DOIS OLHARES

Octavio Cardoso e Paulo Ribeiro mostram em Soure suas fotografias sobre o arquipélago

POSTADO EM: Sexta-Feira, 06/07/2018, 08:31:08
ATUALIZADO EM: 06/07/2018, 08:31:08

zoom_out_map
Octavio Cardoso

“Uma Ilha, Dois Olhares” é o título da exposição de fotografias de Octavio Cardoso e Paulo Ribeiro que abre neste sábado, 7, às 20h, na Secretaria de Soure, no Marajó, com entrada franca.

A exposição conta com 20 fotografias e ficará aberta durante todo mês de julho como parte da programação cultural do município nesta época em que recebe muitos visitantes por causa das férias escolares e do verão amazônico. “As pessoas que forem a Soure vão se surpreender em ver uma exposição com essa qualidade”, adianta Paulo Ribeiro.

 Outro aspecto do Marajó, menos registrado, quando os campos ficam secos, também é explorado por Octavio. (Foto: Octavio Cardoso)

Os dois autores têm dois pontos em comum: a paixão pela fotografia e pelo Marajó, local onde passaram a infância e desenvolveram trabalhos na ilha. “Desde criança vou ao Marajó, minha família tem fazenda lá. Desde quando comecei a fotografar, o Marajó virou um tema, isso em 1984, por causa da paisagem única, bonita e fascinante”, diz Octavio Cardoso, editor do DIÁRIO DO PARÁ.

Na fotografia dele, a figura do vaqueiro é muito presente e na exposição não será diferente. “Pela questão geográfica, o local vira a metade do ano pântano e na outra, a terra fica esturricada, e esse cara tem de se adaptar a essa diversidade. Ele é presente na fotografia, essa função que precisa de força, coragem e requer habilidade”, diz Octavio sobre o vaqueiro, que para ele pode até desaparecer com a pecuária moderna ou mudar muito.

Paisagem mágica 

Já a fotografia de Paulo Ribeiro se apresenta na exposição em preto e branco e segue mais para a região do litoral do Marajó, com a presença do pescador, da orla e nas áreas de fazenda, onde o elemento humano está sempre presente. “Nas fotografias de Octavio existe uma vitalidade de movimento. Na minha, as pessoas não se apresentam como uma ação e sim na perspectiva de contemplação”, analisa Paulo, que faz parte da geração de fotógrafos paraenses surgida nos anos 1980 e também é arquiteto. “A gente está procurando mostrar nessa exposição como essas diferenças de certa maneira se complementam”, 
destaca Paulo.

Em preto e branco, imagens de Paulo Ribeiro mostram o homem marajoara em contemplação (Foto: Paulo Ribeiro)

O texto de abertura da exposição é assinado pelo fotógrafo Luiz Braga, que destaca o privilégio que Soure tem em receber as fotografias dos dois autores nesta exposição que celebra a vida marajoara. 

“O trabalho desvenda a paisagem mágica de um povo harmonioso e heroico, na lida com a natureza e as adversidades. Uma história visual contada com delicadeza e propriedade por dois autores cuja a vida se entrelaça de amor por essa ilha desde a aurora da infância”, diz o texto.

Poder levar esse mostra ao lugar de origem é uma satisfação para eles, pelo vínculo forte com o local e por levarem para aquela população o resultado desse trabalho. “É importantíssimo pelo retorno que a gente tem da população e pela relação que as pessoas do local estabelecem com a fotografia ao se verem representadas. E esse momento em que Soure recebe tanta gente é muito oportuno para isso”, festeja Octavio.

Veja

Exposição “Uma Ilha, Dois Olhares” – Octavio Cardoso e Paulo Ribeiro
Abertura: Sábado, 7, às 20h
Visitação: Até o final de julho
Onde: Secretaria de Cultura de Soure - 1ª Rua - Trapiche de Soure - Marajó 
Quanto: Entrada franca

(Aline Rodrigues/Diário do Pará)



COMENTÁRIOS mode_comment