CRIME CHOCOU O PARÁ

Assassinos de Pedro Marim são condenados a 24 e 20 anos de prisão

POSTADO EM: Quinta-Feira, 17/05/2018, 00:01:51
ATUALIZADO EM: 17/05/2018, 00:37:06

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Arquivo/Diário do Pará

O 3º Tribunal do júri de Belém condenou por maioria de votos Yago Wendel Neves e Rodrigo Pinheiro Santos, 24 anos, este último foragido da Justiça. A dupla em conjunto com mais três pessoas torturou e executou o estudante Pedro Victor Marim, 18, em outubro de 2015. Segundo os autos do processo, o motivo do crime foi dívida de droga.    

Na época, o crime teve grande repercussão após um vídeo feito pelos criminosos ser divulgado nas redes sociais. Nas imagens, a vítima implorava pela vida, com as mãos amarradas para trás, sendo agredido. “Eu não vou fazer mais, não me mata, por favor”, diz o rapaz, no vídeo.

Por maioria dos votos, os jurados acolheram a tese da acusação sustentada pela promotora de justiça Ana Maria Magalhães, rejeitando a tese de negativa de autoria sustentada pelos advogados de defesa.

Com base da decisão do Conselho de Sentença que reconheceu, por maioria de votos, que os réus praticaram o crime de homicídio qualificado, por motivo torpe, usando de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, sendo aplicada a Yago Neves a pena de 14 anos de reclusão será cumprida em regime inicial fechado.

Coube a Rodrigo Santos, que não compareceu ao júri e está foragido, a pena de 20 anos de reclusão para ser cumprida em regime inicial fechado, sendo mantida a prisão do réu que se encontra preso desde a época do crime Em relação a Rodrigo foi expedido decreto de prisão, para sua recaptura.

Em interrogatório o réu disse que era usuário de droga e nunca traficou. A versão de Yago é que comprava da vítima sua droga, skank (tipo concentrado de maconha), para não ir à “boca de fumo”. O réu alegou que a vítima vendia mais cara a droga que comprava por um preço baixo de traficantes do Bairro Cabanagem.

O réu que tinha confessado o crime à Policia, dessa vez negou a autoria e disse ter sido forçado a confessar o crime, e que a vítima por ser usuária de drogas, para sustentar o vício vendia para os amigos, que não lhe pagavam, acumulando uma dívida no valor de 5 mil reais com o traficante.

Conforme o acusado, Pedro teria lhe pedido carona em seu veículo para ir até um endereço arranjar dinheiro com outras pessoas e por isso a vítima foi vista entrando no carro do réu em companhia de outro consumidor.  

Depoimentos de testemunhas incluindo os pais de Pedro relataram que o estudante era um jovem que passou a consumir droga e para sustentar o vício começou a traficar para Yago. Ainda pelos relatos dos pais da vítima, o jovem foi preso por policiais quando estava vendendo a droga de Yago, em Cotijuba. Para não ficar preso, entregou aos policiais dinheiro, no valor de 600 reais, e uma quantidade de maconha. Após esse episódio, o jovem passou a sofrer ameaças e ficou “prisioneiro do traficante Yago”, passando a ser “o aviãozinho dele”, disse a mãe em seu depoimento.

Os pais disseram que o filho, desesperado, tinha contado o que estava enfrentando, tendo a mãe se prontificado em falar com Yago, que o conhecia desde a infância e que pagaria a dívida do filho, mas o filho foi morto antes.

Os três outros acusados Eder Cleuson de Araujo está recorrendo da sentença de pronuncia. Os dois outros Danilo Menezes Carvalho e Diego Wingleson da Silva estão com prisões decretadas e tiveram o processo separados e ainda não foram localizado pela policia .

Informações do processo

Conforme acusação, o crime cometido por volta da 19h, do dia 27/10/2015, no Conjunto Gleba III da Cohab, atraíram a vítima para o interior do carro de um familiar de Yago Neves onde se encontrava também mais dois acusados.

A vítima foi atraída para o veículo conduzido por Yago Neves, de propriedade de seu avô, até a rua Tapajós, onde os jovens residiam. No local, a vítima retirada do veículo foi amarrada, espancada e torturada, pelos comparsas de Yago, sendo obrigada a pedir pela sua vida para Churrasquinho e em seguida foi atingida por três disparos, uma na testa e dois na face. Toda a ação foi gravada na câmara do celular da própria vítima e compartilhada nas redes sociais que o jovem fazia parte.  

Conforme apurado Churrasquinho era outro fornecedor de droga da área rival de Yago Neves. Após a sessão de tortura e espancamento, a vítima foi executada com três disparos no rosto (uma na testa e dois na face). O corpo da vítima foi localizado cerca de cinco horas despois do crime pela Polícia, com um bilhete escrito no copo “Churrasquinho mau, vacilou é sal”.  

(Com informações do TJPA)



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