HISTÓRIA DE JOGADOR

Andrey Coutinho: a volta ao mundo do futebol

POSTADO EM: Domingo, 05/08/2018, 10:58:24
ATUALIZADO EM: 05/08/2018, 11:21:35

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Irene Almeida/Diário do Pará

Depois de muitos anos fora do Brasil, encarando as diferenças culturais e geográficas, o paraense e jogador de futebol Andrey Coutinho, 28, que atualmente está Belém, conta como foi o início da carreira e principalmente a decisão de encarar o desafio de jogar em clubes estrangeiros e viver experiências incomuns.

Com oito anos de idade, ele teve o primeiro contato com aquilo que o levaria a ganhar o mundo, o futsal. Os primeiros anos praticando esse esporte jogando no Pará Clube e revezando ainda com passagens entre Remo e Paysandu, fez com que o ainda menino, de 10 anos, iniciasse os testes no futebol de campo, onde, em Belém, ficou até o sub-20, no Paysandu.

“Mesmo ainda muito novo, minha vida era muito corrida. Eu jogava futsal no colégio, futsal no clube e no campo, pelo Paysandu, e chegava muitas vezes a ter durante o dia três treinos”, relembra o atleta paraense. Quando ainda jogava no sub20, Andrey foi para o Rio de Janeiro, onde atuou no Bonsucesso e no Boa Vista, retornando para a capital paraense dois anos depois, para defender o Paysandu, no time profissional, ainda em 2011, para no ano seguinte iniciar uma grande aventura profissional.

"Enquanto jogava no Rio de Janeiro, fiz muitas amizades com treinadores e jogadores, e foi de um treinador do Rio que assumiu um time em Myanmar (país do Sul da Ásia) que recebi a proposta de jogar fora com ele e aceitei. Para o jogador local, as oportunidades aqui são muito difíceis e, quando recebi a proposta, não pensei duas vezes", explicou Coutinho.

APOIO

Andrey namorava Ewelise de Oliveira Coutinho quando iniciou a carreira fora do País, e o apoio da namorada e dos pais na época foi fundamental para que ele tomasse a decisão de viver essa experiência. Hoje, casados há pouco mais de um ano e com um filho de 1 mês, a família conta como foi ficar longe por alguns meses, enquanto Andrey jogava fora.

“Na primeira vez que ele foi, tínhamos um ano de namoro. Depois de uns anos no Rio, foi que ele começou a ir para fora do país e aí, quando casamos em 2016, resolvi ir para morar com ele, mas desde o início sempre dei muita força, nunca o impedi de realizar os sonhos. O Andrey sempre sonhou em jogar futebol, então, a oportunidade fora foi maior do que no Brasil. Eu sempre quis que fosse perto, mas como as oportunidades foram maiores fora, sempre apoiei”, conta Ewelise.


(Foto: Irene Almeida/Diário do Pará)

Diferença cultural é um dos maiores desafios

Foi no Rakhine United FC, em Myanmar, que Andrey Coutinho iniciou a carreira internacional. O choque cultural foi um dos maiores desafios. Sem saber falar inglês, o paraense precisou “se virar”. A comida apimentada da Ásia foi o que mais chamou a atenção do jogador, que demorou um pouco para se adaptar.

Na Tailândia, quando jogou no Nongbua Pitchaya, a comida também foi um dos grandes desafios. “Tive também que aprender a cozinhar, cuidar da casa, então eu fazia minha comida e aí foi mais de tranquilo”, relembra Andrey. Outro desafio foi a religião.

“Teve um episódio que eu estava na Líbia, em um período do Ramadan, e quando passei na rua um homem me abordou, falando que era para eu respeitar a religião deles, tudo isso porque eu tenho uma tatuagem com uma cruz. Eu disse que respeitava, mas também pedi que respeitassem a minha. Não teve nenhum desentendimento, mas fiquei bem preocupado”, conta, "Em relação às minhas amizades, foi mais fácil ainda por causa do meu jeito brincalhão".

Paixão de torcedor: aqui ou lá fora é tudo igual

Quando o paraense pensa em futebol, imagina o estádio do Mangueirão lotado e um clássico entre Remo e Paysandu em final de Parazão. Um sentimento que transborda o coração de um torcedor é ir ao estádio e ver de perto o time do coração se entregando em uma partida para levar o melhor resultado.

Para Andrey Coutinho, que experimentou jogos em Belém e vivenciou os de fora do país, a avaliação é de que o futebol brasileiro é sempre omelhor. “Lá fora é um pouco diferente e, na minha opinião, o futebol brasileiro é o melhor.

Os outros países vêm evoluindo, a estrutura, preparação, academia, força física, então como o futebol hoje esta muito igual, existe uma competitividade maior, sendo que o brasileiro sempre teve mais qualidade, até por conta disso que eles contratam jogadores de fora”,pontuou Andrey.

O atleta ressalta ainda a paixão dos torcedores estrangeiros pelo futebol. “Todos os times grandes que fui jogar a torcida é apaixonada, igualzinho em Belém, quando Remo e Paysandu entram em campo. A torcida é muito igual e lota o estádio sempre”.

COMPETITIVIDADE

A competitividade entre os clubes é grande, mas Andrey conta que na Ásia, por exemplo, não existem brigas de grandes proporções entre torcedores, mas na Tanzânia e Líbia o cenário é diferente.

“Se a gente perder o jogo, eles querem saber onde é a casa do jogador, querem saber onde está o jogador para ir atrás. Na Líbia, teve uma situação que uma vez, depois de um jogo, que a gente ganhou, nossa equipe estava indo no ônibus e a torcida foi acompanhando a gente e teve um torcedor que pegou uma arma e atirou pra cima, eu vi e pedi pra filmar e aí ele não quis mais fazer, foibemcurioso”, relembrou.

(Foto: Irene Almeida/Diário do Pará)

CARREIRA E FUTURO

Em um balanço feito por Andrey Coutinho, toda experiência vivida nos países que jogou valeu a pena. Ele confessa que a vontade é de retornar ao futebol estrangeiro.

“Digo que foi uma experiência sensacional e bem maluca, porque conheci países que jamais pensei em conhecer, mas financeiramente falando, foi muito bom, porque lá é muito melhor. Aqui em Belém não tem muita oportunidade para quem é da terra e, por isso, saí daqui e fui para outro estado e depois outropaís”, pontuou.

Andrey pensa sobre todas as possibilidades, já que agora é pai e não pretende ficar longe da família. “Meu pensamentohoje é no meu filho, que nasceu há um mês e quero ficar perto dele. Um dos paísesquemaisgostamosequeseria um bom lugar para ir com a minha família é a Tailândia, mas estamos no aguardo para ver o quevaiacontecer”, avisa.

Depois do retorno de Andrey para Belém, os torcedores de Remo e Paysandu começaram a apontar que ele seria uma boa aposta de contratação. O atleta confessa que se recebesse uma proposta de um time local, a possibilidade de aceitar seria grande. “Se os clubes daqui fizerem alguma proposta, claro que a gente vai avaliar e pensar em tudo.

A possibilidade de ficar existe, mas de ir também, porque já recebi algumas propostas de sair mais uma vez para fora do País, sendo uma da Índia e outra da Tailândia, mas como demorei para resolver, infelizmente não conseguimos fechar e a oportunidade passou”, revela. “Mas tem mais duas propostas aí, uma paraChina e outra para a Arábia”, diz o jogador.

(K. L. Carvalho/Diário do Pará)

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