SOCIEDADE

5 reflexões para entender o pensamento de Simone de Beauvoir

POSTADO EM: Quinta-Feira, 11/01/2018, 17:00:04
ATUALIZADO EM: 11/01/2018, 17:00:04

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(Foto: Wikimedia/Moshe Milner )

 (Foto: Wikimedia/Moshe Milner )

 

Há exatos 110 anos, em janeiro de 1908, nascia a francesa Simone de Beauvoir, escritora e ícone do pensamento filosófico e existencialista feminista. O existencialismo é a corrente que acredita que quando nascemos já existe uma sociedade pronta, repleta de regras e padrões, e que não importa o que os outros fizeram conosco, mas o que fazemos com o que fizeram com os outros.

Simone de Beauvoir estudou Filosofia na Universidade Sorbonne, em Paris, onde conheceu o também filósofo Jean-Paul Sartre. Os dois mantiveram um relacionamento aberto, tido como polêmico até os dias atuais. Aos 23 anos, virou professora de Filosofia na Universidade de Marselha e deu início à publicação de sua obra: ensaios, romances e livros com reflexões sobre o papel da mulher na sociedade. Morreu aos 78 anos de pneumonia, um ano e um dia depois da morte de Sartre, e foi enterrada ao lado do companheiro em Paris. A seguir, veja cinco reflexões para entender o pensamento de Simone de Beauvoir.

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“Querer ser livre é também querer livres os outros”
A liberdade sempre foi uma das maiores preocupações de Simone de Beauvoir, que abordou o tema em livros como Por uma Moral da Ambiguidade. A frase descreve também o relacionamento com Sartre, que durou 50 anos. Os dois tinham uma relação aberta dentro da proposta de “pacto de liberdade”, para não se amarrarem um ao outro. Em A Cerimônia do Adeus, a filósofa fala sobre a relação e sobre o luto após a morte do companheiro.

Sartre e Simone no memorial Balzac (Foto: Wikimedia/Archives Gallimard at Paris)

 

“Viver é envelhecer, nada mais”
A velhice era outro tema recorrente nos textos de Simone de Beauvoir. Em 1970, aos 60 anos, publicou A Velhice, no qual tratou do assunto como algo não apenas biológico, mas cultural. No livro, ela questiona a desumanização da velhice e a sexualidade tolida das idosas.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”
É a frase mais clássica de Beauvoir, retirada do livro O Segundo Sexo. Para ela, “nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. Em outras palavras, ela defende a distinção entre sexo e gênero. O primeiro é um fator biológico, ligado à constituição físico-química do corpo humano. Já o segundo é construído pela sociedade, ou seja, ser homem ou ser mulher não é um dado natural, mas algo performático e social — ao longo da história, cada cultura criou os padrões de ação e comportamento de determinado gênero.

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”
Ainda em O Segundo Sexo, Beauvoir escreve sobre a hierarquia social do gênero masculino e a cumplicidade feminina com sua própria opressão. O estudo serviu como pontapé para diversas vertentes feministas se debruçarem sobre a questão e buscarem formas de resolver as desigualdades entre os gêneros.

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”
Em Memórias de Uma Moça Bem-Comportada, obra autobiográfica e existencialista de 1958, Beauvoir critica a opressão moral e religiosa das mulheres de sua geração. Na visão da filósofa, tais imposições sociais e o peso do conservadorismo são capazes de matar as mulheres.

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Fonte: Revista Galileu



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