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Arco Norte duplicará exportação de grãos

POSTADO EM: Domingo, 06/08/2017, 07:58:34
ATUALIZADO EM: 06/08/2017, 07:58:34

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Agência Brasil

As obras do Arco Norte devem ampliar o escoamento da produção de grãos no Pará e no Brasil. É o que mostra um estudo desenvolvido pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pesquisa relacionou as obras prioritárias para ampliar a participação dos portos do Arco Norte ao escoamento da produção de grãos para exportação. A rodovia BR-163 e a ferrovia Ferrogrão são consideradas como fundamentais para garantir a competitividade e a expansão da produção no Brasil nos próximos 10 anos. 

E o Estado do Pará tem papel preponderante, destaca a Embrapa. O ponto de partida foi o estudo sobre “Os Caminhos da Safra, de 2014, feito pela Embrapa Monitoramento por Satélite, setor de pesquisa da instituição. “Buscamos traçar quais as principais rotas e modais percorridos pelos grãos produzidos no país com destino ao mercado exterior”, explica Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite. 

Nelas foram verificados os gargalos existentes e barreiras que limitam a competitividade dos produtos brasileiros. A partir daí, o Gite, por meio de parcerias chave com entes governamentais e privados, buscou organizar uma base de dados numérica e cartográfica: um sistema de inteligência territorial para a macrologística agropecuária.

DIVISOR

Miranda destaca que o Arco Norte, que hoje responde por apenas 18% das exportações de soja e milho do país, mas pode chegar a 40% com o aumento da competitividade a partir de rotas e modais rodoviários e ferroviários. Na avaliação de Miranda e também de Gustavo Spadotti Castro, analista do Gite, a BR-163 e a Ferrogrão serão o divisor de águas nessa nova realidade das exportações brasileiras, para o Estado e toda a Região Norte. “A BR-163, em condições plenas de tráfego, é urgente”, avalia Gustavo. 

A perspectiva é que o asfaltamento dos 100 km faltantes da rodovia ocorra até o fim de 2018. A Ferrogrão, que deve percorrer rota paralela a BR-163, dará ainda mais competitividade a esta rota do Arco Norte. “Seus estudos de viabilidade técnica e econômica estão tão avançados que já mobilizaram todos as traders da região a buscar formas de financiar a obra”, diz Castro.

Crescimento demandará novos investimentos

Evaristo de Miranda, também ressalta que o Pará é, dentre os Estados amazônicos, o que possui maior produção agropecuária e os novos modais vão ajudar a desenvolver ainda mais as áreas já consolidadas e abrir espaço para novas culturas. “As cadeias de grãos e gado no Pará já possuem escala, e podem contribuir para o fortalecimento da agricultura local por meio de produtos regionais”, reitera. Rotas mais eficientes para o escoamento da produção só agregam valor à produção local, que se beneficiará de fretes mais baratos, tornando o mercado externo e a ligação com outras regiões do Brasil, uma realidade mais próxima. Isso gera benefícios em escala, que não param apenas no produtor rural. Uma das preocupações é quanto à capacidade dos portos de receber um maior fluxo de produtos. Para Gustavo Spadotti, um estudo que foi realizado pela Embrapa, com foco nas projeções futuras do agronegócio, prevê que haverá a necessidade de investir mais. “Caso as previsões otimistas das exportações se concretizem, haverá um déficit operacional”, diz. “Isso já contando com os investimentos planejados para estes portos. O que evidencia a necessidade de novos investimentos ainda não planejados”.

PERSPECTIVA

A perspectiva é que os portos do Arco Norte mais que dobrem sua capacidade nos próximos 10 anos, com grande destaque para o complexo Belém/Barcarena/Vila do Conde, que pode se consolidar como o principal polo agroexportador. E a previsão é de que, até 2050, a demanda total de carga para exportação supere 42 milhões de toneladas.

(Érica Ribeiro/Diário do Pará)



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