MÃE DO ALOK

Uma das pioneiras do psytrance, Ekanta toca hoje em Algodoal

POSTADO EM: Domingo, 22/07/2018, 10:57:18
ATUALIZADO EM: 22/07/2018, 11:34:45

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Divulgação

Atração principal deste domingo do festival Planeta dos Macacos, em Algodoal, Ekanta diz estar em grande expectativa. Será a estreia dela na ilha paradisíaca.

“Minha expectativa é muito positiva, é um lugar muito bonito. Faz muito tempo que não vou ao Pará. Estou com um monte de música nova, vamos ver como montar esse set na hora. Faço mais improvisação, depende da hora, do tempo”, diz a DJ, que é mãe dos DJs e irmãos gêmeos Alok e Bhaskar, os mais novos rostos da música eletrônica brasileira.

Mas Ekanta é bem mais do que isso. Com amigos e familiares, ajudou a criar o festival Universo Paralello, que revolucionou a cena da música eletrônica no país na década de 1990, levando-a além do eixo Rio-São Paulo e apresentando para as novas gerações o gênero psytrance. O evento começou na terra natal dela, Goiânia, e que hoje leva milhares de pessoas até a praia de Pratigi, na Bahia.

“Foi amor à primeira vista. Eu morei na Holanda durante muitos anos e ia a vários tipos de festa com techno, house, achava interessante. Quando fui à primeira festa de psy e vi as pessoas com dread lock, a música, a decoração, a vibe... Me apaixonei e tô nessa vibe até hoje (risos)”, conta a DJ, em entrevista ao DIÁRIO. 

 Quando retornou ao Brasil em 1998, Ekanta já tinha uma carreira nas pistas da Holanda e não queria abrir mão de sua paixão, fazendo então que Goiânia fervesse às batidas do psytrance.

 Suas inspirações iniciais vieram de ouvir muito Total Eclipse, GMS, Eat Static e Space Tribe. “Eu não acho o psytrance um estilo de vida, mas uma cultura. Tem o pessoal que é vegetariano, usa dread, mas é mais uma cultura que vem com música, arte, moda. E tem essa coisa do festival, de vários dias de festa, algo que no Brasil você quase não vê”, comenta. 

As melhores lembranças de um momento único e inesquecível. #UP #unforgettable

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Dentro do Universo Paralello, essa ideia do multicultural é contemplada com outros gêneros musicais e iniciativas como uma cozinha comunitária e palestras sobre diferentes assuntos.

“Na verdade, começou como uma festa de ano-novo realizada entre amigos e que recebeu 300 pessoas. Foi legal e acabamos fazendo no ano seguinte, com mais dias de festa. Hoje, nós temos quatro pistas, recebemos bandas também. Foi algo que aconteceu naturalmente”, conta Ekanta. 

O prestígio que o evento e sua própria desenvoltura nas pick-ups gerou levaram a DJ brasileira ainda a muitos festivais no exterior, como Boom, Voov, Vale da Dança, Monte Mapu, Flor da Lua, Tundra, Solstício, Lua Cheia, 24/7.

Em 2004, a brasileira chegou a voltar para a Holanda, desta vez, para fazer um curso de produção musical pela SAE, uma das maiores escolas do ramo no mundo. Também estudou áudio na Escola de Música de Brasília e lecionou entre 2008 e 2011. Não bastasse isso, colaborou diretamente para a formação musical de dois novos nomes da música eletrônica, os filhos Alok e Bhaskar, com quem também produziu várias faixas.

“A família se formou antes de eles serem DJs. Começou naturalmente, com eles começando a tocar por volta dos 13 anos. O bom de ter uma família de DJs é que a gente sempre tem muito para conversar sobre música, compartilhar o que estamos ouvindo, produzir e tocar algo juntos. Une a gente, apesar da correria de cada um. A gente sempre tenta estar juntos. Estive mês passado tocando na Tailândia com o Bhaskar e semana passada com o Alok em São Paulo”, conta Ekanta.

Assim como os filhos, o prestígio da DJ não é só com o público, mas também com o mercado da música. Ela faz parte da seleta equipe da Vagalume Records, uma das gravadoras que melhor representa o psytrance brasileiro.

Para ela, isso é algo muito importante na carreira de qualquer DJ, ajudando na identidade do artista, como um sobrenome, ajudando a indicar o tipo de música que tocam, além de trazer todo o apoio e credibilidade para chegar a outros mercados. “É um ganho importante na carreira”, afirma.

Na estrada há 20 anos, ela conta que a relação com a música ainda é intensa. “Eu amo o que faço. Sem tocar, me sinto mal. A música me nutre, me alimenta, me dou muito bem com essa troca de energia com o público. Mas é claro que não tenho mais 30 anos, tornou-se mais cansativo fazer longas viagens e várias festas em uma única semana. Então hoje procuro tocar em uma ou duas no máximo. Mas o prazer que a música me produz, ainda é o mesmo”, afirma. 

Atualmente, ela tem vários lançamentos. Entre seus projetos mais recentes está, inclusive, um remix de “Love is a Temple”, faixa de Alok & Iro.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)



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