HOMENAGENS

Amazônia Jazz Band faz concerto pelo aniversário do Theatro da Paz

POSTADO EM: Quarta-Feira, 14/02/2018, 08:28:40
ATUALIZADO EM: 14/02/2018, 08:34:54

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Jader Paes/Arquivo

Ir ao Theatro da Paz sempre será um grande evento. Começando pela fachada imponente, passando pelos lustres de cristal, piso em mosaico de madeiras nobres, dezenas de obras de arte, até chegar à grande sala de espetáculo, o espaço impõe respeito. Um elogio frequente que lhe fazem é ter “uma acústica perfeita”. E se existe uma atração paraense que faz bom uso desta característica é a Amazônia Jazz Band. Por isso ela é a convidada para realizar amanhã, às 20h, o concerto “Celebrando Theatro da Paz e Waldemar Henrique”, com a participação especial da cantora paraense Simone Almeida. A programação celebra o aniversário de 140 anos do teatro e 113 anos do maestro paraense – que nasceu na mesma data de fundação da casa. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos hoje, a partir das 9h, na bilheteria do teatro ou no site “Ticket Fácil”.O maestro Nelson Neves, regente da AJB, explica que será um concerto com músicas do próprio Waldemar Henrique e outras que celebrem a importância do Theatro da Paz. Entre elas, “Foi Boto, Sinhá!”, “Maracatu”, “Minha Terra e Boi Bumbá” e “Uirapuru”, com arranjos especiais de Tynnoko Costa, além de “The Phat Pac”, do americano Gordon Goodwin; “Baião de Lacan”, de autoria de Guinga e Aldir Blanc, com arranjo de Nailor Azevedo “Proveta”; e um pout-pourri de “Trem da Onze”, “Disparada” e “Cidade Maravilhosa”, com arranjos do próprio maestro da Amazônia Jazz Band.

Diretor do Theatro da Paz por mais de 10 anos e com uma centena de canções compostas ao longo de sua carreira, Waldemar Henrique sempre foi muito querido na cena cultural da cidade. “É um privilegio, celebrar com o público paraense essa data, do teatro e do Waldemar, compositor que com suas obras faz parte do repertório da ABJ. Orgulha-nos ele ter ultrapassado a fronteira do Estado com sua música amazônica”, comenta Nelson Neves. 

Entre homenagens anteriores ao maestro, a AJB chegou a fazer o registro fonográfico de seu concerto “Comemorando 100 anos de Waldemar Henrique”, ainda não lançado em CD.

O DVD da banda também traz aquela que Nelson Neves considera o maior exemplo da genialidade de Waldemar Henrique, a famosa “Tambatajá”. “O que me chama atenção como maestro, compositor, arranjador e pianista, é a singeleza que só os grandes conseguem fazer. Ela tem uma melodia tão marcante, usando na primeira parte apenas duas notas!”. Ele cita Beethoven, que compôs o primeiro movimento de sua mais famosa sinfonia com apenas quatro notas. “Só os grandes conseguem fazer algo tão belo com o mínimo”, completa.

Com quase 20 anos de carreira, Simone Almeida, conhecida por dar voz à obra de grandes compositores amazônicos, também elogia Waldemar e conta que sua obra está presente há muitos anos em sua vida. “Canto as canções do maestro desde que comecei a cantar em coral, há mais de 10 anos, onde pude conhecer melhor sua obra”. 

Depois da abertura instrumental com a ABJ, a artista dá voz a canções como “Uirapuru” e “Minha Terra”, primeiro sucesso de Waldemar. “Ou seja, uma participação que vai abrilhantar o concerto”, elogia Nelson Neves.

A Amazônia Jazz Band se apresenta com a regência de Nelson Neves (Foto: Nathália Lobato/Divulgação)

Visitas guiadas com muita história

Entre as canções pensadas para celebrar especialmente a acústica e as grandes noites que já fizeram a história do Theatro da Paz, Nelson Neves destaca “The Phat Pack”, que, segundo ele, é “uma canção do tempo de ouro dos musicais americanos”, feita para homenagear Frank Sinatra, Sammy Davis Jr e Dean Martin. “Música elegante, de um maravilhoso compositor e arranjador americano, ela cai perfeitamente, como uma luva, para o ambiente do nosso teatro, com seu glamour e estilo fantástico”, completa. 

Como ocorre com vários artistas paraenses, o Theatro da Paz é parte da história de Nelson Neves. Sua primeira apresentação ali foi no início da adolescência, para acompanhar o barítono italiano Rio Novello. “A primeira vez que me vi no palco do teatro foi uma responsabilidade muito grande. E, a partir daí, com o desenvolvimento da minha carreira, fiz recitais solos, tocando com orquestra, com a Amazônia Jazz Band – agora, regendo a banda. Essa é uma casa sagrada, onde nos sentimos agraciados, privilegiados por Deus por temos o talento e a oportunidade de nos apresentarmos”, declara.

PORTAS ABERTAS

A comemoração pelos 140 anos do Theatro da Paz também inclui o projeto “Portas Abertas”, que recebe o público para visitas guiadas gratuitas. A programação inicia amanhã e segue até dia 27, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, aos sábados, de 9h às 12h, e aos domingos, das 9h às 11h. Os grupos para visitação são formados de hora em hora, exceto às 13h, para intervalo do almoço. O público pode chegar e retirar sua senha sem necessidade de agendamento, formando grupos de até 80 visitantes.

A coordenadora do projeto, Paloma Carvalho, destaca que as visitações são muito importantes tanto para o teatro como para o público. “O Theatro da Paz é um dos mais representativos patrimônios de Belém. Com as visitas, ele pode alcançar novos públicos, afinal, muitos nunca foram ao teatro, nem sabem que ocorre visita quase todos os dias. E é importante que as pessoas conheçam sua história, seu interior, para que elas saibam falar sobre ele, se orgulhar dele, para enriquecerem sua própria história”, diz ela.

Durante a visita, o público conhece um pouco dos primeiros anos de projeto e construção do teatro, aprende sobre seu estilo arquitetônico, e os materiais trazidos da Europa, como ferros e cristais. “Da Amazônia há, principalmente, madeiras nobres”, destaca Paloma. 

Pela sala de espetáculos também se entende um pouco da estrutura social da cidade, os cenários políticos pelos quais passou. “É possível ver essas questões pelo Foyer (salão nobre) onde apenas políticos e pessoas da elite podiam se reunir, e o camarote do Imperador (D. Pedro II), no cenário atual, destinado ao Governador”, destaca.

ESCOLAS

No dia 28, haverá mais uma visitação, em uma edição especial ao público infantil, na retomada do projeto “Contação de História”. Por meio da narrativa, a atriz e arte-educadora Karla Pessoa mostra as facetas do esplendor arquitetônico, da história e das curiosidades que fazem do Theatro da Paz um dos mais bonitos do Brasil. As visitas deste dia também são gratuitas, destinadas aos alunos de 7 a 12 anos, matriculados nas escolas públicas. O projeto ocorrerá regularmente, uma vez por mês, no horário das 10h às 11h, com agendamento das escolas.

VISITE

Concerto “Celebrando Theatro da Paz e Waldemar Henrique” – Amazônia Jazz Band
Quando: Amanhã, às 20h.
Onde: Theatro da Paz (Praça da República, Avenida da Paz, s/n - Campina)
Quanto: Gratuito, com retirada de ingressos a partir de hoje, às 9h, na bilheteria do teatro e no site www.ticketfacil.com.br (limitada a dois ingressos por pessoa, com taxa de conveniência de R$ 2 cada)

Projeto Portas Abertas
Quando: De 15 a 27, de terça a domingo. 
Horários das visitas: de terça a sexta, 9h, 10h, 11h, 12h, 14h, 15h, 16h e 17h; aos sábados, às 9h, 10h, 11h e 12h; aos domingos, às 9h, 10h e 11h.
Quanto: Gratuito, com distribuição de senhas na bilheteria do teatro.
*Visitação fora do período comemorativo: de terça a domingo, nos mesmos horários, com ingresso a R$ 6 (meia-entrada a R$ 3).
Informações: (91) 4009-8769/ 8758/8759

(Lais Azevedo/Diário do Pará)



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