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Leia a coluna do PVC desta terça-feira, 10: Nem tudo é perfeito nas semifinais

POSTADO EM: Terça-Feira, 10/07/2018, 10:22:52
ATUALIZADO EM: 10/07/2018, 10:22:52

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Fifa/Divulgação

A imagem da semana foi publicada pelo jornal francês L’Equipe, em sua edição de domingo (8). Os irmãos Hazard, Eden, Thorgan e Kylian, vestidos na adolescência com a camisa azul da França, número 10 estampado, referência a Zidane. Eden Hazard é craque belga, mas criado no norte francês. A cidade onde nasceu, La Louvière, fica a 20 km da fronteira.

“Grandes! Farão bons times por dez anos”, opina o ex-zagueiro belga Philippe Albert, titular nas Copas de 1990 e 1994, hoje comentarista do canal RTBF. Ele pensa que seu país tem sua melhor geração de jogadores, mas os maiores craques não são esses. “Ninguém foi melhor na Bélgica do que Paul Van Himst, que jogou a Copa de 1970, e Enzo Scifo, titular em 1986, 1990 e 1994.” De Bruyne joga mais.

A opinião de Albert não é verdade absoluta, mas vai ao encontro de quem pensa que não há trabalho para explicar o sucesso belga. Há talento. Ou seja, a melhor classificação belga da história não se tornará referência de como mudar o ambiente do futebol num país. A Alemanha era diferente. Mesmo com exageros, havia mais trabalho para explicar o sucesso germânico.

A Bélgica pode vencer a Copa, mas não será exemplo de nada. Seus principais jogadores reúnem-se desde 2008, quando disputavam o europeu sub-19. Mas os belgas não se classificam para o Mundial sub-20 desde 1997. O torneio local é frágil e só 1 dos 23 convocados joga no país.

Sempre surgem histórias para explicar grandes vitórias. A Bélgica tem uma grande geração. E só. A França tem mais. A discutida estrutura do centro de Clairefontaine e a manutenção de Deschamps depois de perder a Euro em Paris funcionam melhor como teorias para o sucesso. Não que seja toda a verdade, como não era com a Alemanha de 2014.

Será o jogo mais equilibrado das semifinais. Os franceses podem festejar por saber que Hazard, estrela belga, é um pouco francês, e os belgas podem usar como argumento a predileção de Thierry Henry por trabalhar do outro lado da fronteira, assistente de Roberto Martínez na Bélgica. No restante do tempo, Henry é comentarista da Skysports, na Inglaterra. Na Premier League, analisa o desempenho de nove titulares da Bélgica. Como vai analisar com isenção?

É como Ronaldo ser comentarista e sócio da agência que cuida da carreira de Gabriel Jesus. Ou o diretor da federação croata ter sido preso um mês antes da Copa. O sucesso também tem seu lado B.



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