ÍCONE GLOBAL

'Minha vingança será educar a todos', diz Malala Yousafzai no Brasil

POSTADO EM: Terça-Feira, 10/07/2018, 11:16:23
ATUALIZADO EM: 10/07/2018, 12:40:11

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Reprodução

Em sua primeira visita ao Brasil, a paquistanesa Malala Yousafzai, conhecida mundialmente por sua luta pela educação e igualdade de gênero, deixou claro seu objetivo de fomentar o debate sobre educação de meninas nas eleições brasileiras deste ano e afirmou que o poder sobre os rumos do Brasil não está nas mãos dos políticos. 

"O poder está nas mãos das pessoas. Use esse poder e eleja pessoas que vão representá-lo bem", disse. "Os políticos precisam ser lembrados de novo e de novo que eles têm de ouvir as necessidades das pessoas."

A paquistanesa também reiterou que a crise econômica e política do país não pode comprometer os objetivos do Plano Nacional de Educação porque o acesso ao conhecimento, segundo ela, é estratégico para o desenvolvimento do país. Malala também lembrou o número expressivo de meninas que ainda não têm acesso a educação no Brasil. São cerca de 1,5 milhões. 

A ativista começou a militar aos 11 anos de idade, quando usava um blog para falar de sua vida sob o regime de terror do Taleban, que proibia meninas de frequentar a escola. Aos 15, foi vítima de um atentado do grupo extremista islâmico, o que causou lhe tirou a vida. Um taleban invadiu um ônibus em que Malala estava e atitou em sua cabeça, atingindo outras duas garotas. 

No ano seguinte, ainda na cama de um hospital no Reino Unido, fundou com o pai, o educador Ziauddin Yousafzai, o Malala Fund, organização voltada à promoção da educação de meninas no mundo todo, que hoje movimenta US$ 10 milhões ao ano.

"Eles acharam que as balas nos silenciariam, mas falharam. E, do silêncio, surgiram milhares de vozes", discursou nas Nações Unidas poucos meses depois de deixar o hospital, e pouco antes de se tornar a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz, em 2014.

A extraordinária trajetória de Malala já foi objeto de livros e documentários e, nesta semana, ganhou um capítulo brasileiro.
No próximo dia 12, a jovem completará 21 anos e ainda estará no Brasil. A visita da ativista marca a expansão das atividades do Malala Fund para a América Latina, onde deve investir US$ 700 mil nos projetos de três jovens ativistas pela educação.

"A minha melhor vingança será educar a todos, inclusive as filhas e irmãs daqueles que me atacaram", brincou ela, durante debate sobre educação e empoderamento feminino promovido pelo Itaú na última segunda-feira (9) em São Paulo.

Malala hoje frequenta a prestigiosa Universidade Oxford, no Reino Unido, uma das mais importantes instituições educacionais do mundo e explica que, mesmo entre as garotas que chegaram até ali, há certo sentimento de inferioridade. "Mesmo em Oxford, você vê mulheres inseguras mesmo quando estão certas em contraste com homens superconfiantes, mesmo quando não estão certos."

Durante o evento em São Paulo, a jovem falou da importância de envolver os homens na luta por igualdade de gênero. "Meu pai decidiu que seria feminista, mas teve que lutar contra ele mesmo e contra a ideologia que diz que mulheres têm um lugar separado na sociedade, com menos oportunidades", contou.

"O papel de pais e irmãos é muito importante. É uma responsabilidade compartilhada. Para quebrar as barreiras que as mulheres enfrentam, precisamos educar homens e meninos. Eles precisam perceber que igualdade entre os gêneros é boa para todos, gerando mais oportunidades de trabalho e criando ambientes mais seguros e prósperos."

(Com informações do portal Yahoo)



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