ELEIÇÕES AZULINAS

Veto ao voto do sócio-torcedor no Remo gera insatisfação aos que adquiriram o Nação Azul

POSTADO EM: Domingo, 07/10/2018, 10:36:25
ATUALIZADO EM: 07/10/2018, 10:36:25

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Wagner Santana

No dia 29 de setembro, na sede social da Avenida Nazaré, foi realizada uma Assembleia Geral no Clube do Remo para análise de emendas ao estatuto interno. Mais de 40 propostas foram recebidas ao Conselho Deliberativo (Condel), das quais somente 13 foram aprovadas pelo quórum de pouco mais de 120 associados presentes. Com o número grande de reprovações às sugestões, no entanto, uma em especial não foi bem aceita pela torcida em geral, que foi negar o direito de voto dos sócios-torcedores nas eleições presidenciais.

Ao longo da semana passada, o assunto contagiou os grupos de torcida nas redes sociais. Conforme as reclamações, a negativa acaba por restringir o futuro do clube nas mãos de um grupo pequeno de membros. Para se ter uma ideia, hoje somente os sócios-proprietários e os remidos têm direito a voto no pleito presidencial.

No entanto, o número somado dos filiados não corresponde necessariamente ao que pensa a massa de torcedores, pois, a agremiação possui apenas cerca de 1,2 mil sócios-proprietários e 400 remidos. Mesmo sem o grande atrativo, que é a atividade do futebol profissional, o programa Nação Azul possui hoje 1,5 mil de adimplentes na pasta, de um total superior a 20 mil cadastrados.

Apesar do trabalho atual feito pelos diretores do programa em oferecer parcerias e benefícios aos que mantêm regularidade na mensalidade, a limitação com os integrantes da pasta no dia a dia da instituição acaba por afastar o cadastramento de novos membros. Via de regra, o direito ao voto poderia motivar novas adesões e receitas ao clube. “A gente busca entender tudo o que ocorre no nosso clube, mas as coisas ficam cada vez mais fechadas. Em um clube do tamanho do Remo isso não pode existir”, esbravejou o sócio-torcedor Gabriel Santos.

“REGALIAS”

Segundo participantes na Assembleia Geral, um dos fatores que impediram a vigência da emenda, que teria validade somente a partir da eleição de 2021, os componentes do Nação Azul estariam tendo “regalias”, pois o valor do título das respectivas associações são distintas. Enquanto o título do proprietário custa pouco mais de R$ 900, mais a manutenção, no sócio-torcedor é necessário adesão no valor de R$ 30 e pagar a mensalidade de R$ 60 no plano Ouro, que permite entrada gratuita aos jogos nas arquibancadas. Procurados pela reportagem, alguns sócios-proprietários preferiram não comentar o assunto.

NÚMEROS

Votantes nas eleições

1,2 mil - sócios-proprietários
400 - sócios-remidos

Na contramão da modernidade

No Inter, o programa de sócio-torcedor conta com cerca de 112 mil filiados que podem votar nas eleições do clube até pela internet 

Um ponto que precisa ser destacado na proposta de emenda foi em cima da efetividade do programa sócio-torcedor. Por ser o mais requerido pelo clube, sobretudo em momentos de adversidade, a participação em voto foi o mínimo considerado pelos formuladores da sugestão.

Para o membro do Conselho Fiscal (Confis), Conselho Deliberativo (Condel) e do movimento Mudaremos, que busca uma reorganização interna, Dirson Neto, a falta de zelo com o tópico representa o retrocesso atual da agremiação. “Grandes clubes do nosso País já aderiram a tal modelo. Por que aqui tem que ser diferente? Ninguém está em busca de poder, mas sim de uma democracia. O Remo é um clube conhecido pela sua massa, torcida. Por que não trazê-la ao seu lado?” questionou.

Na última eleição azulina, em 2016, que elegeu Manoel Ribeiro presidente e Ricardo Ribeiro vice, apenas 1.009 votos foram computados. O número é irrisório comparado com a da eleição do mesmo ano do Internacional-RS, que movimentou mais de 13 mil participantes, já com a participação do sócio-torcedor, inclusive, com votos registrados pela internet para quem estiver fora de Porto Alegre.

A inciativa fez com que o clube sempre ficasse configurado no top 10 dos programas de sócio-torcedor, hoje na sexta colocação, com mais de 112 mil filiados.

OUTROS CLUBES

Clubes como o Fluminense-RJ e Santos-SP também aderiram a tal modelo de encaixe para a participação do considerado torcedor comum. Como vantagem, a comercialização de produtos das equipes, além da visibilidade fora do município-sede, ampliou a receita.

Os exemplos para a repaginação nos respectivos estatutos são oriundos de uma prática considerada normal na Europa. Na Espanha, em 2010, o Barcelona registrou mais de 57 mil votos de sócios. “São coisas básicas que podem fazer o Remo respirar como um clube grande. A participação faria total diferença nas eleições. Infelizmente, quem perdeu não foi somente o torcedor, mas também a agremiação”, lamenta Dirson Neto.

Aos que podem votar, corram!

A escolha pela nova equipe de diretores que vai assumir o Clube do Remo pelos próximos três anos ainda está na mão dos sócios-proprietários e sócios remidos. No entanto, o título, por si só, não garante o voto.

Em caso de irregularidade, como atraso no pagamento de mensalidades, o associado terá o direito a voto vetado. Por isso, até o próximo dia 10, os membros da categoria terão de regularizar a sua situação se quiserem participar do futuro da equipe.

“Esperamos sempre contar com a participação do nosso grupo de associados. É um momento impar para o nosso clube e que esperamos contar com todos”, destacou Angelo Carrascosa, presidente do Conselho Deliberativo (Condel).

(Matheus Miranda/Diário do Pará)



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