ORIGENS

Fotógrafo mostra em Belém resultado de projeto de documentação no interior do Maranhão

POSTADO EM: Quarta-Feira, 03/10/2018, 08:11:57
ATUALIZADO EM: 03/10/2018, 08:11:57

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Natan Garcia/Divulgação

Magu – Para Ter de Onde se Ir” é a mostra que o fotógrafo cearense Natan Garcia, radicado em Belém, abre hoje, às 19h, na Galeria Theodoro Braga, com entrada franca. Premiada no Edital Seiva de Pauta Livre deste ano, a exposição nasce a partir da experiência visual iniciada em Cana Brava, povoado localizado no km 38 da rodovia MA-034, entre os municípios de Água Doce e Araioses, no Maranhão, lugar este que representa a memória afetiva do artista e que ele passou a revisitar em 2006.

“A exposição é um recorte de um trabalho que já venho fotografando há sete anos, o lugar onde eu passei parte de minha infância e adolescência. A ideia surgiu quando retornei para esse lugar depois de 12 anos afastado, o que me trouxe uma sensação que nunca senti em nenhum outro momento da vida e eu queria, de alguma forma, mostrar o que o retorno a esse lugar me trouxe”, explica Natan, lembrando que o projeto surgiu em sua vida antes mesmo que a fotografia. 

“Nessa época eu não tinha muito envolvimento com o mundo das artes, então minha primeira ideia foi transformar isso num roteiro e fazer um filme, mas não sabia como. Em 2011, saí do Rio de Janeiro e fui morar em São Paulo e lá comecei estudar fotografia e a fotografar. Foi também quando iniciei o registro dessa região do Magu, já pensando que isso poderia se transformar em um projeto fotográfico”, diz Natan. 

A exposição foi pensada em três núcleos. O primeiro traz imagens do cotidiano da avó e da tia do fotógrafo. O segundo, imagens de alguns personagens que fizeram parte da sua história. E o terceiro versa sobre a relação entre homem e animal, evidenciada não somente no ciclo entre vida e morte, mas na relação do humano com a natureza presente no espaço - a prática da vaquejada, da pesca, do abate e da cumplicidade são os pontos focados.

MOLDADO PELO RIO

O título da mostra faz referência ao nome do rio que percorre e cruza toda a região, sendo um canal que costura as histórias do lugar, lugar este que passa a ser compreendido pelo artista como o espaço de retorno poetizado por Max Martins, no livro “Para Ter Onde Ir” e que envolve, dentre outros, o poema “A Cabana”. 

“Já aqui em Belém, ganhei uma coleção de livros de poesia do Max Martins onde encontrei esse poema que descrevia, talvez, tudo o que tinha sentido no retorno àquele lugar e de onde tirei a inspiração”, acrescenta Natan.

Com cerca de 40 fotografias, a exposição tem curadoria de Heldilene Reale. “O objetivo agora é mostrar um pouco esse recorte, dessa história, a qual continuarei desenvolvendo. Espero que as pessoas, ao verem a exposição, consigam sentir um pouco dessa experiência e que o trabalho seja um canal de reflexão sobre seus lugares de pertencimento”, diz o artista.

Natural de Fortaleza, Natan atualmente vive e trabalha em Belém. Iniciou a sua experiência profissional na fotografia em 2012, e desde então tem na fotografia documental a referência de construção de suas imagens, realizando pesquisas visuais que envolvem o cotidiano de países como Brasil, Cuba, Índia, Irlanda e Peru. Realizou exposições coletivas apresentadas na Galeria Portugalia (Fortaleza, CE), Galeria Fidanza (Belém-PA) e no Festival Paraty em Foco.

(Aline Rodrigues/Diário do Pará)



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