BENEFÍCIO

Juízes dizem que mobilização não é só por auxílio, mas por valorização

POSTADO EM: Quinta-Feira, 15/03/2018, 18:50:08
ATUALIZADO EM: 15/03/2018, 22:28:46

Juízes federais em São Paulo que participam das manifestações organizadas pela classe nesta quinta-feira (15) adotaram o discurso de que a mobilização é para pedir a valorização da categoria e disseram que a manutenção do auxílio-moradia é apenas uma das várias reivindicações.

Inicialmente, o protesto foi visto como uma pressão da classe pela manutenção do benefício.

Lideranças dos magistrados e dos procuradores federais reunidas em uma das sedes do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), na avenida Paulista, evitaram chamar o movimento de paralisação ou de greve, já que, segundo eles, o trabalho não parou.

Quando a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) anunciou o protesto, no dia 1º de março, nota oficial da entidade dizia que os associados haviam decidido "pela realização do movimento com paralisação no próximo dia 15 de março". Nesta quinta, a entidade disse à reportagem que "mantém o posicionamento de que é paralisação".

Segundo os porta-vozes na capital paulista, os servidores do Judiciário se ausentaram do trabalho só no momento do encontro no auditório do tribunal, que durou aproximadamente uma hora e meia, no meio da tarde. Cerca de 150 pessoas, algumas com adesivos na roupa com alusão à paralisação, foram ao local e ouviram discursos de sete representantes de organizações de classe.

Entre as associações presentes estavam a Ajufe -principal mobilizadora-, a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT).

As falas criticaram o que é chamado de ameaça à magistratura, resultado do trabalho de juízes que tratam de interesses contrários aos da classe política. Um dos exemplos de retaliação e intimidação, segundo eles, é o projeto de lei que prevê punição a magistrados e integrantes do Ministério Público por abuso de autoridade.

"Nós estamos defendendo a nossa independência funcional, a nossa liberdade de atuação e a nossa dignidade remuneratória", disse Carlos Delgado, diretor da Ajufe e desembargador do TRF-3. Segundo a associação, há uma defasagem acumulada de mais de 40% no valor do salário de juízes e procuradores nos últimos sete anos.

Membros do movimento defenderam tratamento uniforme para as carreiras jurídicas, já que, segundo eles, outras categorias têm recebido reajustes que não são dados aos juízes federais.

"Não somos contra discutir remuneração de juiz, mas, da forma como ela está colocada hoje, há uma injustiça", afirmou Bruno César Lorencini, presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp).

"Essa mobilização de hoje não é uma defesa de privilégios. Ninguém, nunca, nesta associação de juízes federais, defendeu a existência de privilégios, de salários de marajás. O que nós defendemos é uma remuneração justa e um um Judiciário forte", disse Lorencini.

O juiz Marcelo Pallone, representante da Associação dos Magistrados do Trabalho da 15ª Região (Amatra 15), afirmou que o movimento "vai muito além de uma insurgência qualquer com a possível perda da ajuda de custo para moradia".

"Nós jamais faríamos um movimento para pressionar a nossa corte maior a deixar de prolatar um julgamento", disse Pallone. No próximo dia 22, o STF (Supremo Tribunal Federal) julgará o auxílio-moradia pago a juízes de todo o país.

De acordo com balanço da Ajufe, houve adesões ao movimento em dez estados e no Distrito Federal. Dos 1.796 juízes federais do país, cerca de 800 participaram dos atos, disse a entidade.

Ainda segundo a associação, os casos urgentes e audiências com prazos inadiáveis ocorreram normalmente. "O mesmo aconteceu com demandas de juízes substitutos que também não podiam paralisar as atividades", afirmou.
(Folhapress)

LEIA TAMBÉM



COMENTÁRIOS mode_comment