CADÊ ELE?

Goleiro Marcão está praticamente esquecido no elenco e deve deixar o clube ao final do ano

POSTADO EM: Domingo, 07/10/2018, 10:13:39
ATUALIZADO EM: 08/10/2018, 08:50:06

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Jorge Luiz/Paysandu

Há tanto tempo sem jogar, desde abril para ser exato, o goleiro Marcão ou Marcus Milanezi, como também chegou a ser chamado para diferenciá-lo do atacante Marcão, de péssima lembrança para a Fiel, praticamente amarga o ostracismo na Curuzu. O esquecimento do atleta só não é completo por ele ser relacionado para compor o banco de reservas do time na maioria das partidas. Boa parte dos torcedores, sobretudo os menos atentos, chega mesmo a ter dúvida se o arqueiro, nascido em Serra, no Espírito Santo, ainda segue fazendo parte do elenco do clube.

 A experiência de esquentar o banco de reservas não chega a ser uma coisa inédita na passagem de Marcão pela Curuzu. Em 2015, quando chegou ao Papão, vindo do ASA-AL, ele já encontrou Emerson reinando sob os três paus da meta bicolor. Foi uma temporada inteira apenas assistindo o companheiro de posição se desdobrar em defesas que o transformaram em um grande ídolo da Fiel. Com o adeus de Emerson, em 2017, por falta de acerto financeiro entre ele e a direção do Paysandu, Marcão acabou sendo, de forma natural, alçado à condição de titular do gol do Papão.

Antes, em 2016, ele ainda chegou a fazer 6 partidas, substituindo o titular da posição, que, naquele ano, atuou em 60 partidas do time. Uma senhora diferença. Ainda em 2017, seu último ano na Curuzu, Emerson ainda chegou a fazer 53 jogos, contra apenas 11 de Marcão. A confirmação de dono da camisa 1 da equipe só viria a ser garantida por Marcão no final de 2017, quando se concretizou a saída do ex-goleiro do clube. Mas o reinado de Marcão não durou muito tempo. Foram apenas 17 partidas este ano na condição de titular.

O arqueiro passou a ter sua escalação questionada pelos torcedores após a perda do título do Estadual para o maior rival, o Clube do Remo, que acumulou uma sequência de 4 vitórias no clássico, garantindo a conquista local. Marcão começou a ser marcado pela Fiel depois de falhar seguidamente na cobrança de tiros de metas diante do Leão, em jogo ainda do primeiro turno do Parazão. Foi o começo da fase ruim do atleta no Paysandu, agravada com a contratação de Renan Rocha, vindo do Bragantino-SP e que assumiu o gol bicolor, disputando a Copa Verde e Série B do Brasileiro.

Desde o início do Nacional até agora, Renan, de 31 anos, tem se mantido como titular, em que pese as críticas recebidas dos torcedores em alguns jogos. Críticas bem mais amenas, diga-se, que as sofridas por Marcão, que, tudo indica, deve deixar à Curuzu após a temporada, sem grandes lembranças do clube.

Retorno ao time ficou no quase

A volta de Marcão ao gol do Paysandu chegou a ser cogitada pelo técnico João Brigatti após a derrota do Papão, em casa, frente ao Goiás-GO. A falha cometida por Renan Rocha, que soma 36 jogos pelo time, em dois gols na vitória do Goiás-GO por 3 a 2, desagradou ao torcedor do Papão e, inicialmente, até mesmo o treinador, que em sua época de jogador atuou na posição. Brigatti chegou a informar que consultaria o seu assistente, Edson Girardi, preparador de goleiros, sobre o assunto.

“Em relação à troca de goleiro, é o nosso treinador de goleiros que tem que avaliar. Vamos conversar com ele para definir isto”, anunciou o treinador. Mas o retorno do ex-titular acabou ficando apenas na possibilidade. Após consultar Girardi, como prometera, Brigatti resolveu manter Renan no 
gol e foi até mais além. Ele, surpreendentemente, deixou Marcão de fora da relação de jogadores para a partida seguinte do time, contra o CSA-AL, jogo em que o Papão caiu, por 1 a 0, em Maceió, desta vez sem que Renan tenha sido o responsável pelo revés.

Com a lembrança do jovem Paulo Ricardo para a reserva de Renan no jogo passado, é provável que Marcão tenha de se desdobrar ainda mais nos treinamentos e esperar por uma falha gritante do companheiro de posição para reassumir o gol bicolor. Sem falar que precisa contar com a benevolência de Brigatti na escolha, visto que o treinador não teme arriscar na escalação de um goleiro imaturo, como Paulo Ricardo, jogador de 22 anos e que, desde 2016 no elenco, ainda não fez um só jogo pelo time.

A hora é do companheiro. E tudo bem

Com 33 jogos pelo time, dos quais uma sequência de 17 partidas, todas em 2018, o goleiro Marcus Vinícius Fraga Milanezi, este é o seu verdadeiro nome, embora seja conhecido como Marcão, encarou o banco de reservas do goleiro Renan Rocha com toda a naturalidade. Pelo menos é o que assegura o preparador do clube, Edson Girardi, que divide com o ex-goleiro Ronaldo a responsabilidade de deixar os jogadores da posição do elenco bicolor em condições de defender o time bicolor.

“O Marcão teve a oportunidade dele, na verdade, e teve uma situação que o Renan vinha apresentando um bom rendimento nos treinamentos e resolvemos lhe dar uma oportunidade”, explicou Girardi. “O Marcão respeitou o companheiro, como todos os goleiros que deixam a equipe quando um companheiro ganha a oportunidade de jogar”, contou. De acordo com o preparador, que convive boa parte de seu dia a dia com o atleta, o fato de os jogadores gozarem de grande amizade entre eles, tem contribuído para esse entendimento.

“A gente trabalha como se fosse uma família. Esse é o ambiente que acontece entre todos nós, os jogadores da posição e os preparadores. Há sempre um grande respeito”, argumentou Girardi. “Dessa maneira, o Marcão respeitou a decisão de ceder a vaga que ele ocupava para o Renan, que vem sendo o goleiro titular no momento”, arrematou o preparador do Papão, que teve participação decisiva na permanência de Renan Rocha como titular da posição, quando havia a possibilidade de Marcão retomar a posição.

Preparador avalia jogadores da posição

Há tanto tempo sem disputar uma partida pelo Paysandu, o retorno de Marcão ao time no jogo passado, como chegou a ser cogitado pelo técnico João Brigatti, poderia trazer dissabores ao atleta e, consequentemente, ao time. Segundo o preparador de goleiros do Papão, Edson Girardi, de 50 anos, o fato de um atleta da posição ficar por um longo tempo sem atuar poderá fazer com que ele tenha os seus reflexos, principal requisito para quem joga na posição, comprometidos.

“Qualquer goleiro precisa ter uma sequência de jogo. É bem melhor para ele neste quesito, com certeza”, afirmou Girardi, que trabalha na Curuzu preparando os arqueiros do clube há dois anos e dois meses. Numa avaliação, Girardi acredita que os jogadores da posição do elenco, que são num total de quatro, estão hoje num nível técnico parecido. Ele ressalta, porém, que Gabriel Bubiniack e Paulo Ricardo, por serem bem mais jovens, precisam de mais maturidade, o que será conseguido com o tempo.

Analisando especificamente a carreira de Paulo Ricardo, que esteve no banco de reservas contra o CSA, o preparador comentou: “O Paulo é um goleiro promissor. Acredito que quando ele tiver a oportunidade, com toda a certeza, dará um bom retorno, pois como afirmei, é um atleta de qualidade”, afirmou.

OUTRO LADO

Em resposta ao conteúdo publicado pelo caderno Bola, do jornal DIÁRIO DO PARÁ, na edição do último domingo (7), o Paysandu Sport Club esclarece os seguintes fatos: o atleta Marcão tem contrato vigente até novembro deste ano, treina normalmente com o restante dos jogadores da equipe de futebol profissional e segue à disposição da comissão técnica para a sequência da Série B do Campeonato Brasileiro. O clube também esclarece que em momento algum houve conversa sobre dispensa com o arqueiro. Por fim, o Paysandu Sport Club lembra que Marcão é o atleta mais antigo do grupo e que em quatro temporadas conquistou um bicampeonato paraense e um bicampeonato da Copa Verde.

(Nildo Lima/Diário do Pará)



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