CLÁSSICO DA PAZ

Remo e Paysandu: Rivais, sim. Inimigos, nunca!

POSTADO EM: Segunda-Feira, 12/03/2018, 08:39:15
ATUALIZADO EM: 12/03/2018, 08:39:15

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Wagner Santana

Em Belém, poucas façanhas conseguem tirar tanto o sossego da galera quanto o Re-Pa. Isso porque o confronto começa antes mesmo de a bola rolar, na chamada “semana de clássico”. Dessa maneira, o clima contagiante arrasta uma grande quantidade de torcedores ao estádio Mangueirão. Na partida de ontem, porém, as coisas foram diferentes. Assuntos ligados à segurança, relacionados à possível retaliação à morte de um membro de organizada do Clube do Remo, afastou boa parcela de torcedores. Como reflexo, o público presente teve uma queda de quase 10 mil pessoas se comparado com o embate do primeiro turno, mesmo com os times vindo de bons resultados na competição estadual.

 Para Aline Mendes, professora e torcedora do Paysandu, os motivos que afastam a torcida do estádio são inúmeros. Porém, é preciso encará-los. “A insegurança é grande. Essa semana também foi muito ruim para todos. Mas é uma diversão para nós. Já abrimos mão de tanta coisa, que fica até chato”, explicou.
Do lado azulino, Maria Esther, advogada, foi um pouco mais otimista. De acordo com a torcedora, o clássico é cultura do Estado e, por isso, é preciso ser acompanhado sempre que possível. “Venho para o jogo sempre. Não abro mão, porque é uma das poucas coisas que ainda me deixa alegre. Confusão sempre tem, nunca mudou. Mas o futebol tem que falar mais alto. É algo que está entranhado na gente. Sempre que der, virei porque gosto do clima e do esporte”, disse.

Visão da molecada

Respaldados pela inocência, a criançada presente no Mangueirão, na tarde de ontem, apenas se preocupou com o desempenho de suas equipes nos gramados. Confiantes em uma vitória, os pequenos torcedores eram só alegria. “Vai ser 3 a 0 para o Remo. O time vai ganhar. Vamos vencer porque o nosso time é muito melhor”, esbravejou o azulino João Rafael, de 9 anos, ao lado dos pais. “Papão é campeão. O Papão é líder e vencedor”, destacou Isabela Belém, torcedora bicolor, de 8 anos, também junto da família.

ANÁLISE DA GALERA

- Para muitos azulinos, o Clube do Remo venceu ao saber potencializar suas qualidades e minimizar os defeitos. “O Remo ganhou com uma boa defesa, com um sistema tático anulou o sistema ofensivo do Paysandu. Além disso, teve bons contra-ataques rápidos pelas laterais”, afirmou o remista PJ Bastos. 

- Para João Carlos Haas, que torce para o Papão, a derrota tem dissabor apenas pela rivalidade. No entanto, o clássico serviu para mostrar algumas carências. “O Paysandu perdeu quando podia. Daqui pra frente não dá mais. Vimos que, como está, o Cáceres não tem condições. Muito lento pra cobrir lateral”, disse João, que reconheceu a eficiência do adversário. “O Remo foi melhor na proposta de jogo. Jogou no erro do Paysandu e chegou lá. Tecnicamente o jogo não teve nada de mais. O Remo se fechou bem e forçou o erro do Paysandu”, completou o bicolor.

- Já o azulino Spencer Seixas elencou falhas do rival e objetividade de seu time para que o placar fosse 1 a 0 para o Leão. Sem deixar de apontar alguns jogadores que ainda estariam devendo. “Houve uma falha grosseira da zaga do Paysandu no lance do gol e falta de jogadas de ataque bicolor, era só bola cruzada. O jogo do Remo é esse aí. Se o Remo não tivesse entrado com o Adenilson e Isac, a vida do Paysandu teria sido mais difícil.”

(Matheus Miranda/Diário do Pará)



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