VAI MALANDRA

'Biquíni da Anitta', de fita isolante, vira mania entre paraenses na busca por bronzeado

POSTADO EM: Domingo, 04/02/2018, 14:17:34
ATUALIZADO EM: 04/02/2018, 14:19:10

zoom_out_map
Octávio Cardoso/Diário do Pará

Não se sabe ao certo onde e como surgiu a ideia, mas a moda ganhou corpo em uma laje no bairro de Realengo, Rio de Janeiro, para onde dezenas de cariocas vão todos os dias atrás de Érika Martins, a famosa Érika Bronze, uma espécie de autoridade nacional quando o assunto é a marquinha perfeita. Aos poucos e discretamente a onda foi se espalhando pelo país, mas estourou mesmo depois do clipe “Vai Malandra”, que mostra a cantora Anitta usando a mania da vez: o biquíni de fita isolante.

Algodão úmido é aplicado nos mamilos e sobre o púbis para evitar queimaduras. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

O Pará, é claro, não ficou de fora da nova onda. Nos últimos meses, lugares para bronzeamento com o tal biquíni começaram a se proliferar por Belém e Ananindeua. E, depois do clipe, as lajes e pátios das casas que oferecem o serviço se tornaram ainda mais disputados por mulheres de todas as idades e classes sociais. “Atendemos à gordinha, à magrinha, à mãe, à filha. Havia um preconceito com esse tipo de bronzeado. Muita gente achava que era coisa da periferia, mas, com as famosas usando, todo mundo passou a procurar. Tenho clientes que são juízas, médicas, advogadas”, orgulha-se Bruna Gomes, 22, que entrou no negócio de bronzeamento há um ano e meio e chega a atender até 40 mulheres em um único dia.

Biquíni de fita isolante demora 10 minutos para ser moldado no corpo. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

A clínica de Bruna é exclusiva para mulheres. Um segurança barra o fotógrafo do DIÁRIO, que só pode entrar após a autorização das clientes. Quando o portão é aberto, os vários carros estacionados indicam que o lugar está movimentado, mas a área em volta da piscina está vazia e silenciosa.

É preciso seguir um pouco mais até o pátio destinado ao bronzeamento. A área recuada é tomada por cadeiras e mesas de madeira onde cerca de 20 mulheres usam biquínis de fita isolante, alguns até com brilho. “Elas fazem questão do acabamento porque querem postar fotos nas redes sociais”, explica Bruna. 

Tabela controla o tempo de exposição de cada cliente. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

A empresária conta que o negócio surgiu quando a mãe - “louca por bronze” - procurou o serviço em Belém. Encontrou, mas não gostou do resultado. “Vimos que faltava um lugar assim, mais profissional. A gente tinha esta casa, então decidimos investir”, explica. Bruna faz questão de dizer que para começar o negócio fez vários cursos em Manaus e Fortaleza, onde mora Patrícia Lobo, mais uma autoridade nacional no assunto.

Foi Patrícia Lobo que serviu de inspiração para outra empresária paraense, Hanna Guarany, 26 anos. “Vi uma entrevista na TV, tinha o espaço e resolvi investir. Fiz cursos com a própria Patrícia”, orgulha-se.

Bruna Gomes chega a atender até 40 mulheres por dia. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

PROTOCOLO

Com algumas variações, o que as donas das clínicas de bronzeamento natural chamam de protocolo segue uma receita básica e, pelo jeito, infalível. Antes da exposição ao sol, as clientes precisam limpar bem o corpo. “É para evitar resíduos de materiais ácidos que podem causar manchas”, explica Hanna.

A montagem do biquíni demora em média 10 minutos. As áreas mais sensíveis como os mamilos são protegidas com algodão. Pronto o biquíni, as clientes são besuntadas com cremes que podem ter como base óleo de urucum, cenoura, beterraba, açaí, chocolate, café. O passo a passo é quase como uma linha de montagem. Um quadro com os nomes e os horários ao lado é usado para controlar a exposição ao sol de cada cliente.

É preciso ir virando o corpo para garantir que o bronzeado fique uniforme. Frente, costas, lado. A cada dez minutos, jatos de água são usados para amenizar o calor. O serviço inclui água e sucos de beterraba e cenoura. “Hidratam e aceleram o bronzeado”, explica Bruna.

Clientes recebem jatos d'água a cada 10 minutos. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

O processo todo pode durar até duas horas, dependendo do tipo de pele. Depois é só tirar a fita e está pronta a marquinha que será exibida nas baladas, praias e blocos de carnaval da cidade.

DERMATOLOGISTA ALERTA PARA OS RISCOS

Apesar das empresárias baterem na tecla de que o processo é seguro e atende a um protoco cuidadoso para evitar queimaduras, o bronzeamento com o biquíni de fita isolante tem um inimigo de peso: a Sociedade Brasileira de Dermatologia. O presidente da Regional Paraense da entidade, Walter Refkalefsky, diz que o ideal é evitar esse tipo de exposição prolongada ao sol. “Temos os problemas de curto prazo, como queimaduras e insolação, e os de longo prazo, como o câncer de pele”, alerta. Refkalefsky afirma também que é preciso atenção com o uso da própria fita isolante, que pode causar alergias e queimaduras. “Nossa pele é como um copo vazio que vai enchendo com a exposição ao sol. Exposição prolongada enche o copo mais rápido e, quando ele transborda, temos o câncer de pele. O problema é que, uma vez cheio esse copo, não pode ser esvaziado, então o ideal é evitar longas exposições ao sol”, orienta.

Em Icoaraci, mulheres relaxam ao sol em busca da marquinha ideal. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

PARA FICAR BEM NA FOTO

Na quinta-feira, 1º, a estudante Caroline Madureira, 23 anos, decidiu fazer a terceira sessão de bronzeamento. Era véspera do seu aniversário e ela queria se sentir bonita na balada programada para o dia seguinte. “Sinto que aumenta a minha autoestima”, justificou. 

Também na quinta-feira, Jenifer Saldanha, 21, decidiu fazer a primeira sessão. “Vim por curiosidade e gostei”, disse. A modelo Bruna Tenório, 19 anos, perdeu a conta das vezes em que usou o famoso “biquíni da Anitta”. “A gente fica mais bonita. Até as fotos saem melhor”, garantiu. 

A modelo Bruna Tenório afirma que a marquina deste tipo de biquíni deixa as fotos mais bonitas. (Foto: Octávio Cardoso/Diário do Pará)

PREÇOS

Os preços das sessões de bronzeamento variam de R$ 55 a R$ 100, dependendo do serviço pedido. Os pacotes mais caros incluem descoloração de pelos e banho de lua. 

FATURAMENTO

Na clínica de Bruna, em Icoaraci, trabalham sete pessoas. “Todas são mulheres para deixar as clientes mais à vontade”, diz. Nos meses de pico, como julho, o faturamento do negócio pode chegar a R$ 30 mil.

SÓ MULHERES

Hanna emprega quatro pessoas. A clínica, que funciona no alto de um hotel na Cidade Nova 5, só recebe 15 clientes de cada vez. Nos meses de alta temporada, o faturamento pode chegar a R$ 18 mil.

(Rita Soares/Diário do Pará)



COMENTÁRIOS mode_comment