LIBERADO PELA SEMMA

Centro de Treinamento do Paysandu começa a virar realidade

POSTADO EM: Domingo, 10/06/2018, 07:43:23
ATUALIZADO EM: 10/06/2018, 07:49:47

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Fernando Torres/PSC

Principal sonho de consumo do clube nos últimos anos, o Centro de Treinamento do Paysandu, denominado “Raul Roberto Fermim Aguilera”, deve deixar a prancheta dos engenheiros nos próximos dias para começar a se tornar uma realidade. A iniciativa bicolor segue modelo adotado por grandes clubes do futebol brasileiro e mundial. No plano local, este será o primeiro espaço desta natureza entre as agremiações profissionais paraenses. A previsão de conclusão do projeto, cujo lançamento ocorreu há quase dois anos, ainda na gestão anterior da agremiação, é de, no máximo, cinco a seis anos.

Mas, logo de saída, a direção do Papão espera contar até o final da atual temporada com pelo menos dois dos cinco campos com dimensões oficiais que compõem o projeto elaborado pelo arquiteto Armando Couceiro. A ideia é que os espaços já possam ser utilizados, no começo de 2019, pelos elencos de profissionais e da base do clube. Nesta etapa, a segunda em execução, visto que o portal de entrada já foi inaugurado ano passado, o CT também ganhará a instalação de dois vestiários.

A partir da entrega dos campos e dos vestiários, a comissão encarregada de administrar a obra, liderada pelo engenheiro João Bosco Lobo, dará continuidade à execução do projeto, que prevê ainda um meio de campo destinado aos treinos específicos dos goleiros, um bloco de apoio, composto de cozinha, lavanderia, refeitório e hotel, um estacionamento e área de imprensa, que terá também um estacionamento, além de uma portaria de controle.

O espaço do CT, adquirido por R$ 3 milhões, pagos à vista, ainda na gestão do ex-presidente Alberto Maia, possui uma área de 118 m². O orçamento prevê, até a conclusão total da obra, dentro de 5 a 6 anos, um investimento de R$ 10 a R$ 12 milhões. No momento, o local já conta com um muro em seu entorno e o pórtico, inaugurado em 2016. Sem contar com todos os recursos financeiros para tocar a obra, o Paysandu deverá apelar à ajuda de torcedores, que poderão, em breve, colaborar com a doação de material de construção ou dinheiro.

Os dirigentes do Papão acreditam que à medida que a construção do CT for avançando, o torcedor, que já ajudou a construir ou fazer melhorias em outros patrimônios do clube, passará a participar mais efetivamente do projeto. “A nossa expectativa é que o torcedor, seja ele associado ou não, esteja ao nosso lado em mais essa empreitada importante para o engrandecimento do Paysandu”, revela o presidente Tony Couceiro.

Reprodução

GRANA
Papão está correndo atrás de recursos

A obra da primeira etapa da construção do CT do Papão tem previsão para começar em meados deste mês. É o que informa o engenheiro João Bosco Lobo, 60 anos, que lidera um grupo de 25 pessoas envolvidas com o projeto. “A previsão é de que no dia 15 a gente já esteja com pelo menos um cara lá com serrote para começar a cortar e empilhar as árvores que serão retiradas do local”, diz. Lobo admite que o clube ainda não conta, no momento, com os R$ 2 milhões necessários para a construção dos dois campos e do vestiário, que compõem a parte inicial do projeto.

“O Tony está correndo atrás desse recurso”, revela. Couceiro, conforme explica o engenheiro, está tentando viabilizar a liberação junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de parte da cota de R$ 2.8 milhões a que o Paysandu terá direito pela participação do time nas oitavas de final da Copa do Brasil 2019. Lobo explica que o grupo de colaboradores está procurando por empresas que trabalhem com Autorização de Supressão Vegetal (ASV), conforme acordo firmado entre com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. “Estamos fazendo a cotação de orçamento para ver qual das propostas é mais viável financeiramente para o clube”, explica. Os interessados a colaborar devem procurar a diretoria do Paysandu, na sede do clube.

 

Sinal verde é dado após apresentação de contrapartidas

ACORDO

O Centro de Treinamento bicolor já poderia estar hoje com sua construção bem adiantada e até mesmo a primeira etapa do projeto concluída. Contudo, questões de ordem burocráticas fizeram com que o clube ficasse 18 meses tratando da liberação de documentação por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). Mas, após uma prolongada negociação com o órgão, a direção bicolor, finalmente conseguiu, no mês passado, a tão esperada Autorização de Supressão Vegetal (ASV), com o clube ficando apto a voltar a mexer na área do bairro de Águas Lindas.
A liberação das obras só foi possível mediante o clube apresentar à Semma contrapartidas voltadas para a natureza e às cercanias do CT, que têm como objetivo beneficiar a população vizinha ao empreendimento e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ao meio-ambiente. “Vamos fazer a manutenção de praças, plantação de árvores, programas de educação ambiental para a comunidade vizinha, entre outros benefícios”, explica o presidente Tony Couceiro. O dirigente prometeu seguir à risca o acordo com a Semma para evitar danos à natureza.

“Não vamos chegar lá derrubando tudo”, avisa Couceiro. “O Paysandu é uma instituição responsável que se preocupa com o meio-ambiente”, diz. De acordo com o presidente, a diretoria bicolor preferiu seguir as leis, evitando fazer qualquer tipo de mudança na área, sem que antes tivesse recebido o sinal verde da secretaria. “Decidimos que só voltaríamos a fazer alguma coisa na área depois que a documentação estivesse toda ok”, explica. “Sempre falei que não tiraríamos uma só árvore sem a licença necessária e isso foi feito. Agora é encontrar recursos e tocar a obra desse sonho do torcedor”, afirma.

E MAIS

Uma das ações já realizadas no local foi denominada de Dente de Lobo. Na oportunidade, cerca de 300 crianças receberam orientação de prevenção bucal, serviço que foi acompanhado da entrega de escovas dentárias e outros objetos com o mesmo fim. Também foram entregues 11 cestas básicas, brinquedos e peças de vestuário doadas pela marca do clube.

Outras iniciativas já estão agendadas pelo clube para serem colocadas em prática num futuro breve entre os moradores do bairro, conforme explica a diretora de responsabilidade social bicolor, Ieda Almeida. “Temos a intenção de desenvolver um trabalho de orientação no que se refere ao meio ambiente”, explica. “Além disso, estamos com a ideia de ensinar os moradores a fazer a manutenção da praça do bairro”, adianta a diretora.

 

(Nildo Lima/Diário do Pará)



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