BOM COMEÇO

Alan Calbergue voltou ao Papão, após destaque no Bragantino, e começa a colher os frutos

POSTADO EM: Domingo, 03/06/2018, 10:31:30
ATUALIZADO EM: 03/06/2018, 10:35:07

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Jorge Luiz/Paysandu

Com apenas seis jogos - já contabilizado o da última sexta-feira, contra o Boa Esporte-MG -, o meia Alan Calbergue, de 19 anos, já coleciona uma legião de fãs entre os torcedores do Paysandu. E nem poderia ser de outra forma, afinal de contas, o jogador, cria da base do clube, tem se destacado com a camisa bicolor, arrancando elogios do técnico Dado Cavalcanti.

A performance de Calbergue não surpreende, depois que ele “matou a pau”, como se diz, jogando a Segundinha e o Parazão pelo Bragantino, clube para o qual foi cedido por empréstimo pelo Paysandu. Na própria base do Papão, ele já dava sinais de que seria, num futuro próximo, mais uma cria da casa, tipo Moisés, Yago Pikachu e tantos outros, a cair nas graças da Fiel. Cauteloso, o jogador evita os passos maiores que as pernas, admitindo que ainda tem muito caminho a percorrer até a consolidação de sua carreira no clube.

O prestígio que já goza na Curuzu, de acordo com o apoiador, começou, primeiro, na base do Papão, e, depois, em sua passagem pelo Bragantino. “É muito importante passar pela base”, avalia. “Tem as dificuldades de todos os dias com o sonho de um dia chegar ao profissional”, salienta. “Trabalhei muito nesse período e o momento crucial foi ter ido para Bragança. Joguei a Segundinha, que já é uma competição profissional. Foi muito importante ter disputado o Estadual e hoje estar aqui onde sempre sonhei”, conta Calbergue.

De acordo com o meia, o período em que esteve no time do interior serviu para que ele ganhasse maturidade. “Foi onde peguei mais confiança. Senti-me muito à vontade em Bragança. Peguei muita experiência no Estadual”, admite o apoiador. Ele ressalta a importância de ter encontrado na ex-equipe um técnico conhecedor e que o orientou bastante: Artur Oliveira. “Aprendi muito com ele”, resume. O ensinamento, que no futebol não para nunca, continua sendo bem aproveitada por Calbergue, agora sob o comando de Dado.

“Aqui, também tenho muita coisa a prender com o professor Dado, que é um cara muito inteligente”, assegura. Mas as orientações não são oferecidas apenas pelos treinadores. O meio-campista também tem procurado dar ouvidos aos companheiros mais experientes. “São companheiros que já possuem uma rodagem maior e que têm me ajudado bastante”, diz. Em resumo, o meia sabe dosar bem o talento que tem com a humildade necessária para quem pretende chegar mais longe na carreira.

TRAJETÓRIA

- Prestes a se mudar para um apartamento, oferecido pelo Paysandu, para dar um conforto maior ao atleta, Calbergue deverá levar com ele as melhores lembrança do Guamá, onde ele foi criado e ganhou os primeiros incentivos. Foi jogando pelada no bairro da periferia de Belém que o meia deu os passos iniciais no futebol, chegando, depois, ao sub-15 do Paysandu. Entre uma partida e outra com os amigos de infância e adolescência, sobrava sempre algum tempo para o meia dar uns bons mergulhos no rio que empresta seu nome ao bairro.

- “Sempre tomei muito banho no rio Guamá. Quando surge a oportunidade procuro aproveitar isso sem nenhuma vergonha, muito pelo contrário, tenho orgulho de ter sido criado no bairro”, garante o jogador, que fala de seus amigos e vizinhos do bairro com todo o carinho. “São pessoas que sempre me orientaram pelo fato de eu ser jovem”, ressalta Calbergue. “Existem pessoas lá do Porto da Palha que me ajudaram muito”, ratifica o jogador do Papão, se referindo a um dos principais pontos na orla do rio de águas barrentas.

- Embora as estatísticas apontem o bairro como um dos mais violentos de Belém, Calbergue observa que no local tem uma grande gama de pessoas honestas e trabalhadoras. “Tem pessoas maravilhosas no bairro, independente de toda a violência em que vivemos”, argumenta o apoiador, que ainda é visto pegando algum tipo de transporte coletivo para chegar até a Curuzu. Isso quando não aparece alguma carona amiga de algum de seus companheiros de clube.

Garoto tem o potencial exaltado

Ailton Costa afirma que Alan tem inteligência e responsabilidade suficientes para vingar no futebol (Foto: Fernando Torres/Paysandu)

Talvez na Curuzu ninguém conheça mais o meia Alan Calbergue que o auxiliar do técnico Dado Cavalcanti, Ailton Costa. Por uma questão muito simples. Ele acompanhou o início do meio-campista em toda a divisão de base do Paysandu. Na época, Ailton comandava o sub-17 e ao bater os olhos no jogador, que ainda era sub-15, não teve dúvida em requisitá-lo para a categoria subsequente. “Tratei de promovê-lo logo para o grupo que eu dirigia”, conta. No sub-17, o meia passou dois anos. “Depois, passou para o sub-20, onde foi campeão no ano passado”, recorda o auxiliar do técnico Dado Cavalcanti.

Se dependesse da vontade de Ailton, Calbergue não teria tido a necessidade de comprovar o seu futebol no Bragantino antes de ser integrado ao elenco profissional do Papão. “A diretoria pediu uma relação de atletas que poderiam subir do sub-20 para o profissional. Passei a lista, mas fui logo adiantando que dos atletas indicados, aquele em quem eu mais apostava era o Alan”, conta. Mas o jogador acabou sendo cedido por empréstimo ao time de Bragança, o que acabou não sendo um negócio ruim para Calbergue, na avaliação de Ailton.

“Foi bom ele ter sido pra lá. O Alan até poderia ficar no nosso profissional, mas talvez não tivesse a chance que vem tendo hoje, depois de defender o Bragantino, quando pôde mostrar todo o seu potencial”, avalia o auxiliar técnico. De acordo com Ailton, o meio-campista tem vários predicados. “É um garoto fácil para se trabalhar. O Alan é inteligente e pega rápido os ensinamentos. Além disso é um jogador, que mesmo sendo tão jovem, não tem medo e chama a responsabilidade, em campo, pra si. Isso mostra a personalidade que tem”, arremata.

MAIS...

- Comandante de Calbergue no Bragantino, o técnico Artur Oliveira, hoje na direção do elenco do Remo, não economiza elogios ao jogador. Ele acredita que o meia do Paysandu ainda mostrará muito mais valor do que já demonstrou com a camisa do Tubarão e vem exibindo em sua atual equipe. “O Alan tem um grande futuro pela frente”, previu Artur. “Com o talento e o profissionalismo que tem, o Alan não vai demorar muito tempo por aqui”, profetizou o treinador. Rei Artur não pensa duas vezes ao resumir, em apenas uma palavra, o potencial de seu ex-pupilo: “‘Craque”. 

- De acordo com o técnico, Calbergue, apesar de ter apenas 19 anos, segue ao pé da letra a cartilha do jogador que se dedica à profissão que escolheu para seguir. “Além de um grande craque, o Calbergue é muito profissional”, elogia Artur. “Foi uma grande honra tê-lo como meu jogador e tê-lo ajudado a acreditar no próprio potencial”, afirmou.

Calbergue vai ter sequência de jogos

Antes mesmo de Calbergue retornar ao antigo “ninho”, a Curuzu, o técnico Dado Cavalcanti, conforme revelou após a classificação do Paysandu à final do Parazão e ratificou na última quinta-feira, 31, já estudava, em conjunto com os seus assistentes, a maneira como utilizaria o atleta na equipe bicolor. “Desde o retorno dele do Bragantino, nós, quando falo nós me refiro à comissão técnica, já começamos a identificar as características do atleta e onde poderíamos usa-lo para que ele pudesse render mais”, declarou o treinador na coletiva antes da partida de sexta-feira, 1º de junho, contra o Boa Esporte.

Assim que regressou ao Papão, Dado chamou o atleta para um bate-papo. “Na chegada dele tivemos uma conversa junto com o Paulo (Ricardo, goleiro, que também esteve no Bragantino) e demonstrei quais eram os nossos objetivos como equipe em cima de quatro formações básicas”, informou Dado. Na conversa, o treinador procurou inquerir de Calbergue em qual das situações o atleta poderia produzir mais para o time. “Dei a tranquilidade e a confiança pra ele me falar onde se sentia mais à vontade jogando”, contou Dado.

Embora tenha atuado em uma equipe que adotava esquematização tática diferente da utilizada pelo Paysandu, o meio-campista, conforme avaliação de Dado, não demonstrou a menor dificuldade para assimilar a mudança. “Ele precisou passar por um período de adaptação, que foi muito boa”, elogiou o comandante bicolor, prometendo a partir do jogo contra os mineiros utilizar Calbergue com mais frequência na equipe. “Estou muito satisfeito com o rendimento dele e já adiantando, a minha intenção é que o Alan continue na equipe e tenha uma sequência de jogos”, avisou.

(Nildo Lima/Diário do Pará)



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