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Caetano e filhos fazem 'ofertório' de música e família em Belém

POSTADO EM: Quinta-Feira, 03/05/2018, 10:01:24
ATUALIZADO EM: 03/05/2018, 10:01:24

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Divulgação

Há 20 anos, Caetano Veloso compôs “Ofertório” a pedido da irmã Mabel, para a missa em homenagem aos 90 anos de Dona Canô, a saudosa matriarca dos Veloso. Buscar o tema religioso para nomear a turnê que ele apresenta junto com os três filhos, Moreno, Tom e Zeca, tem todo o sentido, já que, como disse o próprio Caetano sobre o show, trata-se de uma celebração em família. E “Ofertório” é um ato de amor entre pai e filhos e também de amor à música. O show chega nesta quinta-feira a Belém, com apresentação a partir das 21h, no Hangar.

Ambientada pelo cenário minimalista de Hélio Eichbauer, trazendo elementos que evocam ao cordão umbilical, tudo no show remete a fortes laços familiares. Incluindo a escolha do repertório, bem mais emocional. “É um show familiar, nascido da minha vontade de ser feliz. Ter filhos foi a coisa mais importante da minha vida adulta”, disse Caetano à “Folha de São Paulo” na estreia da turnê em outubro passado, gravada ao vivo no Theatro Net São Paulo, o que rendeu um DVD que, assim como o disco “Ofertório”, é prometido para este semestre pela Universal Music.

Há canções de Caetano que foram escolhidas pelos filhos, como “O Leãozinho” e a marchinha tropicalista “Alegria, Alegria”, que o baiano poucas vezes tocava em seus shows recentes. Há canções como o samba “Boas Vindas” que Caetano fez para Zeca quando ele nasceu, em 1992, e que tem seu sentido expandido para uma saudação à chegada de Moreno no universo da música. 

O repertório ainda vai buscar músicas que remetem ao cancioneiro do interior da Bahia, de onde veio a família, como em “Um Passo à Frente” (Moreno Veloso e Quito Ribeiro) e “How Beautiful Could a Being Be”, um samba de Moreno que Caetano lançou em disco também há 20 anos.

E há músicas que trazem para o palco outros laços, como “O Seu Amor”, canção de Gilberto Gil, irmão musical de Caetano, assim como composições de Caetano que remetem à irmã Maria Bethânia, como “Reconvexo” e “A Tua Presença Morena”.

MÚSICA FEITA EM FAMÍLIA E FAMÍLIA FEITA DE MÚSICA

Ainda há espaço para muitas outras canções em “Ofertório”, como “Oração ao Tempo” (Caetano Veloso), a inédita “Clarão” e “Um Só Lugar”, ambas do caçula Tom (esta última uma parceria com Cezar Mendes), “Sertão” (de Caetano e Moreno), e “Todo Homem”, elogiado primeiro single do trabalho autoral do discreto Zeca, parceiro do pai em composições como “Você Me Deu”, lançada há dois anos na voz da madrinha artística Gal Costa. 

Como uma família de artistas que têm afinidades, que vêm do mesmo lugar, mas também têm suas diferenças, cada um deles mostra sua forma de estar no palco e de compor. Sem outros músicos em cena, Caetano fica ao violão e os filhos alternam-se em diferentes instrumentos, ou ainda o acompanham para formar um quarteto de cordas. Este formato, inclusive, é um diferencial do show. 

Moreno, que nasceu 20 anos antes de Zeca, formou-se em Física. Tom, que nasceu cinco anos depois de Zeca, só gostava de futebol. Moreno e Tom se profissionalizaram como músicos. Zeca, só muito depois começou a compor. “Indo por caminhos diferentes, todos se aproximaram da música a partir de um momento da vida”, lembra Caetano.

(Diário do Pará)



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