários (39% da média geral e 44,7% do Norte) responderam que já realizaram alguma venda por meio do WhatsApp, porque é mais rápido e fácil do que pessoalmente ou por telefone.

FACEBOOK E INSTAGRAM SÃO AS PRINCIPAIS REDES SOCIAIS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

- Considerando as empresas que têm perfil nas redes sociais, 92% possuem Facebook e 50% Instagram. Das campanhas de comunicação usadas para aumentar as vendas, as que trouxeram os melhores resultados nos últimos 6 meses apontam 39,5% foram feitas pelas redes sociais, 16,6% envio de mensagem pelo WhatsApp (Região Norte: 27,3% e 45,5%).

- Quatro em cada dez (36%) empresários percebem que os clientes interagem com sua empresa com muita frequência nas redes sociais.

- A pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) ouviu 555 empresários brasileiros de micro e pequenas empresas, dos ramos de comércio varejista e serviços, de todas regiões do Brasil, capitais e interior, responsáveis pelas definições de divulgações e propaganda da empresa (em rádio, internet, redes sociais, e-mail marketing, WhatsApp, TV etc) ou que não possuem comunicação estruturada.

FONTE: SPC BRASIL

Redes sociais ajudaram a atrair clientes

Empresária Thairis Kapp está sempre conectada nas redes (Foto: Octávio Cardoso)

Formada em administração desde 2010 e proprietária da empresa Mestre Clean, Thairis Kapp, 30 anos, sempre teve um espírito empreendedor e sonhava em montar um negócio, mas buscava algo que fosse novidade no mercado local. Ela teve a ideia de ir pesquisar no Youtube sobre novas modalidades de negócio em ascensão pelo Brasil. E foi assim que ela descobriu o serviço de lavagem de carros a seco. “Na época, era um serviço pouco conhecido e acabamos (ela e a sócia Valéria Freire), sendo até pioneiros em Ananindeua”, diz.

O serviço funcionava como delivery e foi através da procura dos próprios clientes que as empreendedoras entenderam que o negócio não se restringia a lavagem de carros, já que os clientes procuravam por limpeza de sofás, carpetes, entre outros.

CURSO

“Fui me especializar em Belo Horizonte em 2011 e abri a loja física. Fiz um curso de limpeza de estofados residenciais – colchão, cadeira de jantar”, diz. “Muitos procuraram a gente para aprender, então passamos a oferecer cursos além do serviço”. De 2011 até 2017, elas apostavam em propagandas espalhadas pelos muros da cidade, panfletagem e mídias indoor – televisores dentro de estabelecimentos. Nesse período, o faturamento caiu.

Antes de resolver fechar a loja, elas chegaram a procurar empresas de marketing, que não conseguiram atender a expectativa das empresárias. Thairis fez um curso online de mídias, em 2017, e, com isso, aprendeu a impulsionar os serviços ofertados pela empresa nas redes sociais e, consequentemente, a atrair novos clientes. Deu tão certo que até o nome da empresa mudou de “Sistema de Lavagem a Seco” para “Mestre Clean”. Só que não parou por aí. Além de alavancar os resultados da empresa, Thairis passou a ofertar cursos online na área e também é uma profissional de marketing digital. “Hoje, todos os cursos do mercado visam trazer o cliente através do email. Só que eu tinha uma enorme dificuldade de fazer isso. Descobri que era mais fácil pelo WhatsApp - quando impulsionamos um vídeo no Facebook e Instagram, por exemplo, o cliente clica num link que leva direto para o nosso WhatsApp”, reforça, ao acrescentar que o empreendimento triplicou o faturamento.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)



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