CIDADE DAS MULHERES

Drika Chagas mostra experiência artística realizada com mulheres de sete bairros de Belém

POSTADO EM: Quarta-Feira, 19/09/2018, 08:49:10
ATUALIZADO EM: 19/09/2018, 08:49:10

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Divulgação

Conhecer o universo das mulheres de sete bairros de Belém que não estão no centro da capital e depois retratar seus relatos e vivências em murais em espaços da própria comunidade. A proposta idealizada pela artista visual Drika Chagas rendeu o projeto “Sete - a Presença da Mulher em Territórios Urbanos”, aprovado com o Prêmio de Produção e Difusão Artística da Fundação Cultural do Pará(FCP),e cujos resultados serão apresentados ao público esta noite, às 19h, no Auditório da Casa das Arte, em Belém.

“O meu trabalho é retratar muito as mulheres, a estética feminina, estamparias, e eu vi que era muito importante conhecer o universo de mulheres que atuam nas comunidades periféricas, que geralmente não são vistas”, ressalta Drika.

Foi um trabalho denso, que demandou tempo e dedicação. “Comecei a escrever no início do ano, porque eu sentia essa necessidade de fazer um projeto que falasse desse universo das mulheres de forma mais palpável. Foi muito trabalhoso, porque foi em área externa e muito cansativo, mas tudo muito satisfatório. A comunidade ficou muito feliz com o resultado. As pessoas passavam no momento da pintura para tirar fotos. O projeto acabou refletindo num enaltecimento dessas mulheres, que se sentiam mais valorizadas. Isso é o maior gesto de troca”, afirma a artista.

Drika Chagas durante a pintura do mural em casa naSacramenta. No alto da página, o trabalho pronto (Foto: Divulgação)

Foram sete murais em sete bairros - Guamá, Bengui, Tapanã, Terra Firme, Jurunas, Sacramenta e Paracuri - concretizando um experimento único e enriquecedor para Drika.

“A melhor experiência foi ter conhecido essas mulheres. Em cada bairro, a gente conheceu bem melhor a realidade dessas pessoas, a força que elas têm, porque lutam por uma vida melhor para si e para os outros, então, conviver e escutá-las me fez refletir e adquirir também uma grande experiência de vida”.

Arte e força pulsam na periferia

O nome do projeto e a escolha de sete bairros não foi aleatória, explica Drika. “O número sete tem uma representatividade feminina, existem alguns estudos holísticos que colocam o sete como uma representação das mulheres, tem a questão do setênio,

como tempo de transformação”, enumera. E é no mundo dessas mulheres que ela queria adentrar. O que trouxe surpresas. Drika conta que pensou conhecer o ambiente que escolheu para trabalhar, a periferia, mas indo além do olhar mais superficial, percebeu que tinha muito o que explorar artisticamente. “No Guamá, eu entrevistei a Mônica, que tem só 17 anos e que toma conta de uma biblioteca junto com a família dela. É uma menina ainda, mas com uma força e um trabalho incrível ali com as pessoas, que mostra essa importância da mulher no seio dessa comunidade”, conta.

No bairro do Bengui, outra convivência também deu oportunidade à Drika de uma imersão em outro universo. “Estávamos fazendo um trabalho sobre o aspecto do sagrado feminino, numa fala sobre a geração da vida, para o GMB (Grupo de Mulheres Brasileiras), e em vez de nós propormos a nossa maneira de fazer, elas é que sugeriram os temas, a partir de seus relatos, em que nós usamos os espaços de atuação delas mesmas, o que representou bastante para mim enquanto artista, porque não eram espaços comuns, como pensávamos em fazer na idealização do projeto”, lembra.

O projeto foi executado durante o mês de agosto, com produção cultural de Lorena Saavedra (Rede Coletivo Amazônia Criativa), Arco Produção Audiovisual e assistência artística de Cris Aires. A ideia agora é compartilhar o resultado do trabalho nas redes sociais e, após uma viagem que Drika fará para a Guiana Francesa, planejar uma ação em breve. “Vou fazer uma intervenção numa cidade da Guiana Francesa e depois iremos verificar a viabilidade de retomar esse projeto para possível sessão extra ou ainda para outros desdobramentos”, aponta.

(Wal Sarges/Diário do Pará)



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