CLAYTON MATOS

Leia a coluna 'Bola pro Matos': Professores à prova

POSTADO EM: Domingo, 20/01/2019, 10:06:48
ATUALIZADO EM: 20/01/2019, 10:06:48

O Paysandu inicia 2019 repetindo a mesma estratégia implementada na virada da temporada anterior, ao manter a comissão técnica que encerrou o Brasileirão, emendando aos preparativos para o Estadual e competições do ano seguinte. Em 2018, não deu muito certo. Os dirigentes, na época, estavam certos de que Marquinhos Santos, que fez uma campanha apenas discreta na reta final da Segundona, mereceria estender seu contrato. Não deu muito certo. Bastaram alguns maus resultados no Parazão e o clube o mandou embora.

Neste ano, a aposta bicolor está em João Brigatti, que foi o treinador da queda para a Série C. Embora tivesse lastro para evitar a derrocada, também teve a seu favor o fato de pegar um elenco ruim tecnicamente e um time praticamente com os dois pés na cova. Só mesmo um milagre para segurar o clube na Segundona. Ele não veio. Brigatti deixou boa impressão basicamente por alguns jogos antes do rebaixamento, mas tem pouca experiência à frente de uma comissão técnica.
Só começou a enveredar pela carreira no ano passado, quando foi içado da condição de auxiliar a técnico da Ponte Preta. Logo, não se tem ainda uma definição clara sobre seu estilo de comandar uma equipe. Sabe-se que é um profissional que gosta muito de dar treinos, que passa vibração nos trabalhos, porém só poderemos ver todas essas virtudes consolidadas quando a bola rolar. Como pôde iniciar um trabalho e indicar as peças que gostaria de contar, a expectativa é das melhores.

Do outro lado da Almirante, João Nasser, o Netão, igualmente novato na carreira de treinador profissional, é um dos principais reforços do Remo na temporada. Deixou a melhor das impressões no ano passado ao conduzir o limitado time azulino na campanha contra a queda para a Série C. Pegou uma equipe esfacelada, sem brio, fraca tecnicamente, e deu à ela uma fisionomia apresentável. O suficiente para eliminar qualquer risco de mais um vexame. Em comparação a Brigatti, está em um estágio mais avançado. Tem o carisma da torcida e já sabemos como gosta de coordenar suas equipes.

Ambos são novos no cargo, mas muito experientes no mundo da bola. Enquanto Brigatti tem no currículo boas passagens como goleiro em times competitivos e com camisa pesada, e também sendo auxiliar-técnico por muitos anos, Netão possui um conhecimento aguçado sobre táticas e estilos de jogo. Nada que o sobreponha a Brigatti, são apenas virtudes de cada um, e cabe a eles saber explorar o que têm de melhor e saber expressar tudo isso aos seus comandados.

Os professores são, sem dúvida, as atrações à parte de Leão e Papão na temporada que oficialmente está começando. Que a paciência e a convicção aos trabalhos dos dois sejam mantidas pelas diretorias por um bom tempo, em que pese um eventual período turbulento, o que é plenamente natural. A persistência e firmeza na tomada de decisões podem render bons frutos ao fim da temporada.



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