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Novela da Globo sobre corrupção foi inspirada em história vivida em Belém

POSTADO EM: Quarta-Feira, 16/05/2018, 13:55:03
ATUALIZADO EM: 16/05/2018, 17:02:27

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Reprodução

No país onde o "jeitinho" e falcatruas quase viraram uma instituição, brasileiros tiveram que conviver, por oito meses, com um dedo na ferida. Há exatos 30 anos a novela Vale Tudo estreava com a seguinte pergunta aos telespectadores: vale a pena ser honesto no Brasil?

No dia 16 de maio de 1988, o folhetim, um dos maiores sucessos da televisão brasileira, escrita por Gilberto Braga, Agnaldo Silva e Leonor Bassères, tratava de uma forma incisiva da falta de ética no Brasil.

Um detalhe curioso é que a inspiração do autor principal surgiu de uma história que se passou na capital paraense, com um membro da família dele.

Em depoimento gravado para o Memória Globo, Gilberto Braga contou que o trabalho do padrinho dele, como delegado em Belém, o fez pensar na trama.

Segundo o autor, a honestidade fazia com que o homem fosse cobrado pelas pessoas, a ponto de ser chamado de babaca por não ter conseguido sequer comprar um apartamento; a história acabou sendo discutida no primeiro capítulo.

Trata-se da cena em que Maria de Fátima (Glória Pires) tentava conseguir facilidades por parte do avô (Sebastião Vasconcellos), funcionário da alfândega, para que um amigo pudesse atravessar uma mercadoria contrabandeada.

De acordo com Braga, o padrinho foi personificado no avô de Fátima.

VEJA:

O tom do diálogo acima foi o que norteou a trama, que ainda falou de temas até então considerados tabus para a época. Alcoolismo, homossexualidade e relação amorosa entre um homem mais novo e uma mulher mais velha estiveram presentes na novela.

Heleninha Roitmann, um dos maiores destaques da carreira de Renata Sorrah. Na trama, ela era uma alcoolatra que acreditava ter matado o irmão (Divulgação)

De forma discreta, Vale Tudo mostrou a relação entre as empresárias Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) que viviam uma relação homoafetiva dando início as discussões sobre o tema na televisão. Segundo Cristina, a opção foi tratar o tema com delicadeza e acabou agradando o público.

Por outro lado, o romance de César (Carlos Alberto Riccelli), um gigolô que vivia das aventuras amorosas, com Odete Roitman (Beatriz Segall) também fez a sociedade brasileira discutir valores até então impensados. César explorava a magnata em troca dos prazeres do corpo enquanto vivia um amor paralelo com Maria de Fátima.

QUEM MATOU?

Desde a morte de Salomão Ayala, em "O Astro", de Janete Clair, não se via tamanha comoção nacional sobre o desfecho de uma novela. A pergunta "quem matou Odete Roitman?" só foi respondida no dia 09 de janeiro de 1989, último capítulo da telenovela.

Para tentar descobrir quem havia matado a megera a tiros até mesmo uma promoção de um famoso caldo de galinha foi feita e quem apostou em Leila (Cássia Kiss), a mulher de Marco Aurélio (Reginaldo Faria), se deu bem. 

RELEMBRE:

(DOL)



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