PERFIL SOCIAL

Belém tem gestão entre ostentação e desprezo em diferentes partes da cidade

POSTADO EM: Sexta-Feira, 12/01/2018, 10:30:35
ATUALIZADO EM: 12/01/2018, 10:30:35

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Maycon Nunes/Diário do Pará

A cidade das mangueiras, da chuva em qualquer hora da tarde, da culinária peculiar e das tradições culturais e religiosas singulares tem outro lado. Belém ainda mantém aspectos coloniais, características que não são dignas de celebração. “Há uma separação muito nítida: de um lado uma elite que ostenta padrão de vida alto e despreocupada com a cidade e, do outro, uma classe popular que luta para manter a sua sobrevivência e resistir em lugares esquecidos pelo poder público, este ligado à elite”, avalia Roberto Peixoto, antropólogo, professor de pós-graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Ao longo dos quatro séculos, Peixoto diz que as políticas urbanísticas em Belém continuam segregando e desprezando a população mais pobre, negra e parda. “Foi o que os portugueses fizeram com os tupinambás quando chegaram em nossa região. Essa é uma continuidade nesses séculos de existência. O poder público não tem responsabilidade pela vida das pessoas com renda mais baixa. Existe o crescimento e, ao mesmo tempo, o desprezo por parte do poder público”, complementa.

Segundo ele, outro exemplo que exclusão social é o período da Belle Époque, onde as características encontradas em imagens de registros da época exploraram uma identidade europeia, como roupas que as pessoas usavam. De lá pra cá, Belém manteve um costume de se assemelhar com padrões estrangeiros, agora, pontos turísticos à beira do rio para contemplação da natureza. “Isso é um padrão internacional que se copia, porém, não há nenhum zelo por esses lugares. Pelo contrário, os trapiches estão abandonados e o meio ambiente destruído. Não há revitalização que requalifica o lugar”, critica o antropólogo.

Outra característica presente na cidade que retrata o abandono do poder público é a sujeira. Roberto destaca que a quantidade de lixo espalhado por Belém e Região Metropolitana é “uma tragédia ambiental”. Prova disso é o destino inadequado do lixo urbano que, atualmente, enfrenta problemas sérios, pois já atinge a população, em Marituba e proximidades, que está sofrendo com os impactos negativos causados pelo mau cheiro e poluição ambiental.

Além disso, Peixoto afirma que, nos últimos 20 anos, Belém sofreu outras modificações negativas, como o crescimento desordenado e incontrolável, que influenciam e geram trânsito caótico, edificações que dificultam a ventilação - deixando a cidade ainda mais quente, ausência de esgotamento sanitário, entreoutros problemas.

CICLO DA BORRACHA: SECÚLOS XIX - XX

Entre os momentos históricos que marcaram a história de Belém, o antropólogo aponta o Ciclo da Borracha, na passagem do século XIX e XX, sendo decisivo na vida da cidade, pois a riqueza patrimonial arquitetônica de Belém está ligada a esse período da História.

BELÉM - BRASÍLIA: DÉCADA DE 1960

Outro momento importante foi a abertura da rodovia Belém-Brasília (conjunto de 11 rodovias federais que liga a capital do Brasil à capital paraense), na década de 1960, permitindo o acesso, transporte de bens industrializados produzidos no centro e sul do País, mas afetando a produção local

CONTEMPORÂNEA: ATUALMENTE

Por fim, veio o crescimento desordenado da capital, deteriorização acentuada da vida urbana e uma população sobressaltada diante da violência descontrolada. A falta de direcionamento do progresso vai deixando rastros de problemas socioambientais e poluição.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)



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