MÚSICA

Produtores independentes de Belém se unem para criar esquema de uma pequena gravadora

POSTADO EM: Sexta-Feira, 27/07/2018, 08:39:10
ATUALIZADO EM: 27/07/2018, 08:45:17

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Wal Sarges

Dono do estúdio Budokaos Records, o produtor musical Marcel Barretto tem colocado a mão em alguns dos trabalhos da novíssima safra da produção musical paraense. A AmpliCriativa, agência e produtora cultural criada em 2011, é responsável por grandes nomes da música paraense, como Dona Onete, Pinduca (foi pela Ampli que ele lançou seu disco mais recente indicado ao Grammy) e novos trabalhos com Paulo André Barata, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. Agora as duas iniciativas se uniram na cena independente de Belém. A primeira tarefa da nova equipe é a produção e lançamento do mais novo trabalho do cantor Pelé do Manifesto, hoje um dos principais artistas do rap em Belém.

A ideia, como Barretto também anunciou pelas redes sociais, é trabalhar música autoral, num esquema de produção, edição, distribuição e gestão de artistas que acreditam nos seus sonhos. Com isso, fazer da parceria uma espécie de gravadora independente no Pará. Cada um terá uma importante missão, desde a criação musical até o encaminhamento do processo burocrático do artista. “A ideia é que essa junção nos permita ser um polo que irá tratar desde o processo criativo do artista até os fins burocráticos e pela primeira vez tem isso em Belém. É como se fosse uma grande gravadora independente. E estamos pulando de alegria por isso”, diz Barretto.

Produtores independentes de Belém se unem para criar esquema de uma pequena gravadora. Trabalhando em esquema de home estúdio, Marcel Barretto conta que sua dinâmica era justamente o de fazer tudo sozinho, em casa. Aos 29 anos e tocando profissionalmente desde os 15, ele integra uma geração que colhe as benesses das facilidades tecnológicas e faz deste momento o auge da livre expressão sonora. “A gente está vivendo uma era democrática graças à internet e o crescimento das redes sociais. Hoje em dia, um cara pode produzir um álbum, tendo apenas um celular enquanto instrumento, basta ter uma boa ideia e ser verdadeiro com o seu som”, destaca.

Mas a demanda começou a crescer e, para suprir a necessidade de muitos artistas, precisou buscar parcerias. De início chamou para o estúdio o também produtor musical e designer Daniel Silva - conhecido também pela iniciativa do Gotazkaen, projeto que iniciou como revista de design, rendeu coletivo de arte e espaço cultural. Daí vieram os outros contatos.Marcel Arêde, sócio-proprietário da AmpliCriativa diz que essa parceria tende a potencializar o trabalho de artistas da cena musical paraense. “A gente viu o Marcel (Barretto) como um grande produtor e com trabalho muito bom na produção musical. E nesse momento econômico que estamos vivendo, as parcerias são essenciais. Dessa forma, os artistas são produzidos pela Budokaos e lançados pelo nosso selo”, explica.

"A ideia é que essa junção nos permita ser um polo que irá tratar desde o processo criativo do artista até os fins burocráticos e pela primeira vez tem isso em Belém”. Marcel Barretto, produtor musical, do Budokaos

“Dá para viver de música em Belém ou qualquer lugar”


Na parte descrita como burocrática, a gestão será feita pelo músico, compositor e produtor Elder Effe, que cuida da editora fonográfica da AmpliCriativa e também diz que está feliz com esta fase. “Temos trabalhado muito na editora. A partir dessa parceria, pretendemos auxiliar o músico sobre serviços relacionados ao seu trabalho, como por exemplo, como ele pode receber o dinheiro numa plataforma digital, ou de que forma os direitos dele devem ser respeitados, como devem ser os contratos feitos por ele. É o lado burocrático que a gente chama, porque vai conversar com o setor jurídico e ao mesmo tempo vai estar antenado com o mercado e, por fim, repassar para o profissional esse processo de forma mais simplificada”, explica. 

Recentemente, a AmpliCriativa em parceria com a União Brasileira de Compositores (UBC) promoveu um workshop para tratar sobre os direitos autorais na música. Elder Effe conta que o engajamento de artistas é fundamental para que eles conheçam mais sobre os próprios direitos. “O evento foi realizado para mostrar que o mercado oferece um lugar para o músico, para que eles saibam como se reinventar, caso fiquem sem subsídios no decorrer da carreira, para que eles saibam ainda que é possível viver de música em Belém ou em qualquer lugar”, considera. 

Diretora da AmpliCriativa e sócia de Arêde, Viviane Chaves acredita no fortalecimento da música paraense. “A Budokaos no estúdio com os músicos e a Ampli participando na distribuição, na gestão burocrática, fomentando ainda mais e fazendo com que o público visualize melhor os artistas, é engrandecedor para ambas as partes, é um trabalho que se complementa. O centro do nosso trabalho é fazer conexões, num slogan juntos somos música”, resume ela sobre a empresa, que também tem em seu casting artistas como Lucas Estrela, Baile do Mestre Cupijó, Mestre Solano, Uaná System e DJ Waldo Squash.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)



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