BABY DOL

Perigo oculto: o Youtube é má influência para as crianças?

POSTADO EM: Quinta-Feira, 27/09/2018, 09:40:58
ATUALIZADO EM: 27/09/2018, 13:20:43

zoom_out_map
Arquivo Pessoal

O uso do celular, do computador e do tablet entre as crianças tem se tornado um hábito comum. Além dos joguinhos, os vídeos do Youtube tem feito a cabeça do público infantil.

A facilidade de acesso e o vasto conteúdo tem se tornado uma grande preocupação para os pais e especialistas. Apesar de o Youtube ter classificação etária de 18 anos, seu público é composto por bebês, crianças e adolescentes. No entanto, basta navegar para se deparar com uma grande quantidade de conteúdos classificados como infantil, mas que possuem versões impróprias para os pequenos.

Especialistas são categóricos ao afirmar que o Youtube é uma má influência para a criançada, apontando que os brinquedos infantis estão cada vez mais sendo substituídos pela tecnologia e que muitos pais não conseguem acompanhar o acesso dos filhos.

Perigo oculto

A pedagoga e especialista em gestão educacional, em docência do ensino básico e superior e em educação especial e inclusiva, Hellene Oliveira Cabral ressalta que muitos perigos estão por trás de cenas infantilizadas.

“Existem muitos vídeos que não são direcionados para crianças. Além de não existir um filtro nesses vídeos, muitas das vezes se compõe de desenhos animados, porém em contextos adultos, violentos e até pornográficos. Se tiver livre acesso, a criança sem supervisão pode pesquisar temas não condizentes com sua faixa etária. Crianças por um processo natural são curiosas e toda sua bagagem de conhecimento se dá por meio das experiências, portanto necessitam viver cada fase sem pressa”, explica.

Pedagoga explica os perigos ocultos no Youtube. (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma estudo feito pela pesquisadora Luciana Corrêa, do ESPM Media Lab, que buscou mapear o comportamento infantil no Youtube apontou que os vídeos de “unboxing” (abertura de presentes ou embalagens para fazer publicidade do produto) são um fenômeno. Dos 15 maiores canais infantis, de 0 a 2 anos de idade, seis abordam essa narrativa, atingindo uma audiência de mais de 1 bilhão de visualizações.

“Os pais precisam estar atentos aos canais que a criança está assistindo, observando se os conteúdos estão de acordo com os princípios da família, incentivando a criança a outros tipos de conteúdos. As crianças precisam de limites. Os limites são impostos não para aprisionar, mas para manter em segurança. Crianças sentem-se amadas quando percebem que recebem atenção e cuidado. Portanto, organize o tempo dos seus filhos, ensinem a desenvolver uma lista de prioridades, estipulando um tempo para cada atividade diária”, recomenda a especialista.

A pedagoga explica que não basta só proibir os filhos de terem acesso ao Youtube, mas também oferecer outros meios de diversão.

“Os pais precisam estimular e permitir que a criança viva a etapa de desenvolvimento da sua faixa etária. Na primeira infância, a experimentação sensória e motora é fundamental para desencadear todas as fases posteriores. Não deixe que sua criança troque uma boa brincadeira no parque, por exemplo, por um vídeo que não trará visão de mundo, nem experiências que fundamentarão novos conhecimentos ou não darão significado ao seu dia a dia”, orienta Cabral.

Apesar de especialistas recomendarem o uso de aparelhos tecnológicos apenas depois dos dois anos de idade e, por no máximo, duas horas por dia, o que se vê é o contrário.

“A criança age por imitação, onde apropriam-se de experiência que se transformam em conhecimento. Sendo assim, as influências negativas que encontramos no Youtubers como mentir, esconder pertences dos pais, utilização de materiais que existem em casa para fazer experiências com a finalidade de machucar, denegrir ou assustar, além de gerar um conflito interno no mundo imaginário da criança, que nasce desprovida de conceitos e preconceitos, pois ainda não possuem maturação cognitiva para definir o real do imaginário, podendo gerar uma inversão de valores morais, éticos e culturais de um cidadão que está em um processo de formação”, alerta a pedagoga.

No entanto, Hellene Cabral considera a revolução digital importante entre os pequenos, desde que utilizada com cautela, bom senso e consciência.

“É de grande valia quando bem direcionada para conteúdos com fins educativos, que exemplifiquem e envolvam a criança em experiências diárias para o cotidiano ou a nível cognitivo, como raciocínio lógico ou sequencial. Porém, a enxurrada da tecnologia é prejudicial quando não é fiscalizada ou direcionada, pois as informações podem estimular o desenvolvimento desenfreado, sem respeitar o período de maturação cerebral da criança, permitindo que as crianças pulem etapas no seu desenvolvimento”, observa.

Para a pedagoga dentre os impactos da revolução digital no desenvolvimento infantil estão crianças e futuramente adultos com dificuldades de interação social, sem experimentações simples, como correr, subir, descer e cair, além de dificuldades com limites, regras e resoluções de problemas e dificuldades em lidar com as próprias emoções.

“Precisamos desconectar e viver o tempo de qualidade, com experiências que perduram por toda uma vida. Quem não lembra de uma queda ao aprender a andar de bicicleta, por exemplo?”, questiona.

A especialista ressalta que a tecnologia precisa ser significativa para ser aliada, como uma ferramenta que venha mediar um conhecimento final e não apenas um vilão desenfreado que afasta as crianças da realidade e invertendo os valores humanos.

“Nossas crianças estão o tempo todo construindo novas sinapses cerebrais que deverão ser fortalecidas ao longo da vida. Se permita reviver experiências simples com seu filho e não só com os olhos na rede. Crie vínculo, tenha um tempo com qualidade, constitua uma criança pronta para enfrentar o mundo real e desafiador”, orienta.

Mães antenadas e de olho em tudo

Prestar atenção no conteúdo e decidir o que seu filho pode ou não assistir foi a decisão adotada por Andrenws de Carvalho, mãe do Bernardo Alonso Fairchild, de 4 anos.

Na casa de Bernardo a ordem é se divertir em família. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Por aqui é quase zero ‘tecnologia’, não tem acesso a celular, tablete, enfim. Assiste a filmes somente nos fins de semana e conosco. Durante a semana ele brinca e adora livros, lemos muito pra e com ele. O Youtube aqui é para ver documentário ou músicas, todos juntos”, garante a mãe.

Bernando com os avós paternos na hora do leitura. (Foto: Aquivo Pessoal)

Tatiane Costa, mãe do Thalys, de 9 anos, também sempre teve a preocupação de acompanhar o que o filho assistia. Mas, ela lembra que o processo foi gradativo.

“Por comodidade não fiscalizava muito, mas sempre falamos o que podia e não podia, mas por impulso ou indicação de coleguinhas ela acaba assistindo e curtindo outros Youtubers. Falamos que o Youtube, assim como a internet tem seus prós e contras e explicamos que adultos se passam por crianças, os perigos”, revela.

Tatiane Costa sempre acompanha o que o filho assiste no Youtube. (Foto: Arquivo Pessoal)

A mãe do Thalys lembra a importância do diálogo que teve com o filho ainda pequeno. “Começamos a perceber as que ele seguia, tipo esse Felipe Neto. Misericórdia, proibimos na hora. Para chegar a confiança que temos foi muita conversa. Primeiro escondíamos o celular, ele chegou a pegar mesmo assim, mas hoje em dia não. O celular fica a vista e ele não mexe. Sempre acompanhamos para ver o que ele está fazendo no celular. Hoje em dia ele também estuda pelo Youtube, assiste aulas”, disse.

#Elsagate

Uma pesquisa conduzida pela BBC apontou que o app Youtube Kids, voltado para fornecer conteúdo para crianças não é um ambiente tão seguro como se pensava: há uma série de vídeos com conteúdos controversos e/ou violentos que driblam os filtros e são erroneamente classificados como adequados para os pequenos.

Alguns desses canais com "falsos desenhos" ou "desenhos fake" fazem muito sucesso e tem milhões de visualizações. Na maioria das vezes, as crianças são enganadas por vídeos piratas para pensar que se trata do produto original, por isso, a importância dos pais estarem sempre por perto e acompanhando o que o filho assiste. 

Importante também é que, ao encontrar um vídeo com esse tipo de conteúdo, os responsáveis denunciem ao YouTube para que a plataforma providencie o bloqueio e retirada do vídeo do ar.

Para combater o problema, internautas de vários países começaram a marcar esses vídeos com a hashtag #Elsagate, com o intuito de alertar os pais e estimular denúncias contra essas produções. 

Profissão do futuro

Para muitos que trabalham com o YouTube, o canal já se tornou a principal fonte de renda. Dados do Fórum Econômico Mundial estimam que 65% das crianças de hoje vão trabalhar em profissões que ainda não existem. Por isso, muitos especialistas já apontam que daqui há alguns anos, ser youtuber pode se tornar uma profissão.

Quem são os youtubers,joguinhos que fazem a cabeça do seu filho?

Eles se identificam como inflenciadores digitais, mas a influência que eles exercem sobre as crianças e adolescentes passou a ser criticada por pais, mães e instituições ligadas à infância, travando uma verdadeira batalha contra alguns youtubers em relação aos conteúdos postados.

Tex HS

Lucas Neto

Felipe Neto

Autentic Games

Kéfera

Chirstian Figueiredo

E você, internauta, o que acha sobre o assunto? Como é a supervisão com os seus filhos?

Reportagem: Andressa Ferreira/DOL

Coordenação: Enderson Oliveira/ DOL

Multimídia: Gabriel Caldas/DOL



COMENTÁRIOS mode_comment