AVÓ

Mãe da mãe: a graça e o prazer de amar intensamente, de novo

POSTADO EM: Sexta-Feira, 11/05/2018, 17:32:26
ATUALIZADO EM: 11/05/2018, 17:32:26

Se ser mãe é mergulhar em um universo completamente novo de desafios e descobertas, imagine o que sente a mulher que se torna avó. O ditado popular traz que “ser avó é ser mãe em dobro”. É que, no começo, ela desempenhava um papel importantíssimo na vida dos filhos – especialmente na infância, na adolescência e nos primeiros anos da vida adulta. Ao se tornar avó, essa mulher dá início a uma jornada incrivelmente prazerosa de cuidar e amar os netos sem as responsabilidades de educá-los com regras que, muitas vezes, causam conflitos. “Elas podem ser grandes coadjuvantes nos cuidados com os netos. Podem ser excelentes auxiliares na resolução de conflitos. Mas não podem criar conflitos”, lembra a psicóloga Joelina Abreu, do Hapvida Saúde.

Independentemente de ser a mãe do pai ou a mãe da mãe, a avó vê no nascimento dos netos a chance de experimentar uma nova maternidade. Mas, em especial, a mãe da mãe se vê ainda mais envolvida, muitas vezes, na vida dos netos. “É que essa avó materna viu a filha sofrer todas as mudanças no corpo, viu a filha madrugar acordada por não conseguir dormir com o barrigão, viu a filha parir e levar um tempo para se recuperar, viu e acompanhou a depressão pós-parto; essa avó chora quando vê a filha ser julgada, ela sente de novo as dores que um dia já sentiu, mas agora por outro prisma”, revela Joelina Abreu. 

Seguindo os passos 

É exatamente essa a relação que dona Célia Amaral (67) tem com a única filha, Renata Amaral da Silva, e com os netos, Guilherme (6) e Giovana (4). Senhora de espírito jovem e alegre, dona Célia viu a vida pesar um pouco mais quando ficou viúva; a filha, Renata, tinha apenas 1 ano de idade. O marido sofreu um acidente de carro no dia em que completava 30 anos. “Se hoje em dia é difícil criar sozinha uma criança, imagine naquela época. Mas eu era bem jovem e fui à luta”, conta dona Célia. Dona de uma loja de roupas, ela batalhou pela educação de Renata, que destaca o desprendimento da mãe: “Mamãe, apesar de muito jovem, decidiu não se casar novamente e, então, dedicou a vida a cuidar de mim e do meu avô, pai dela, que já era viúvo nessa época”, emociona-se Renata Amaral. 

Todo esse cuidado e dedicação da pernambucana, que hoje mora com a filha, os netos e o genro em São Luís, deram a ela momentos colecionáveis e memoráveis nos álbuns de emoções da vida, com direito a algumas peregrinações pelo Brasil. Renata, quando se formou em Direito, fez concurso e foi morar em Fortaleza, para onde levou a mãe logo assim que chegou lá. Da capital cearense, a dupla inseparável se mudou para a capital maranhense, já que o marido de Renata havia passado em um concurso público em São Luís. “Pedi remoção pra São Luís por causa do meu esposo e trouxe mamãe junto; sou filha única por parte de mãe; sempre deixei claro que quem casasse comigo levava o pacote completo e meu esposo sempre foi tranquilo quanto a isso”, diverte-se Renata, que é oficial de Justiça. Hoje, dona Célia mora em um apartamento construído no quintal da casa de condomínio onde Renata e o marido moram com as crianças. 

De 2008, quando a família Amaral da Silva chegou a São Luís, até aqui, já foram inúmeros os momentos de alegria. Em 2011, dona Célia se tornou avó pela primeira vez, com a chegada de Guilherme, o primogênito do casal Renata e Toni. Em 2013, a vovó participativa atuante na educação do neto e ganhou mais uma vidinha para ajudar a cuidar, a da caçula Giovana. “Hoje em dia eu não tenho mais babá pras crianças, mas mesmo quando eu tinha, mamãe fazia questão de fazer a comida das crianças. Ela cuida, dá banho, faz carinho, dá bronca. E sempre está com eles, inclusive nas férias”, orgulha-se Renata, a filha babona. 

Educação compartilhada 

A psicóloga Joelina Abreu ressalta que esse tipo de relação é muito saudável, principalmente, para os netos, que têm por perto sempre alguém que os ama e os protege. Mas a especialista pondera que, em algumas circunstâncias, a interferência da avó – e do avô também, quando for o caso – precisa ser limitada. “Tem muitas avós que acham que são as mães das crianças, acham que os filhos não cresceram e se metem demais na vida do casal. Todo mundo ama e quer o bem da criança, mas às vezes a jovem mãe se sente mal, porque se sente julgada, desprezada, criticada”, alerta Joelina. 

A dica da psicóloga é que a avó, por mais madura e responsável que seja, espere ser requisitada. “Ofereça ajuda, mas não se meta para não ser mal interpretada. Os tempos mudaram e o que você aprendeu no passado talvez não sirva mais agora”, exemplifica a psicóloga. 

No lar da família de Renata, apesar de dona Célia também demonstrar proatividade para ajudar em tudo com as crianças, ela sabe que nem tudo é como ela imagina que seria ideal. “Mamãe não tira as minhas ordens não, mas quando fico brava e ameaço dar palmada, ela vem toda calminha e pede pra eu ir devagar e esquecer isso, porque, de fato, mamãe nunca me bateu e eu era muito obediente a ela”, conta Renata. 

Agora, que já está perto de completar 70 anos de idade, esta grande vovó coruja é reconhecida, valorizada e muito amada pela família inteira. “Mamãe é uma super mãe, avó, sogra, tia, irmã. Ela ama intensamente e me ensinou isso. Hoje acho que minha mãe é mais uma filha pra mim. Noto os papeis se invertendo aos poucos, mas isso não me assusta, pelo contrário, faço tudo por ela, que, ao lado do meu esposo, que é meu grande alicerce. Esperamos poder ainda desfrutar por muitos anos de sua presença física, do carinho, do afago e dos cuidados tão especiais”, derrete-se Renata.

(Com informações do Hapvida Saúde)



COMENTÁRIOS mode_comment