EXPECTATIVA

Bola convoca os gordinhos das peladas para saber: a barriga vai atrapalhar o Walter?

POSTADO EM: Domingo, 11/02/2018, 12:33:26
ATUALIZADO EM: 11/02/2018, 12:38:36

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Mauro Ângelo

A chegada do atacante Walter ao Paysandu foi uma das contratações mais comentadas no futebol paraense em anos. Com passagens por grandes clubes no Brasil e no exterior, o jogador terá sua primeira experiência na Série B. Mas, junto com o bom futebol e o carisma, Walter tem uma bagagem também grande: o sobrepeso. Desde o começo da carreira no Internacional-RS, em que foi campeão da Libertadores em 2010, ele não consegue voltar ao peso mais condizente com seus 1,78m. Ele garante que na Curuzu vai chegar a um meio-termo, a uma situação em que seu bom futebol possa aparecer.

Para o atleta de fim de semana, o peladeiro, estar acima do peso em relação a um profissional é normal. Mas, para quem está muito acima, Walter é um ídolo? Com uma agenda cheia de jogos nos finais de semana, o mundo peladeiro da Grande Belém é bastante movimentado. Quem tem a silhueta avantajada garante que pode render bem mesmo assim, mas manda uns conselhos ao reforço bicolor.

“Como se trata de um esporte de alto rendimento, acho que ele deveria estar numa forma melhor”, diz o autônomo Carlos Cléo, 42 anos e 123kg distribuídos em 1,63m. Por experiência própria, diz que estar acima do peso faz com que o rendimento não seja o mesmo, mas garante que isso não é impeditivo para que se saia bem. “O Walter foi bem no Goiás-GO, então pode arrebentar aqui também. Eu, quando jogo, o pessoal fala ‘deixa o gordinho sozinho’, mas quando começo a mostrar serviço os adversários já olham de outro jeito”, conta Cléo, atacante do Trick Trick, do Marco.

Goleiro do Chelsea do Conjunto Sevilha, no Parque Verde, Júnior Almeida garante que pesar mais de 100kg não tira sua agilidade sob a trave. No entanto, quanto ao bicolor, ele faz um alerta. “Quem é atacante tem que se movimentar mais, então acho que ele tem que estar mais fino. Futebol ele tem de sobra para mostrar serviço”.

"Eu, quando jogo, o pessoal fala ‘deixa o gordinho sozinho’, mas quando começo a mostrar serviço os adversários já olham de outro jeito",
Cléo, atacante do Trick Trick (Foto: Arquivo Pessoal)

Um prato cheio para a “zueira”

O perfil Futebol Zueiro nas redes sociais não perdoa ninguém no futebol paraense. Torce por todos, mas torce mais ainda para “o circo pegar fogo” e ter munição para as piadas. A chegada do atacante Walter foi um prato cheio (sem trocadilho) para o Zueiro. “O Walter é um dos últimos jogadores de futebol do mundo, esporte que está dominado por muitos atletas”, defende João Zueiro, um dos administradores do perfil. Bem ao estilo das piadas do perfil, o DIÁRIO entrevistou João Zueiro, que garante ter visto com bons olhos a chegada do atacante, quase ficando com água na boca.

Tu achas coincidência o Walter vir a Belém justamente quando a cidade começa a ficar famosa pela culinária?
Zueiro – Acho que foi uma jogada de marketing, uma grande sacada. Belém quer virar uma das maravilhas do mundo pela comida típica e o Walter pode ajudar a cidade nesse sentido. Acho que até alguns pratos típicos foram usados para trazer o atleta, com as iguarias à disposição na concentração.

Walter tem potencial pra ser o jogador gordinho mais querido pela torcida paraense desde Ageu Sabiá?
Zueiro – Existe uma grande expectativa dele fazer uma grande temporada, até porque ele disse que vai fechar a boca. Mas, para chegar ao nível do Ageu tem que fazer muitos gols, grandes jogadas e comer regularmente o pastel de vento do mercado de Marituba.

Sempre que um jogador chega a um clube é de praxe um ex-atleta dar as boas-vindas e mostrar a cidade. No caso de Walter o escolhido deveria ser César Pernil?
Zueiro – Bela lembrança. Seria um campeão brasileiro (91) que poderia fazer isso. Ou então chamar de volta o Cristiano Laranjeira. Até o Terçado Voador poderia fazer isso, usado sua lâmina para cortar os alimentos.

No Brasil inteiro se toma açaí antes de fazer exercício. Pode ser um problema ao Walter se ninguém avisá-lo que aqui açaí dá uma “momó”, um sono?
Zueiro – Temos que lembrá-lo que açaí de verdade é o daqui do Pará. O único jogador que tomava açaí antes dos treinos era Ricardo Capanema. Posso até mandar o contato dele para o Walter. Mas nada de açaí antes dos exercícios.

Pimentinha teria não renovado com o Remo ao saber que Walter estaria vindo para a Curuzu?
Zueiro – Não entendemos a saída do Pimentinha. Walter já teria provado o tacacá e dito que com pimenta fica mais gostoso.

Para que o Walter chegue a seu ápice na Curuzu, quem vai ser mais importante? a) treinador b) capitão c) presidente d) nutricionista do clube.
Zueiro – Acho que deveria haver um bônus para a nutricionista e para a cozinheira.

Data de estreia ainda não está definida

Dentro do elenco bicolor, a chegada de Walter foi vista como um acréscimo considerável de qualidade. Com títulos nacionais e internacionais e muita experiência, aos 28 anos ele chega com a promessa de ser ídolo e goleador. O lateral direito Maicon Silva salientou a importância de ter um companheiro como ele ao lado. “É importante ter um homem de referência à frente e todos conhecem a qualidade do Walter. Ele veio para agregar e vai nos ajudar muito”.

Auxiliar de preparação física, Roberto Onety tem estado lado a lado de Walter desde que ele chegou a Belém, já que o atleta não tem sido relacionado para as partidas. Ele explica que o trabalho vem sendo feito obedecendo todas as etapas para garantir o bom condicionamento do atacante. Onety afirma que o trabalho tem sido dentro do esperado, mas que não se pode ainda cravar uma data para que o jogador seja totalmente liberado para ser utilizado em campo.

“O Walter está tendo um trabalho integrado entre departamentos médico, nutricional, físico. Dia a dia estamos acompanhando o desenvolvimento dele, mas não dá para dar uma data para estreia dele. Ele está bem empenhado e dedicado”.

Onety diz que mesmo quando estiver bem, Walter sempre terá alguns quilos a mais que a média para sua altura. Ainda assim, isso não deve prejudicar o rendimento nos gramados. “É o biotipo dele e não vai mudar muito. Se o atleta estiver dando resposta dentro de campo, isso é o que importa”.

(Tylon Maués/Diário do Pará)



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