TECNOLOGIA

Professora desenvolve projeto de robótica que usa lixo eletrônico como subsídio

POSTADO EM: Domingo, 11/03/2018, 11:47:45
ATUALIZADO EM: 11/03/2018, 11:47:45

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Fernando Araújo

O que você faz com aquele teclado que quebrou ou com o mouse que não funciona mais? Joga no lixo, certo? Mas nas mãos da professora de robótica e matemática Keila Cattete e seus alunos, viram protótipos.

Tudo começou em 2014, quando Keila trabalhava no nordeste paraense. Ela apresentou um projeto que previa o uso de lixo eletrônico para montar protótipos de robótica no ensino da matemática, o que foi visto com desconfiança. “As pessoas não acreditaram no projeto, achavam que não era possível e me chamaram até de louca”, conta a docente.

Felizmente, ela não desistiu. E no ano passado, veio a recompensa: a professora ficou em primeiro lugar geral no Torneio Brasileiro de Robótica. “Eu fui a primeira afrodescendente e remanescente quilombola a ganhar esse prêmio”, comemora. 

Hoje, já trabalhando em Belém, Keila desenvolve o seu trabalho na Zoom Education for Life, empresa brasileira que desenvolve soluções de aprendizado inovadoras, e na Escola Paulista. Nesta última, a professora está desenvolvendo um projeto para montar protótipos a partir de lixo eletrônico.

Os alunos fizeram coleta de materiais que podem ser reaproveitados, como teclados, mouses, fios de cobre e placas-mãe e iniciaram a montagem de seus projetos. Os esqueletos dos robôs também são reciclados: serão feitos a partir de papelão.

Os alunos da professora Keila Catete e suas experiências robóticas usando lixo eletrônico: muito conteúdo envolvido (Fotos: Fernando Araújo)

Cálculo que ajuda com as emoções 

E onde entra a matemática? É que para montar esse protótipo, o aluno vai ter que aprender peso, altura, circunferência, se o motor é grande ou pequeno, e qual a potência. E tudo passa pelo cálculo matemático. Ou seja, a robótica permite que os alunos assimilem melhor o conteúdo.

A matemática ainda é um tabu para a maioria dos alunos, mas a robótica pode ajudar a quebrar o mito de que essa disciplina é difícil e chata. É o que acredita Keila, professora da disciplina e especialista em educação especializada.

“Aprendi que para ensinar matemática é preciso inovar para torná-la atraente para o aluno. Fui para a área da tecnologia, que é uma coisa que gosto muito”, diz a professora.

Além disso, Keila garante que trabalha as emoções e a inclusão, porque a aula também pode ser adaptada para o aluno. “Trabalho as frustrações, os erros e acertos no cálculo matemático e a questão de suprimir a necessidade para se autorreconhecer e dizer ‘assim eu posso, eu sou capaz e eu vou chegar lá’. Com a inclusão, trabalho a lateralidade, o socioemocional e a ansiedade, principalmente nos autistas, que são muito ansiosos”, explicou.

(Aline Rodrigues/Diário do Pará)



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