EDITORIAL

Jatene: um fim de governo melancólico e violento!

POSTADO EM: Domingo, 15/04/2018, 08:25:35
ATUALIZADO EM: 15/04/2018, 08:25:35

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Ricardo Amanajás/Diário do Pará

EDITORIAL DIÁRIO DO PARÁ

O governo de Simão Jatene vai chegando ao fim de uma forma melancólica para ele e desastrosa para a população do Pará. Falta ao emplumado tucano combustível, disposição e coragem política para tocar um governo que se esfacela aos poucos frente aos olhos, incrédulos, de uma população amedrontada, acuada e trancafiada por conta da força do poder paralelo de milícias e de bandidos que mandam e desmandam.

A maior prova do descontrole foi vista nessa semana que acabou; escrita com o sangue de pelo menos 60 mortes violentas na Região Metropolitana de Belém, incluindo aí duas chacinas: uma na terça-feira, 10, quando 12 pessoas foram assassinadas depois da morte de dois policiais militares; e outra na quinta, 12, quando em apenas 24 horas foram assassinadas 16 pessoas, após o ataque de uma facção criminosa a um trailer da Polícia Militar no bairro do Jurunas, em Belém, que culminou com uma policial baleada na perna. Coloque neste caldeirão macabro de violência uma tentativa de fuga no Complexo de Americano, no qual 21 detentos e 1 agente penitenciário acabaram mortos.

Sabe o que Jatene e sua “Turma da Insegurança” fizeram, junto com o comandante da Polícia Militar? O que costumeiramente fazem: nada! Pior: municiado de um imobilismo crônico, Simão Jatene teve a coragem (melhor dizendo: cara-de-pau), diante de uma população apavorada pela carnificina nas ruas e o terrorismo digital que se espalhou nas redes sociais, de não aceitar uma oferta do Governo Federal para que a Força Nacional auxilie e seja parceira das Forças de Segurança do Estado. É bom lembrar que, em situações semelhantes às chacinas desta semana, Simão Jatene sempre declina da ajuda do Governo Federal, mesmo que esta seja um clamor popular.

Para completar, o secretário de Segurança, Luiz Fernandes, num desrespeito total à comunidade, ainda afirma que “se sente seguro em Belém”. Um quase deboche para milhares que convivem com a violência à sua porta todos os dias, seja na Região Metropolitana ou nos mais distantes vilarejos do Pará.

A decisão de não aceitar ajuda mostra o quanto Simão Jatene não tem visão social para admitir que seu governo não é competente para combater a criminalidade, que impera hoje no Estado. Só alguém sem visão crítica do problema para na hora não ter a hombridade de aceitar ajuda de quem lhe estende a mão num momento difícil e ainda culpá-lo por isso. Foi o que o Jatene fez. 

Fica claro e transparente a todos que Jatene não aceitou o auxílio federal neste momento de desordem social - originado pela violência desmedida - apenas porque não quer admitir que não consegue lidar com a própria ineficiência, uma marca inegável de sua gestão em diversas áreas. Ele preferiu uma postura política equivocada a uma real preocupação com a população, infelizmente.

Neste fim melancólico de governo de Simão Jatene, a área de Segurança Pública, com certeza, é uma calamidade só. Com salários miseráveis, sem equipamento apropriado, saindo na rua com carros desmantelados e quase sem combustível (igual a Jatene), os agentes de segurança do Estado de protetores da sociedade viraram – junto com ela – reféns e vítimas da bandidagem. 

Sabe o que Simão Jatene diz disso? Nada. Falta ao governador e sua “Turma da Insegurança” coragem para enfrentar olho no olho o povo. Jatene não deu um pio até agora, nem para dar uma desculpa esfarrapada, que é o que geralmente acontece quando ele se pronuncia sobre algo. Talvez o faça, como é de seu costume, daqui a uma semana, já que rapidez nas ações não é seu forte, como se sabe. Lerdeza é, inclusive, a marca fiel deste desgoverno, que se tornou a “desadministração” do psdebista Simão Jatene. Veja o tempo que ele levou para ir a Paragominas, cidade vitimada por uma enxurrada que resultou em três mortes,sendo duas crianças.

Uma coisa é certa: enquanto Jatene vacila e se fecha a quem lhe pode ajudar, o povo paraense sofre e vai continuar a contar vítimas da violência desenfreada causada por falta de políticas públicas para curar as chagas sociais do Pará.



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