ELE É BICOLOR

Presidente da CBF é blindado pelos assessores para não falar besteiras por aí

POSTADO EM: Terça-Feira, 10/07/2018, 08:19:21
ATUALIZADO EM: 10/07/2018, 08:19:50

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Bruno Carachesti/Arquivo

Um velho sonho alimentado pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o paraense Antônio Carlos Nunes de Lima, voltou a ser tema da imprensa nacional. O site Terra publicou matéria assinada pelo jornalista Sílvio Barsseti, na qual é reavivada a ideia do cartola de ter o atual treinador do Paysandu, Dado Cavalcanti, no comando da seleção brasileira, recém-eliminada do Mundial da Rússia.

No texto, Barsseti recorda que o desejo de Nunes é antigo, desde a época em que ele ainda não havia atingido o topo do comando do futebol brasileiro, embora hoje, como salienta o jornalista, o prestígio do dirigente não esteja tão em alta na direção da CBF, em função de uma série de declarações e posicionamentos equivocados do cartola, o maior deles o apoio ao Marrocos e não aos Estados Unidos, como o acertado previamente, para sediar o Mundial de 2026.

Ainda de acordo com a publicação do Terra, Nunes, que já havia falado em Dado na seleção há dois anos, quando ainda era um dos vices da CBF, não voltou a tocar no tema após o adeus dado pelo time nacional no Mundial. Mas, mesmo sem grandes poderes na entidade, o desejo público do presidente causa calafrios entre os demais integrantes da cúpula da CBF, sobretudo em Rogério Caboclo, que assumirá a presidência da entidade em 2019. O temor é por uma nova saia justa e atitude impensada causada pelo Coronel.

O silêncio de Nunes sobre a pretensão de ter Dado no comando do time canarinho só vem sendo possível, segundo o texto de Barsseti, em função de o cartola ter sido blindado pelos dirigentes de grandes poderes na CBF. Isso leva a crer que a entidade não deverá encontrar barreiras para formular a permanência do atual treinador da seleção, Tite, no cargo até 2022, quando acontece a Copa do Mundo no Qatar, uma nova oportunidade para o Brasil concretizar o sonhado hexa.

Com isso, pode até ser que um dia Dado venha a assumir o cargo, mas não até o próximo Mundial, frustrando o sonho de Nunes, apaixonado torcedor do Paysandu, no qual já assumiu diversos cargos, entre eles o de diretor de futebol em 1991, quando o Papão conquistou o seu primeiro título da Série B. Embora distante do Pará há algum tempo, o dirigente segue ligado umbilicalmente ao Papão, que cumpre campanha apenas razoável no Brasileiro, justamente sob o comando de Dado.

PARA RECORDAR

Esse não é o sonho de Dado

- O técnico Dado Cavalcanti, que só deve conversar com a imprensa amanhã, véspera do jogo contra o Vila Nova-GO, quando o Paysandu tentará a sua reabilitação no Brasileiro, concedeu entrevista ao Jornal do Comércio no ano de 2015, quando também comandava o Papão, na qual afirmou não sonhar com o comando da seleção brasileira e que o seu grande sonho é o de se tornar um dia campeão brasileiro.

- “Eu quero chegar ao topo. Se alguém me perguntar se esse topo seria treinar a seleção brasileira, eu vou falar que não”, assegurou. “Mas eu quero ser campeão brasileiro, eu quero ganhar as grandes competições”, prosseguiu o treinador, que é natural de Pernambuco, estado em que já dirigiu grandes clubes, entre eles Santa Cruz-PE e Sport Recife.

- Na entrevista ao jornal pernambucano, Dado não esconde o desejo de ter seu nome incluído no rol dos grandes treinadores do futebol brasileiro. “Tudo tem seu tempo”, disse. “Mas a minha ambição é de fazer parte de um rol diferente de treinadores nacionais”, assegurou o atual comandante do Papão, que vem sofrendo pressão da Fiel em função dos últimos resultados do time na Série B.

(Nildo Lima/Diário do Pará)



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