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Heróis de todo dia: conheça a história de superpais da vida real

POSTADO EM: Quinta-Feira, 09/08/2018, 10:27:13
ATUALIZADO EM: 10/08/2018, 10:50:01

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Arquivo Pessoal

Trocar a fralda do bebê, levantar várias vezes à noite para conferir a temperatura, preparar a lancheira da escola ou ajudar nas tarefas de casa. Os cuidados que estão na rotina das mães já são parte do cotidiano de muitos pais, que têm assumido a responsabilidade pela criação dos filhos.

O paraense Gabriel Leal é um desses exemplos de pai solteiro. Servidor público, ele cria o filho, Arthur Leal, de 3 anos e 9 meses, desde que se separou.

“Eu e a mãe do Arthur nos separamos quando ele tinha dois anos. Desde aí ele foi morar comigo. Como eu estava numa melhor situação, acabei abraçando a oportunidade de conviver com ele. O Arthur foi muito desejado por mim, que queria muito ter um filho, ainda mais menino, que tem aquela história de vestir roupa igual, de torcer pelo mesmo time de futebol e outras coisas. Então, eu tocava violão para ele desde quando estava na barriga da mãe. Temos toda uma história”, ressalta Gabriel.

Gabriel com o filho Arthur. (Foto: Arquivo pessoal)

O servidor público relembra que no início não foi nada fácil, mas hoje eles são parceiros em tudo. “Ele era muito novinho, tinham algumas coisas que eu não sabia como proceder, tipo dar leite, qual a melhor refeição para ele ou até mesmo uma dúvida se tem que ir ao médico ou tomar um remédio caseiro, por exemplo”.

No início, Gabriel contou com a ajuda dos pais, mas com o tempo, a rotina já fazia parte do seu dia a dia. “Já tem um ano que a gente mora juntos. O Arthur estuda em escola integral que dá tempo deu ir trabalhar e ele está melhor assistido assim, pois faz atividades físicas, tem aulas de inglês, de música e ao mesmo tempo está interagindo com outras crianças. Em contrapartida, eu tento sempre estar presente na vida dele não só na escola, nas atividades que ele tem, mas também fora, sempre acompanhando tudo”, explica.

Gabriel revela que a parceria com o filho é grande e comemora a relação que construiu ao longo desses anos. Mesmo tão pequeno, o pai garante que todo dia aprende algo novo.

“Em casa a gente vai se virando porque temos uma rotina, com os afazeres de casa, tomar banho depois da aula, arrumar as coisas para o dia seguinte, jantar... É uma forma de um ajudar o outro. Falo sempre que o Arthur é muito meu parceiro, me acompanha nas coisas que ele pode estar presente, é uma troca de experiências. Acaba que todo o dia eu aprendo com ele. As vezes a rotina é um pouco cansativa, mas é sempre motivador estar com ele, é uma experiência única", garante o pai coruja.

Quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no crescimento e na educação da criança, melhor é a qualidade da relação que se estabelece entre ambos. É o que garante a psicóloga Flávia Vieira, do Vida Espaço Terapêutico.       

“O pai pode mostrar interesse pela vida escolar do seu filho, participando de atividades, reuniões e comemorações escolares, auxiliando nas lições de casa, interagindo sobre como foi dia na escola com os coleguinhas e professores, por exemplo. Este comportamento favorece o vínculo afetivo e a comunicação entre pai e filho”, explica.

Psicóloga Flávia Vieira explica a importância da presença paterna. (Foto: Arquivo pessoal)

A psicóloga ressalta a importância da criança crescer em um lar no qual pai e mãe estejam presentes, assumindo um papel central no desenvolvimento e estruturação do psiquismo da criança e na formação da personalidade.

“A presença ativa da figura paterna durante os estágios da primeira infância traz benefícios, como fortalecimento do vínculo afetivo e autonomia da criança, pois o pai tem função estruturante, o que contribui com o desenvolvimento socioemocional e cognitivo da criança”, destaca.

Para a especialista, a participação da figura paterna precisa começar ainda antes do bebê chegar, se fazendo presente durante o acompanhamento pré-natal, na realização de exames, consultas, esclarecendo dúvidas quanto ao parto, pós-parto, estabelecendo um investimento afetivo com o bebê.

“O pai não deve ter o papel de tão somente ajudar. Ele deve compartilhar de responsabilidades na criação da criança e assumir a sua função paterna. É importante que os pais saibam que ambos são estruturantes na vida dos filhos”, orienta.

Estudos científicos já comprovaram que a participação ativa do pai promove segurança, autoestima, independência e estabilidade emocional. E o professor Breno Freitas tem consciência do seu papel da vida do filho Pedro, de apenas um ano. Além de ajudar na rotina, com preparo da comida, leite e banho, o pai faz questão de estar em todas as consultas com a pediatra e presente na vida do filho.

“O Pedro tem uma mãe incrível. Procuro estar perto ao máximo com ele, pois acho importante essa relação. Isso com certeza vai contribuir para um crescimento saudável. Espero que possamos manter isso, uma parceria para vida toda. Assistirmos juntos os jogos do Remo, leva-lo para o futebol, participar nas tarefas de casa e, o mais importante será que ele saiba que poderá contar sempre comigo, para a vida inteira”, enfatiza.

Breno com o filho Pedro, o pai e os irmãos. (Foto: Arquivo pessoal)

Breno relembra que desde a descoberta da gravidez começou a viver um amor diferente. A educação que um dia ele recebeu do seu pai é o que ele quer dividir com o filho.

“Sempre quis ser pai. O Pedro foi planejado, mas não foi fácil desde a decisão de tê-lo. Quando descobrimos foi uma felicidade incrível, fui surpreendido pela minha esposa com uma caixa de presente e dentro tinha um par de sapatinho, tipo chuteira e uma cartinha. Nem sabíamos se seria menino ou menina, mas naquele momento comecei a viver um amor diferente, amor de pai. Hoje eu sei o que é isso. Tenho com espelho meu pai. Agora chegou a minha vez de educar meu filhote”, diz ele orgulhoso.

Breno também faz questão de deixar um recadinho aos papais de plantão. “O conselho que dou é que participem mesmo, faça tudo que puder para estar sempre perto do seu filho. Eles são fontes expiradoras e conseguem acabar com qualquer cansaço ou dor. Jamais diga que falta tempo ao seu filho, o tempo voa e quando perceber, eles estarão saindo de casa. Não criamos filhos pra gente, criamos para o mundo”.

Ausência paterna e seus impactos

Segundo a psicóloga, a ausência paterna pode gerar um sentimento de instabilidade emocional, isolamento, hostilidade, que pode influenciar como a criança poderá lidar com os seus relacionamentos futuros.

“Existem muitos pais que não ocupam este lugar, seja por não desejarem ou por acreditarem que não podem ocupar. Por outro lado, há também muitas mães que sentem-se prejudicadas no relacionamento conjugal e que evitam a aproximação do pai com o filho, e isto pode acarretar em prejuízos no sentido da importância da função paterna no psiquismo infantil e do seu impacto no desenvolvimento cognitivo, social e emocional os filhos”, explica.

Flávia Vieira destaca que se o pai está ausente, outros modelos virão ocupar esse vazio, com grande probabilidade de não serem modelos propriamente “adequados”.

“O exercício da função paterna pressupõe muito mais do que a simples presença masculina na relação com o bebê.  A função paterna, pode ser exercida por outra pessoa que ocupe este lugar desde que haja amor, respeito, que a pessoa participe da vida da criança e que tenha um vínculo satisfatório. A presença paterna na família é diferente e complementar a materna. Os filhos necessitam de apoio, segurança e de valores do pai ou quem assuma a função paterna, pois procuram no seu pai um modelo com o qual possam se identificar”, ressalta.

No entanto, para a especialista, se os pais participarem e definirem em conjunto como querem educar seus filhos, poderão reforçar os seus papéis e darão a eles um modelo de crescimento saudável, harmonioso e equilibrado com todas as condições para que o filho possa viver de forma mais estruturada e feliz.

“A relação afetiva entre pais e filhos precisa ser construída. Fazer parte da vida de um filho é fazer parte de seu mundo, é conhecê-lo. Tenha um tempo junto de qualidade. Uma forma de fazer isso é através de brincadeiras, pois através do brincar a criança consegue expressar os seus pensamentos, sentimentos e emoções. Procure manter contato visual enquanto se comunica com o filho. Não compense a ausência com presentes materiais, o melhor presente é a presença. Seja carinhoso com seu filho, proporcione espaço para falar sobre como se sente e o encoraje. Estabeleça limites e regras, e chame atenção quando for necessário, para que aprenda a lidar com a frustração”, recomenda.

Reportagem: Andressa Ferreira/DOL

Coordenação: Enderson Oliveira/ DOL

Multimídia: Gabriel Caldas/DOL



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