TEATRO

Obra de Plínio Marcos sobre a ditadura militar é encenada em Belém

POSTADO EM: Sexta-Feira, 06/04/2018, 19:58:28
ATUALIZADO EM: 06/04/2018, 19:58:28

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Divulgação

Abajur Lilás, uma das obras do dramaturgo paulista Plínio Marcos mais impactantes e politicamente engajadas, está em cartaz em Belém encenada pelo grupo Limítrofe. A obra, que sofreu inúmeras interferências por parte da censura e, ainda assim, tornou-se um dos principais gritos de denuncia e crítica ao regime militar, fica em cartaz nos dias 6, 7, 8, 14 e 15 de abril no Espaço das Artes.

Escrita no ano de 1969, a história mostra a realidade de degradação humana vivida pelas prostitutas Dilma, Célia e Leninha; que tentam sobreviver em um submundo cheio de impiedades, extorsões e injustiças praticadas e personificadas por Giro, pessoa sem nenhum escrúpulo que comanda o prostíbulo à base de autoritarismo, ameaça e violência. O retrato suburbano é fundamental a denúncia do autor ao regime de exceção.

É neste universo, que retrata algumas das camadas mais marginalizadas da sociedade, onde seres humanos sem perspectiva de vida lutam para sobreviver dia a dia, que Dilma mantem a esperança de criar seu filho e um dia poder desfrutar de bons momentos, Célia se rebela em busca liberdade e Leninha vislumbra uma realidade ilusória típica da juventude, mas mantendo uma indiferença grande frente aos problemas. Quanto a Giro, este se reserva o direito de dominar, mentir, extorquir, cobrar e transferir as responsabilidades para aqueles que seu dinheiro compra, oprime, agride e mata.

Este projeto, dirigido por Renan Delmontt, tem como objetivo principal investigar e desenvolver o trabalho do ator por meio da pesquisa e experimentação contínua. O método de interpretação utilizado no espetáculo é o chamado do teatrólogo russo Constatine Stanislavski, que alicerça a construção dos personagens no modelo de interpretação realista.

Plínio Marcos escreveu a obra para ser um grito de denúncia e resistência frente às mudanças tenebrosas impostas pelo governo militar e deixou um legado como motor para a criação e também resistência durante um momento em que a cultura, a educação, os direitos, as artes, vêm sendo cada dia mais lesados pelos nossos governantes.

A inquietação do grupo é também um convite: quem somos nós em meio a essa história que se repete?

Serviço: Abajur Lilás nos dias 06,07,08,14,15 de Abril, com sessões às 18h e 20h, no Espaço das Artes de Belém (Rua Tiradentes, nº 10, quase de esquina com a Assis de Vasconcelos). Ingressos: R$30 (Inteira) e R$15 (Meia e Antecipado). Informações: 98971 7207

(Com informações de divulgação)

 



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