CULTURA

Artistas ajudam a criar o visual das tribos

POSTADO EM: Sexta-Feira, 27/07/2018, 09:22:03
ATUALIZADO EM: 27/07/2018, 09:38:25

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Raimundo Paccó/Agência Publica)

Os moradores de Juruti, oeste paraense, celebram as heranças culturais que receberam das tribos indígenas Muirapinima e Munduruku realizando, hoje e amanhã, a 24a edição do Festival das Tribos de Juruti, o Festrival 2018. Organizados em dois grupos, cada um re presentando uma das etnias, eles lotam o Tribódromo para um show de alegorias, fantasias, performances, música e dança. Cada tribo tem três horas para se apresentar e ganhar a preferência do público e do júri especializado. Mais de 20 mil pessoas são esperadas para a festa, patrimônio cultural do Pará desde 2008.

“O Festrival começou como algo bem mais simples do que é hoje, mas com essa mesma paixão pelas nossas tradições, nossa cultura. São 13 anos só de Tribódromo. Nesse tempo, não mostramos apenas a cultura das tribos que nos inspiram Muirapinima e Munduruku, que pisaram nesse chão, mas a cultura indígena de todo o Brasil. Todo ano o nosso povo de Juruti cria algo completamente novo.

"Quem vem a primeira vez se encanta com a beleza, a grandeza e a criatividade, e sempre volta”, destaca Alex Guedes, presidente daTribo Munduruku.

ENREDOS

Todos os anos, cada grupo escolhe um tema a ser retratado, assim como ocorre nos desfiles de escola de samba. Os Mundu-ruku chegam ao Tribódromo com o tema “Amazônia: dos Cacicados à Profecia das Savanas” baseado na profecia do pajé Davi Kopenawa, pajé Yanomami, que no livro “A Queda do Céu” fala sobre a savanização da Amazônia e o extermínio. “Queremos chamar atenção não só dos visitantes, mas da população de Juruti, para a questão da preservação da Amazônia.Os Cacicados são a Amazônia virgem, as savanas são o que a floresta pode se transformar se toda essa degradação continuar”, comenta o presidente da Tribo Munduruku.

A presidente da Tribo Muirapinima, Sandra Andrade, adianta que todos os seus componentes estão muito focados em representar muito bem o tema “Amazônia Sateré Mawé: A Essência da Vida”. Os Sateré-Mawé foram os inventores da cultura do guaraná,responsáveis por domesticar a trepadeira silvestre e criar o processo de beneficiamento da planta, possibilitando que hoje o guaraná seja conhecido e consumido no mundo inteiro.

Atualmente, os Sateré Mawé habitam a região do médio rio Amazonas, em duas terras indígenas, uma denominada TI Andirá-Marau, localizada na fronteira dos estados do Amazonas e do Pará, que vem a ser o território original deste povo, e um pequeno grupo na TI Coatá Laranjal, da etnia Munduruku. “Eles também são encontrados morando em várias cidades do Amazonas”, ela acrescenta.

Entre os elementos culturais explorados em seu desfile no Tribódromo, os Muirapinima vêm mostrar os “tessumi” e o Porantim. Tessumi é como os Sateré Mawé chamam o artesanato confeccionado pelos homens da tribo utilizando talos e folhas de caraná, entre outras plantas. Já o Porantim pode ser considerado a peça mais importante da cultura material desta etnia. Feito de madeira e com desenhos geométricos, ele catalisa toda a cosmologia dos Sateré-Mawé, que frequentemente se referem a ele como sua Constituição, suaBíblia.

Algumas semanas antes do Festrival, as duas tribos realizam eventos quase diários para apresentar à cidade, um a um, seuscomponentes. A Muiapinima conta com todos os itens exigidos na competição. Entre eles, a Guardiã Tribal, posto de Rayanna Marks; a Índia Guerreira, posto de Carina Carvalho;a Porta-Estandarte Josiele Ramos; e o Pajé, interpretado por Alisson Lima. Entre os itens de destaque da Munduruku está o Pajé Rilque Cezar, a Índia Guerreira Andréia Araújo, estreante no posto, e a Guardiã Tribal Pérola Nayandra.

Durante o Festrival, os jurados avaliam quesitos técnicos e artísticos que contemplam os seguintes itens: Apresentador, Porta Estandarte, Guardiã Tribal, Tuxaua, Índia Guerreira, Pajé, Canto Indígena, Regional, Evolução, Ritual Indígena, Alegoria, Tribo Originalidade, Tribo Coreografada, Originalidade em Conjunto, Harmonia e Galera. Mas as tribos são unanimes ao considerar que, em conjunto com todos os elementos, “o visual é tudo”. Dentro desse cenário surgem então profissionais muito importantes.
Makoy Cardoso, por exemplo, tem um dos ateliês mais requisitados no Festribal e realiza um feito inédito em sua 13a edição: vai confeccionar itens para ambas as tribos. Seu trabalho destaca-se não só pela beleza, criatividade, mas tambémpor ser capaz de criar peças muito leves e funcionais aos componentes do desfile.Outro destaque éRafael Andrade, que este ano veste a Índia Guerreira dos Munduruku. Revelado no atelier de Makoy, hoje, o jovem artis-ta possui um currículo que passa pelo Prêmio Simão Assayag 2018 e formação pela Escolinha de Artes do Boi Caprichoso,de Parintins.

“Fazer o festival é muito difícil, fazemos porque amamos retratar a cultura indígena. Artistas, componentes, torcidas, todos estamos dando o máximo para fazer a melhor apresentação e ter como consequência o título”, comenta Alex Guedes. Para as duas tribos é fundamental que o fortalecimento do Festribal colabore tanto para que novas gerações valorizem e conheçam mais das histórias e tradições indígenas, como ajude a formar novos artistas. Afinal, foi promovendo a difusão de boi bumbás, cordões de pássaros, quadrilhas e carimbós que, em 1986, nasceu o festival.

ESPETÁCULO

24o Festivaldas Tribos de Juruti– Festribal2018

  • Hoje e amanhã, apartirdas 20h.
  • Onde: Centro Cultural Tribódromo–Juruti.
  • Transmissão pela TV e Portal Cultura: Amanhã, apartirdas 21h .
  • PROGRAMAÇÃO COMPLETA
  • A  Apresentação das Tribos Mirins
  • As 20h- Associação Folclórica Tribo MundurukuTema:“Amazônia: Pátria Tupi”
  • As 22h- Associação Folclórica Tribo Muirapinima Tema:“Amazônia: Floresta Mágica”
  • SÁBADO
  • As 20h30– Associação Folclórica Tribo Muirapinima Tema:“Amazônia: Sateré- Mawéa essência da vida”
  • As 0h- Associação Folclórica Tribo Munduruku Tema: “Amazônia: dos Cacicados À profecia das Savanas"
  • ”DOMINGOA 14h– Apuração

(Lais Azevedo/ Diário do Pará)



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